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Sintomas depressivos podem ter origem na Tiroide

Cansaço, sonolência, falta de iniciativa, ansiedade e humor depressivo são sintomas facilmente associados à Depressão. No entanto, a verdade é que estes mesmos sinais podem indicar o mau funcionamento da Tiroide. Em Portugal, estima-se que as doenças da Tiroide afetem cerca de 1 milhão de pessoas, sendo o Hipotiroidismo a disfunção mais frequente. 30% dos portugueses desconhece os sintomas.

Apesar da depressão e o hipotiroidismo serem condições clínicas distintas, estas podem apresentar sintomas comuns. Cansaço, ansiedade, dificuldade em dormir, falta de memória, desânimo e apatia geral são manifestações que todos nós, quase sempre e de forma quase imediata, associamos a distúrbios psicológicos. O que muitos desconhecem é que estes são também indicadores de que algo de errado se passa com o funcionamento da nossa Tiroide.

“O hipotiroidismo altera inúmeras reações indispensáveis ao normal funcionamento do organismo. Nas fases iniciais, os sintomas são ligeiros e a fadiga e o aumento de peso são desvalorizados e atribuídos ao envelhecimento e ao stress do dia-a-dia, o que pode provocar graves consequências nas emoções do doente”, começa por explicar a especialista em endocrinologia, Isabel Manita.

“Por norma, o engordar ou a queda de cabelo são sintomas físicos que afetam a aparência de uma pessoa e que podem prejudicar, e muito, a sua autoestima, o que leva a determinadas inseguranças e possível depressão”, adianta.

De acordo com a especialista, o hipotiroidismo consiste numa disfunção da tiroide em que não são produzidas hormonas em quantidades suficientes. “Em termos laboratoriais caracteriza-se por uma redução da T4 e da T3 com elevação da TSH. O termo hipotiroidismo subclínico utiliza-se quando há uma elevação da TSH com níveis normais de T4 e T3”, refere acrescentando que os casos de hipotiroidismo são, frequentemente, adquiridos ao longo da vida. No entanto, situações há em que este distúrbio pode ser entendido como uma condição clínica congénita, detetada logo ao nascimento. Esta condição é mais rara e exige tratamento para impedir o desenvolvimento de sintomas, “permitindo uma vida normal”.

“À medida que o metabolismo se torna mais lento, os sintomas tornam-se mais óbvios e incluem: intolerância ao frio, pele e cabelos secos e finos, face «inchada», voz mais grave, obstipação, fraqueza, dor e rigidez muscular e articular, elevação do colesterol e alterações da memória”, revela a especialista quanto aos sintomas físicos associados a esta disfunção.

Quando não tratado, o hipotiroidismo pode ser responsável pelo desenvolvimento de obesidade, depressão, infertilidade e doenças cardiovasculares. “A estimulação constante para a tiroide produzir mais hormonas pode fazer com que esta aumente de volume”, dando origem a uma das complicações mais frequentes, o chamado Bócio.

“Os casos muito avançados de hipotiroidismo, conhecidos como mixedema são raros, mas potencialmente fatais”, avança Isabel Manita.

Não obstante, todas estas condições têm um “grande impacto a nível físico e emocional do próprio doente”.

Frequentemente subdiagnosticado, o hipotiroidismo pode ser detectado através de uma simples análise ao sangue. E uma vez diagnosticado, o tratamento é bastante eficaz, dependendo apenas da gravidade da doença, idade do doente e da existência (ou não!) de outras condições clínicas. “A levotiroxina constitui o tratamento de eleição no caso de produção insuficiente de hormonas tiroideias”, refere a endocrinologista.

Para concluir, a especialista, reforça a necessidade de todos estarmos atentos aos sintomas e não excluirmos a importância do diagnóstico. “A doença compromete o corpo de forma global e por isso os sintomas são muito variados, expressando-se diferentemente em cada indivíduo. Alguns doentes são assintomáticos ou valorizam pouco os sintomas, sobretudo os que têm a doença menos intensa ou de curta duração”, reforça.

Em casos mais graves, “com doença arrastada não tratada e doentes mais idosos podem surgir alterações cognitivas, tonturas e mesmo coma em casos mais extremos”.

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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