Estudo

Poluição no ar, mais riscos para a fertilidade

Inquérito realizado a jovens universitários australianos revela que menos de metade sabe quando a fertilidade feminina começa a diminuir. E há um estudo espanhol que demonstra que a poluição atmosférica interfere na saúde reprodutiva.

O que sabem e não sabem sobre a fertilidade? Na Austrália, foi feito um inquérito a 1 215 alunos universitários sobre o assunto. Mais de metade não identifica a idade em que a fertilidade feminina diminui e apenas um quinto sabe quando esse declínio começa nos homens. Noventa por cento dos jovens inquiridos consideram importante ou muito importante acabar os estudos e arranjar trabalho antes de serem pais. A questão é se será tarde demais, escreve a Notícias Magazine.

A fertilidade feminina cai significativamente entre os 35 e os 39 anos. Nos homens, acontece mais tarde, entre os 45 e os 49 anos. Os resultados do inquérito feito na Austrália demonstram que é preciso educar e informar os jovens sobre os limites da fertilidade e que biologicamente é preciso perceber quais as condicionantes.

Pode não parecer mas a poluição atmosférica é uma das condicionantes. Não interfere apenas nas doenças respiratórias, também reduz a fertilidade feminina e masculina e aumenta o risco de abortos. As conclusões saíram de um estudo feito por médicos do centro de pesquisa do Hospital do Mar de Barcelona, Espanha, encomendado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. Mais poluentes no ar, mais riscos para a saúde reprodutiva.

Partículas finas, dióxido de nitrogénio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono são Contaminantes que interferem na fertilidade.

Os especialistas debruçaram-se sobre vários contaminantes. Partículas finas, dióxido de nitrogénio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono. E perceberam que, de facto, há uma relação entre altos níveis de partículas não recomendáveis para os pulmões e a redução de taxas de gravidez. Depois da inalação, entram na corrente sanguínea e causam danos na saúde. O dióxido de nitrogénio, segundo o estudo feito em Espanha, aumenta o risco de abortos na reprodução espontânea e na fertilização in vitro quando há uma exposição permanente a altas concentrações desse gás.

O enxofre e o monóxido de carbono também aumentam a taxa de aborto. “Em suma, o número de recém-nascidos vivos na fertilização in vitro é reduzido, a taxa de implantação do embrião diminuiu e os abortos aumentam”, adiantou, ao jornal El País, Miguel Checa, coordenador do estudo e da secção de reprodução humana do serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital do Mar.

Os espermatozoides alteram-se com a contaminação do ar. A qualidade do esperma é afetada, o ADN é fragmentado, a cabeça oval do espermatozoide pode mesmo ficar deformada quando os homens estão expostos a altos níveis de poluição do ar. Esta investigação tem sido o ponto de partida para outras pesquisas que querem perceber os efeitos, a longo prazo, da poluição na saúde reprodutiva.

 

Fonte: 
Notícias Magazine
Nota: 
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