Infecção contagiosa

Difteria

A difteria é uma doença infecciosa que afecta a garganta e pode provocar a obstrução das vias respiratórias e a morte.

A difteria é uma infecção contagiosa originada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae e que se caracteriza pelo aparecimento de falsas membranas aderentes às mucosas da faringe e laringe podendo provocar a obstrução das vias respiratórias e a morte.

Há alguns anos, a difteria era uma das principais causas de morte infantil. Actualmente, a difteria é pouco frequente nos países desenvolvidos, principalmente graças à vacinação maciça contra a doença. No entanto, as bactérias da difteria ainda existem no mundo e podem provocar surtos epidémicos se não se recorrer a uma ampla vacinação.

As bactérias da difteria encontram-se normalmente nas gotas de humidade que são expulsas com a tosse. Por isso, o contágio é feito através das gotículas de saliva. Raramente as bactérias se podem propagar através de objectos ou de artigos do lar contaminados, como roupa ou brinquedos.

Normalmente, as bactérias multiplicam-se na superfície ou perto das membranas mucosas da boca ou da garganta, onde provocam inflamação acompanhada de febre, e dor de garganta. Alguns tipos de Corynebacterium diphtheriae libertam uma toxina potente que pode provocar lesões no coração e no cérebro.

Sintomas
Os sintomas gerais da difteria, começam entre 1 e 4 dias depois da exposição às bactérias, são a febre, falta de forças, perda de apetite, dores musculares e articulares, para além de dores de garganta e dificuldade respiratória. A existência de pus aderente das estruturas da faringe pode levar à asfixia por obstrução das vias respiratórias.

Existe, também, aumento do volume dos gânglios linfáticos do pescoço e se houver infecção da mucosa do nariz pode haver rinorreia. Pode ainda provocar inflamação de órgãos como o coração e os rins, paralisia dos nervos cranianos e anemia. Mais raramente pode apresentar doença cutânea, vaginal ou das conjuntivas.

A bactéria produz toxinas responsáveis pela doença neurológica e cardíaca (miocardite) que podem surgir numa fase mais avançada (1-6 semanas). A lesão cardíaca pode ser ligeira e, nesse caso, pode manifestar-se só como uma anomalia menor no electrocardiograma, ou muito grave, ao ponto de provocar insuficiência cardíaca e morte súbita.

Entre a terceira e a sexta semana podem inflamar-se os nervos dos braços e das pernas, provocando debilidade. A difteria pode ainda afectar a pele (difteria cutânea), embora seja mais frequente nos trópicos, particularmente em pessoas com falta de higiene.

Diagnóstico
Perante um doente com garganta irritada e com uma pseudomembrana o especialista tem razões para pensar na difteria. O diagnóstico pode ser confirmado através da recolha do pus (bactérias) das amígdalas.

Tratamento
O objectivo do tratamento é neutralizar a toxina e para isso são utilizados vários medicamentos. Habitualmente, a recuperação de uma difteria grave é lenta.

A criança com sintomas de difteria é hospitalizada numa unidade de cuidados intensivos e recebe uma antitoxina (anticorpo que neutraliza a toxina da difteria que está a circular) logo que seja possível. No entanto, primeiro deve assegurar-se, mediante uma análise especial da pele, que a criança não é alérgica à antitoxina, que é fabricada com soro de cavalo. Uma criança alérgica à antitoxina primeiro deve ser dessensibilizada.

Prevenção
A prevenção da difteria é feita através da vacinação. A vacina contra a difteria faz parte do Plano Nacional e Vacinação, sendo aplicada na infância aos dois, quatro e seis meses, combinada com as vacinas do tétano e da tosse convulsa, sob a denominação DTP (difteria-tétano-pertosse). Depois destas doses iniciais da vacina DTPa, devem ser dadas doses adicionais aos 18 meses e, posteriormente, entre os cinco e os seis anos.

A partir dos sete anos, administra-se a vacina Td (Tétano e Difteria), com conteúdo reduzido de difteria. De dez em dez anos, devem ser feitos reforços da vacina Td (Tétano e Difteria) para manter a imunização.

No caso de não ter sido administrada na infância ou caso o adulto não tenha a certeza de ter sido vacinado enquanto criança, a vacina deve ser aplicada logo que possível numa única dose. Se alguém que tenha sido vacinado contra a difteria entrar em contacto com uma pessoa infectada, uma dose de reforço aumenta a protecção.

De acordo com a Organização Mundial Saúde, qualquer pessoa que pretenda viajar deve ter esta vacina em dia. A vacina deve ser aplicada dez dias antes de se partir em viagem.

Fonte: 
Manual Merck
Sapo Saúde
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
ShutterStock