Estudo sobre Covid-19 aponta novas estratégias

Um estudo internacional, liderado por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), concluiu que o impacto do encerramento e da reabertura das escolas durante a pandemia de Covid-19 variou significativamente ao longo do tempo, dependendo da evolução epidemiológica e das características dos diferentes grupos etários. O estudo teve a coordenação de Ganna Rozhonva, professora de Ciências ULisboa e investigadora do Instituto de Biosistemas e Ciências Integrativas , e contou também com a participação de outros investigadores do mesmo instituto.
Publicado na revista Nature Communications, o trabalho mostra que medidas aplicadas de forma uniforme a todas as escolas podem não ser a solução mais eficaz em futuras emergências de saúde pública. Em vez disso, os resultados apontam para a necessidade de estratégias flexíveis e adaptadas ao contexto epidemiológico de cada momento. O estudo tem por ponto de partida dados à escala nacional e regional que foram fornecidos pelas autoridades dos Países Baixos – mas os investigadores consideram que as conclusões agora apresentadas podem ser úteis em todas as geografias, quando se trata de enfrentar uma qualquer pandemia que se dissemina por via respiratória.
Através de modelos matemáticos que combinaram dados epidemiológicos e padrões de contacto entre diferentes faixas etárias, os investigadores analisaram o efeito de diversas políticas escolares durante a pandemia de Covid-19. O estudo permitiu comparar as medidas que foram efetivamente adotadas com cenários alternativos, avaliando o seu potencial impacto na transmissão da doença e nas hospitalizações.
Os resultados indicam que o grupo dos adultos foi o que contribuiu mais para a propagação no início da pandemia. Mas depois, entre o final de 2020 e o início de 2021, foi o grupo dos adolescentes quem mais contribuiu para o contágio dentro e fora das escolas. Por outro lado, no final de 2021, foram as crianças das escolas básicas que mais contribuíram para propagar a doença. O que significa que o encerramento generalizado das escolas produziu diferentes efeitos consoante o período em que foi aplicado
Em suma, os investigadores concluíram que teria sido mais benéfico enveredar por um encerramento de escolas que tivesse em conta os grupos etários que, a cada momento, mais potenciam a propagação pandémica. O encerramento das escolas básicas poderá não ter tido o efeito desejado no início da pandemia, pois eram as escolas secundárias que produziam maior impacto na propagação. Em contrapartida, teria sido mais eficaz fechar as escolas básicas no final de 2021, uma vez que era nestes espaços que se encontrava o grupo que mais potenciava o contágio, enquanto nas escolas secundárias já parte da população estava vacinada. E, por isso, talvez não se justificasse o encerramento.
Segundo os autores, estas conclusões fornecem informação importante para apoiar decisões futuras sobre o funcionamento das escolas durante epidemias e pandemias, ajudando a equilibrar a proteção da saúde pública com os impactos sociais e educativos das restrições.
O estudo contou com a participação dos investigadores Benedetta Canfora, Rey Audie Escosio, Ana Nunes e Ganna Rozhnova, associados a Ciências ULisboa e ao BioISI – Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas.
