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Estudo identifica prioridades para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde oral durante a gravidez

O estudo “Pressing Issues for Oral Health Care Access and Quality Improvement During Pregnancy in Portugal—A Qualitative Study”, publicado recentemente no Journal of Public Health Dentistry, identificou os principais desafios no acesso e na qualidade dos cuidados de saúde oral durante a gravidez, no período pré-concecional e no pós-parto, em Portugal. O trabalho destaca a necessidade de reforçar a literacia em saúde oral, melhorar a acessibilidade aos cuidados de saúde e promover uma maior integração entre profissionais.
A investigação – levada a cabo por uma equipa de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto – publicada recentemente no Journal of Public Health Dentistry, recorreu a um método estruturado de construção de consenso, que envolveu 12 participantes com diferentes perfis: profissionais de saúde, decisores políticos, representantes de organizações da sociedade civil e recém-mães. O objetivo foi identificar, de forma colaborativa, os problemas mais urgentes e as áreas prioritárias de intervenção nos cuidados de saúde oral materna.
 
Os resultados apontam para desafios significativos em três dimensões complementares: a política, a comunitária e a da prática clínica. Ao nível das políticas de saúde, os participantes destacaram como prioritária a integração da saúde oral nos cuidados de saúde gerais, a criação de consultas obrigatórias de diagnóstico em cuidados de saúde primários e a inclusão de módulos de saúde oral nos cursos de preparação para o parto e parentalidade. Foi também sublinhada a necessidade de reforçar e alargar o Programa Cheque-Dentista, nomeadamente ao período pré-concecional e ao pós-parto.
 
No plano comunitário, o estudo evidencia a importância de introduzir a saúde oral nas consultas de planeamento familiar, reforçar a formação de médicos de família e outros profissionais de saúde que acompanham mulheres grávidas e desenvolver estratégias de comunicação dirigidas diretamente às grávidas, de forma clara e acessível. “A baixa literacia em saúde oral e a falta de informação sobre os apoios existentes continuam a ser obstáculos relevantes à utilização dos cuidados disponíveis”, referem os autores deste estudo.
 
Já ao nível da prática clínica, os participantes defenderam a integração de médicos dentistas nas equipas de acompanhamento da gravidez e a criação de consultas estruturadas de saúde oral nos centros de saúde, com referenciação eficaz para o Programa Cheque-Dentista ou para clínicas universitárias. A inclusão sistemática de conteúdos sobre saúde oral na preparação para o parto foi igualmente considerada uma medida prioritária.
 
Ainda de acordo com os autores, apesar de Portugal dispor de instrumentos importantes de apoio à saúde oral materna, persistem lacunas na articulação entre serviços, na cobertura efetiva dos cuidados e na sensibilização das mulheres para a importância da saúde oral durante a gravidez. “Uma abordagem integrada, baseada na colaboração entre as diferentes áreas profissionais e os diferentes níveis do sistema de saúde é essencial para reduzir desigualdades e melhorar os resultados.em saúde”, conclui Leonor Frey Furtado, investigadora do ISPUP e primeira autora do estudo.
Fonte: 
Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP)
Nota: 
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