Sinais de alerta

As perturbações da leitura e da escrita

Atualizado: 
05/03/2020 - 11:17
As perturbações da leitura e escrita comprometem todo o processo de aprendizagem e interferem com o sucesso escolar da criança. Estas crianças apresentam, frequentemente, sentimentos de frustração, vergonha, baixa autoestima e confiança reduzidas e pouca motivação para as aprendizagens escolares.

Clinicamente, as perturbações da leitura e da escrita são classificadas como “Perturbação Específica da Aprendizagem”. É uma perturbação do neurodesenvolvimento que dificulta a capacidade de aprender ou utilizar competências académicas específicas de leitura e escrita que são a base fundamental para as restantes aprendizagens escolares (DSM-5).

A Perturbação Específica da Aprendizagem tem uma incidência na população escolar de pelo menos 5%.

A identificação e avaliação

É fundamental a avaliação precoce de sinais de dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita. Todas as crianças têm o seu ritmo de aprendizagem mas havendo um padrão persistente destas dificuldades torna-se fundamental uma avaliação especializada.

O Terapeuta da Fala tem um papel preponderante na avaliação, diagnóstico diferencial e intervenção destas perturbações. Desenvolve a sua intervenção em colaboração com os educadores e professores, outros profissionais de saúde e as famílias.

Diagnóstico diferencial

Atualmente é definido do diagnóstico de Perturbação Específica de Aprendizagem com défice na leitura e/ou na expressão escrita, ao que se classificava como:

  • Perturbação de Leitura e Escrita consequente de atraso/dificuldade em diferentes componentes da linguagem ou perturbação específica da linguagem;
  • Dislexia – perturbação do neurodesenvolvimento multifatorial caracterizada por um défice no processamento fonológico e na memória de trabalho verbal (componentes da linguagem) apesar do nível cognitivo adequado e da condição educativa;
  • Disortografia – perturbação que envolve a organização e codificação da escrita, apresentando-se os textos mal estruturados e verificando-se inúmeros erros ortográficos;
  • Disgrafia – alteração funcional no ato motor da escrita, que afeta a qualidade da escrita, sendo a caligrafia bastante irregular no traçado e na forma das letras.

Sinais de alerta na 1ª infância

Embora o diagnóstico de Perturbação Específica de Aprendizagem só possa ser realizado após o início da escolaridade, é possível identificar alguns sinais de alerta durante a 1ª infância que devem ser alvo de avaliação especializada:

  • Atraso na aquisição da linguagem oral;
  • Dificuldade na produção dos sons da fala, referida como “linguagem de bebé” que continua para além do tempo “normal”. Pelos cinco anos de idade a criança deve pronunciar corretamente a maioria das palavras;
  • Dificuldade em aprender os nomes das cores, de pessoas, de objetos, de lugares;
  • Dificuldade na evocação e definição de palavras;
  • Dificuldade na nomeação de imagens. Utiliza, frequentemente, as palavras “isto”, “aquilo”, “a coisa que serve para”;
  • Dificuldade em memorizar canções, lengalengas e recontar uma história;
  • Dificuldade em perceber que as frases são formadas por palavras e que as palavras se podem segmentar em sílabas.

Sinais de alerta durante a escolaridade

  • Dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas (sons);
  • Dificuldade em associar as letras aos seus sons;
  • Dificuldade na discriminação auditiva dos sons da fala;
  • Omissão de letras, adição de fonemas, sílabas ou inversão de letras nas palavras;
  • Erros na escrita referentes à pontuação e/ou acentuação, junção ou separação de palavras inadequadamente;
  • Leitura lenta com baixa expressividade e com pouco ritmo;
  • Dificuldade na leitura e interpretação de problemas matemáticos;
  • Substituição de letras visualmente semelhantes ou escrita de palavras em espelho;
  • Desorganização espacial na folha ou nos textos;
  • Recusa ou insistência em adiar as tarefas de leitura e escrita;
  • História familiar de dificuldades de leitura e ortografia noutros membros da família.
Fonte: 
Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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