Lesão cutânea

Eritema pérnio ou perniose: saiba o que é e como pode prevenir

Atualizado: 
13/12/2019 - 11:22
Vulgarmente conhecido por frieira, o eritema pérnio ou perniose é uma inflamação cutânea desencadeada pela exposição ao frio e que atinge, sobretudo, as extremidades do corpo, como os dedos das mãos ou dos pés. Apesar de bastante frequente e de apresentar resolução espontânea em poucas semanas, a verdade é que, em alguns casos, pode resultar em complicações graves como a morte dos tecidos por falta de circulação.

Inchaço, dor, prurido por vezes intenso, sensação de queimadura, ulceração ou fissura são alguns dos principais sintomas do eritema pérnio - uma patologia cutânea inflamatória que, embora possa surgir em qualquer idade, atinge, sobretudo, as mulheres.

Para além dos dedos das mãos e dos pés, o nariz, as orelhas, e mais raramente a região das coxas e nádegas, são as zonas do corpo que podem ser acometidas por estas lesões. E embora suas causas exatas permaneçam desconhecidas – até porque nem sempre as frieiras precisam de temperaturas extremas para de desenvolverem (há casos relatados noutras épocas do ano, como outono ou primavera) –, estima-se que estas possam dever-se a uma reação desadequada do organismo ao frio.

Num artigo de sua autoria, a médica de Medicina Geral e Familiar, Márcia de Carvalho de Sá explica que “perante a exposição ao frio, a pele protege o organismo através da vasoconstrição”, sendo que esta, habitualmente, se processa em duas fases: “vasoconstrição maciça das anastomoses, com diminuição da temperatura cutânea, seguida de vasodilatação cíclica, com aumento gradual e lento da temperatura cutânea”. Durante a exposição prolongada ao frio surge uma terceira fase com vasoconstrição também ela prolongada e que interrompe o fluxo sanguíneo nos tecidos expostos. Trocado por miúdos, quer isto dizer que, sendo a vasoconstrição um fenómeno que “encurta” o diâmetro dos vasos sanguíneos, ela resulta numa diminuição significativa do fluxo sanguíneo nestes vasos que, em condições extremas, como seja em caso de vasoconstrição prolongada, conduz a danos nos tecidos circundantes, provocando lesões cujo grau e gravidade vai depender da duração da exposição ao frio.

As lesões de eritema pérnio podem ser classificadas em agudas, quando duram entre 12 a 24 horas, ou crónicas se persistirem por mais tempo (sendo estas as que estão habitualmente associadas às exposição prolongada ao frio). Segundo a médica, “clinicamente, caracterizam-se por máculas ou pápulas eritematosas, dolorosas e pruriginosas, com edema”, resolvendo-se espontaneamente em cerca de uma a três semanas. No entanto, é frequente haver recidivas, pelo que a cura, muitas vezes, só é atingida no verão. Para além do frio, também a humidade contribui para o seu desenvolvimento.

Caso sofra de frieiras, saiba que existem vários cuidados simples que pode implementar no seu dia-a-dia para aliviar a dor e que auxiliam o seu tratamento, como:  

  • Manter a pele bem hidratada. As loções hidratantes podem ajudar a aliviar o prurido;
  • Evitar a exposição ao frio e outras agressões externas, como lavar muitas vezes as mãos água fria ou usar detergentes;
  • Manter a pele afetada seca e quente (use peças de roupa em lã e massaje a zona afetada com movimentos suaves, sem esfregar);
  • Evitar o contacto direto com fontes de calor (não caia na tentação de, mesmo que esteja muito frio, tentar aquecer as mãos à lareira ou junto de um aquecedor!);
  • Evitar fumar ou beber café, uma vez que estes contribuem para a constrição dos vasos sanguíneos, o que poderá agravar ainda mais o problema.

Saiba ainda que deve consultar o médico sempre que:

  • A pele começar a ficar esbranquiçada ou pálida e com bolhas;
  • Se perder a mobilidade ou sentir dor intensa na zona afetada;
  • Se os sintomas se agravaram, ou surgirem outros mais intenso;
  • Se tiver febre.

É que, de acordo com a dermatologista Leonor Girão, “em casos mais complicados, senão forem prevenidas ou devida e atempadamente tratadas, as frieiras podem provocar danos nas camadas mais profundas da pele, lesões nos tecidos e nos músculos, problemas nos osso e até infeções”. Em situações extremas pode haver morte dos tecidos por falta de circulação.

Quem sofre de diabetes ou de problemas circulatórios deve prestar atenção redobrada a estas situações.

Fonte:
https://www.researchgate.net/publication/320688069_Evidencia_no_tratamento_farmacologico_do_eritema_pernio

Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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