Compreender a Síndrome

Asperger: causas não são totalmente compreendidas

De causa complexa e “não totalmente compreendida”, a síndrome de Asperger é uma condição que condiciona o modo como uma pessoa comunica e se relaciona em com os outros. Para entendermos de que se trata, os especialistas Miguel Silva Costa, Margarida Albuquerque e Pedro Cintra, psiquiatras do Hospital de Cascais, respondem às principais questões.

O que é?

Previamente designado como Perturbação de Asperger, foi pela primeira vez descrita pelo austríaco Hans Asperger em 1944 que se referia a um síndrome em indivíduos com inteligência normal que mostravam dificuldades na interação social e tinham um comportamento diferente sem que tivessem atraso do desenvolvimento ou da linguagem.

Caracteriza-se, portanto, por uma dificuldade na interação social com interesse reduzido nas atividades e associado a comportamento por vezes estranho. Não está associado a atraso da linguagem ou do desenvolvimento intelectual, podendo até contrariamente, associar-se a excelentes capacidades académicas. Manifesta-se num amplo leque de gravidade.

Quais os sinais de alerta?

Podem incluir dificuldade em estabelecer contacto ocular, interpretação literal da linguagem, dificuldades em entender ou expressar emoções, dificuldades na coordenação motora ou interesses específicos. São idênticos em ambos os sexos, podendo ser mais difíceis de identificar no sexo feminino por serem tendencialmente mais tímidas ou reservadas na infância.

Os portadores desta síndrome têm interesses limitados e sobre assuntos específicos que envolvem a memorização ou ordenação de factos.

O que causa?

A causa é complexa e não totalmente compreendida, resulta de contribuições genéticas, ambientais e perinatais que influenciam o desenvolvimento cerebral.

Como se diagnostica?

O diagnóstico é clínico. Inclui os seguintes indicadores de dificuldade de interação social:

dificuldades na comunicação não verbal;

incapacidade para estabelecer relações esperadas para a idade.

O interesse por um número restrito de atividades e determinados padrões de comportamento são características habituais. Quando se manifesta de forma ténue podem não ser facilmente identificados como algo diferenciador em relação outras crianças.

O atraso da linguagem, atraso intelectual ou a dificuldade de adaptação não são características desta perturbação.

Atualmente o fenótipo de Asperger é incluído no diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. Desde 2013, com a revisão do manual da American Psychiatric Association, o DSM-5, a Síndrome de Asperger passa a ser denominada de Perturbação do Espectro do Autismo de nível 1, o mais ligeiro de três níveis.

Qual é o prognóstico?

Actualmente, não existe cura, mas quanto mais precocemente se intervier na área das competências sociais, linguagem e autonomia funcional, mais favorável será a evolução. O prognóstico depende sobretudo do grau de desenvolvimento intelectual e das competências sociais.

Qual o tratamento?

O grande objetivo da intervenção terapêutica é a promoção da interação social. A dificuldade em aceitar regras rígidas pode ser uma dificuldade para estas crianças, portanto uma estratégia utilizada é intervenção de forma a deixá-los confortáveis com regras e rotinas. As intervenções específicas que podem ser fornecidas incluem estratégias de comunicação e linguagem e treino de habilidades sociais. Para jovens e adultos, as intervenções podem incluir treino de relaxamento, orientação e aconselhamento profissional.
Não existem psicofármacos para tratar as características essenciais da síndrome, focalizando-se estas no tratamento das co-morbilidades, nomeadamente défices de atenção ou perturbações do humor.

Referências:
Kaplan & Sadock - 11ª edição ISBN:9788582713785
Asperger Syndrome Author: James Robert Brasic, MD, MPH; Chief Editor: Caroly Pataki, MD, Medscape
Federação Portuguesa de Autismo

Dr. Miguel Silva Costa Dra Margarida Albuquerque e Dr. Pedro Cintra - Psiquatras Hospital de Cascais
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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