Aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses

Amamentação, como começar bem!

A OMS e a UNICEF recomendam o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade, e após o 6º mês de vida, o início gradual dos alimentos complementares, mantendo o aleitamento materno até aos 2 anos de idade ou mais. Portugal ainda está longe desta meta.

O declínio da amamentação foi uma consequência de várias alterações na história, nomeadamente na Industrialização, na emancipação da mulher, na promoção dos alimentos pré-lácteos, na grande guerra e consequentemente na perda da família alargada.

Após os anos 60 no Norte da Europa existiu um retorno lento à prática do aleitamento materno contudo mais evidente nas classes altas e com maior grau de escolaridade. Em Portugal a viragem ocorreu após os anos 80, em que constatou-se uma grande percentagem das mães (95%) a iniciarem a amamentação após o nascimento e em duas décadas a amamentação em exclusivo até aos 3 meses quase duplicou. Não obstante prevalecia um declínio rápido entre o 1º e o 3º mês de vida do bebé. Na base desta evolução estiveram as ações de promoção (Iniciativa Hospital Amigo dos Bebés) e as licenças parentais longas e flexíveis.

A OMS e a UNICEF recomendam o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade, e após o 6º mês de vida, o início gradual dos alimentos complementares, mantendo o aleitamento materno até aos 2 anos de idade ou mais. Apesar dos bons resultados, Portugal ainda está longe das metas definidas pela OMS.

Atualmente, com a perda de conhecimento e observação da prática de amamentar de geração em geração, aliado à pressão social, pressão familiar, à escassa informação credível e à falta de comunicação desencadeia na mulher sentimentos controversos como angustia, insegurança, ambivalência (quere mas não consegue) e solidão que originam o abandono ao aleitamento materno precocemente.

Com todos estes sentimentos de incertezas e sem apoio surge a questão em 90% das mulheres “será que o meu leite é fraco?” Amamentar pode ser de fato um processo exigente, afinal a amamentação não é instintiva, apesar de ser um ato inato. Se a mulher estiver recetiva a aprender as adversidades, a amamentação tem tudo para ser uma parte maravilhosa da experiência da maternidade.

Uma mulher bem informada é uma mulher que tem segurança para tomar decisões bem fundamentadas. O ponto de viragem e de sucesso da amamentação assenta em três princípios em que o Enfermeiro assume o papel principal e determinante no apoio à mãe/casal e bebé, nomeadamente:

- Na decisão de amamentar, sendo esta uma decisão pessoal, sujeita a diversas influências externas, baseada no conhecimento das vantagens da amamentação. O Enfermeiro nas consultas de enfermagem da grávida e na preparação para a parentalidade pode ter influência nesta decisão.

- No estabelecimento da lactação, na prática hospitalar, através da promoção da amamentação imediata após o parto com o contacto pele a pele e na envolvência da ligação parental do companheiro.

- No suporte da amamentação, através do apoio de profissionais de saúde competentes e disponíveis quer na visita domiciliária quer na consulta de apoio à amamentação.

Importa realçar que um bom começo leva a uma boa produção de leite materno, à diminuição de ocorrência de complicações, a um bebé saudável/satisfeito/feliz e a uma amamentação prolongada, que vai ao encontro das metas definidas pela OMS e UNICEF.

Fonte:
GALVÃO, Dulce Maria Pereira; Amamentação bem-sucedida: Alguns fatores determinantes; Lusociência, 2006.
LEVY, Leonor; Um acto de amor - tudo o que precisa de saber para amamentar o seu bebé com sucesso; A esfera dos livros, 2011

 

Cláudia Xavier (Especialista de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica)
Margarida Tomás (Especialista de Enfermagem de Saúde Comunitária)
Maria Rita Lopes (Especialista de Enfermagem de Saúde materna e Obstetrícia)
Enfermeiras da Clínica Lusíadas Almada
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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