Metade da população do planeta em risco de contrair a doença

Acabar de vez com a Malária!

Atualizado: 
28/11/2018 - 15:55
Comemorar o Dia Mundial da Malária pretende sensibilizar-nos para a importância de uma doença devastadora que afecta uma grande parte da humanidade. Contudo, a malária pode, com a nossa acção e o nosso esforço conjunto, ser prevenida, ser tratada e mesmo erradicada se partilharmos uma visão ambiciosa, mas realista, de um mundo sem malária.

O dia mundial pretende assim contribuir para eliminar a malária nos locais onde ela ainda existe, prevenir a sua reaparição em locais onde ela já foi eliminada e diminuir as taxas de mortalidade pela doença, reduzindo o número de pessoas em risco e tratando melhor as pessoas afectadas pela doença.

Mas o que é a Malária?

A malária e uma doença muito grave provocada por um grupo de parasitas do género Plasmodium que infectam alguns tipos de mosquitos e podem, através da picada destes insectos, ser transmitidos aos humanos, causando doença.

A forma mais grave é provocada pelo Plasmodium falciparum que pode rapidamente levar à morte e afectar múltiplos orgãos e sistemas.

A maior parte destes casos acontece em África.

Em Portugal os casos registados estão habitualmente associados a pessoas que viajam para destinos onde a doença é frequente, por exemplo alguns dos países africanos onde se fala português, ou a imigrantes vindos das regiões do mundo mais afectadas.

Qual a importância da malária no mundo?

De acordo com as estimativas da OMS, cerca de metade da população do planeta está em risco de contrair a doença, existindo cerca de 200 milhões de casos de malária por ano.  

O número de mortes está perto das 500 000 por ano, a esmagadora maioria em África.

A malária pode ocorrer em cerca de 100 países que envolvem, entre outras, regiões importantes de África, especialmente Subsaariana, regiões do sul e sudeste da Ásia, Oceânia / Pacífico Sul, Médio Oriente e partes significativas da América Central e do Sul.

A malária aproveita as condições de pobreza e a inexistêcia de sistemas de saúde consistentes para criar uma espiral negativa, de doença e de pobreza, que comprometem o desenvolvimento económico dos países onde é mais comum.


Dados OMS - zonas endémicas

Como se transmite a doença?

Qualquer pessoa pode ter malária desde que viva em países afectados pela doença ou viaje para esses locais.

A malária é habitualmente trasmitida através da picada de um mosquito, a fêmea do mosquito Anopheles, que tem uma certa predilecção por picar no período noturno, entre o pôr do sol e  o nascer do dia.

Como o parasita se instala nos glóbulos rubros das pessoas afectadas a doença pode também ser transmitida pelas transfusões de sangue, pela partilha de seringas, pela transplantação de orgãos ou mesmo ser transmitida aos bebés durante a gravidez ou durante o parto.

A malária não se transmite por via respiratória ou nos contactos sociais entre pessoas.

Quais são as pessoas com maior risco de doença e das suas complicações?

Os grupos de maior risco incluem os lactentes e as crianças com menos de 5 anos, as grávidas, os imunodeprimidos e as pessoas que regressam a locais com risco elevado de infeção após um período prolongado de ausência.

A complicação mais devastadora é a morte.

O facto de se utilizarem os meios disponíveis de proteção (repelentes, ar condicionado, redes mosquiteiras) ou de prevenção (como as “profilaxias medicamentosas”) diminuem significativamente o grau de risco.

A existência de meios de diagnóstico e de tratamento nos locais afetados são fatores que também diminuem o risco de complicações graves e / ou a possibilidade de morte.

Quais são os principais sintomas de doença?

Malária a grande simuladora!

Ao contrário do que todos gostaríamos que acontecesse não há nenhum sinal ou sintoma de doença que permita, de forma categórica, fazer o diagnóstico imediato de malária.

Para além disso a febre que classicamente se associa à malária pode não existir, ser variável ou ser apenas tardia.

Na verdade os sintomas que caracterizam a fase inicial da doença são comuns a muitas outras doenças e semelhantes aos que ocorrem, por exemplo,  numa gripe vulgar: mal estar geral, fadiga, dores musculares, cefaleias... Podem também estar presentes outros sintomas inespecíficos como a naúsea, vómitos ou diarreia.

Ignorar a doença nesta fase é perder a possibilidade de a controlar e abrir a porta a múltiplas complicações, que podem instalar-se de forma rápida e súbita.

Por isso há uma “regra de ouro” que obriga - ao contrário do que acontece em países sem malária - a valorizar de forma imediata qualquer sintoma ou alteração do estado de saúde e fazer o teste rápido de despiste da malária. Este teste deverá repetir-se, mesmo que o teste inicial seja negativo, se os sintomas se mantiverem ou agravarem.

A malária ou a suspeita de malária são uma emergência médica.

Quando aparecem os sintomas?

Os sintomas de malária aparecem depois de um período mínimo de “incubação” de 7 dias mas podem aparecer até anos depois da picada/infeção.

Deve manter-se um elevado índice de suspeição pelo menos nos primeiros 3 meses após a saída da zona de risco pois é neste período que os casos mais graves geralmente se manifestam.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico de malária pode ser feito através de testes rápidos que detetam a infeção ou da observação de uma “gota espessa” de sangue que permite, através do microscópio, a identificação direta dos parasitas, bem como quantificar a gravidade da infeção.

A malária é tratável? 

Sim, a malária é facilmente tratável se o diagnóstico for precoce e o tratamento for pronto e adequado. Os tratamentos tardios ou com fármacos / doses inadequados podem não evitar as complicações da doença ou prevenir a morte.

A malária pode também ser prevenida. Como fazer?

- Minimizar o contacto com os mosquitos e tomar precauções (roupa, uso de repelentes) que evitem as picadas, nomeadamente nos períodos de maior risco (durante a noite, do “por do sol” ao “nascer do dia”);

- Dormir em ambientes controladas, com ar condicionado ou redes mosquiteiras (de preferência impregnadas com inseticidas de longa duração)

- Efetuar a medicação preventiva que evita o aparecimento da doença;

- Utilizar inseticidas residuais nas habitações para reduzir o risco de transmissão da doença.

Ao contrário de outras doenças as vacinas não são ainda eficazes na prevenção da malária. O parasita que provoca a doença tem um ciclo de vida muito complexo, pelo que o nosso organismo tem dificuldade em montar uma resposta imunológica eficaz e duradoura. 

Dr. Filipe Basto - Medicina Interna Hospital Lusíadas Porto
Fonte: 
World Malaria Report 2016 - WHO
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
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