Um problema bem atual

Vamos prevenir a gravidez na adolescência!

Atualizado: 
03/07/2015 - 10:32
A gravidez na adolescência mantém-se um problema presente na sociedade atual, não existindo predefinições específicas que expliquem o porquê desta situação.

Podemos indicar como prováveis causas a necessidade urgente de o adolescente se afirmar na sociedade, o facto de não conhecer a sua fisiologia no que diz respeito à reprodução, a não utilização de contraceção por falta de informação, inconsciência ou medo de reprimendas por parte dos pais, ou o seu uso incorreto.

No entanto, temos também como fatores de risco que influenciam o início precoce da atividade sexual, que acarretam por sua vez gravidezes na adolescência, o abuso do álcool e de drogas ilícitas, a permissividade no que diz respeito a saídas com o grupo de pares, e o abandono escolar devido ao insucesso.

Mas no final de tudo, o que mais interessa é intervir e prevenir!

A gravidez na adolescência, por norma, não é um ato programado e pode desde logo intervir negativamente na vida da rapariga, provocando diversas consequências. O facto de se encontrar grávida vai mudar todas as suas rotinas, pode interferir com a continuidade dos seus estudos, pode refletir-se na dificuldade em arranjar emprego, e pode criar conflitos com os seus familiares e amigos.

Consequências físicas e psicológicas
A grávida adolescente não se encontra psicologicamente preparada para uma tão grande responsabilidade, o que lhe pode trazer sentimentos de medo, de insegurança ou depressivos.

Quando analisada a situação já com uma gravidez instalada temos também que ter em conta as suas consequências para a mãe e para o bebé. Uma gravidez na adolescência pode trazer consequências à gestante, e entre elas podem encontrar-se:

  • alterações hematológicas;
  • tensão arterial elevada durante a gravidez;
  • sistema emocional descontrolado;
  • dificuldade no trabalho de parto, sendo provável a necessidade de uma cesariana (intervenção cirúrgica) devido às condições físicas e psicológicas da grávida.

No que diz respeito à criança que irá nascer, deve ter-se em conta que:

  • o recém-nascido pode nascer com baixo peso;
  • poderão existir dificuldades na vinculação afetiva;
  • poderão surgir maus tratos e negligência;
  • poderão surgir problemas comportamentais.

Como tal, existe uma necessidade efetiva de implementação de métodos para a prevenção desta situação, entre eles:

  • Criar um ambiente familiar de confiança mútua;
  • Difundir a informação sobre as consultas de planeamento familiar nos cuidados de saúde primários;
  • Informar sobre contracepção, e como se usam corretamente os contracetivos;
  • Esclarecer todas as dúvidas relativamente à sexualidade, em especial a maneira como se engravida;
  • Evitar desvalorizar o conceito de vida sexual às crianças, não fazer deste assunto, em casa, um tema tabu;
  • Desmistificar ideias incutidas pelos grupos de pares;
  • Incutir no adolescente que tudo na sua vida tem um tempo certo para acontecer, em especial o início da sua atividade sexual;

Contracetivos à disposição nas unidades de cuidados de saúde primários
Existem no mercado vários métodos contracetivos, disponíveis nas Unidades de Saúde dos Cuidados de Saúde Primários, entre eles, a pílula, o anel vaginal, o implante, os sistemas intrauterinos, os adesivos contracetivos e o preservativo.

Qualquer um dos métodos se pode adaptar a uma adolescente, no entanto esta deve procurar a sua equipa de saúde para se poder aconselhar e usar o método mais adequado à situação. É de valorizar nestas informações que os métodos naturais, como o coito interrompido, a avaliação do muco cervical, a avaliação da temperatura basal e o calendário, não são de todo métodos seguros para adolescentes, pelo que não devem ser utilizados para prevenir gravidezes.

A pílula do dia seguinte, utilizada até 72 horas após a relação sexual, e a interrupção voluntária da gravidez, até às 10 semanas de gestação, são situações que também poderão ser utilizadas, mas nunca como métodos de contraceção. Ambas as situações provocam alterações no organismo da mulher, pelo que deverão ser utilizadas só como último recurso para resolução da situação, por exemplo se houver rompimento do preservativo ou em caso de abuso sexual, e nunca como prevenção.

Se, mesmo assim, a gravidez acontecer, temos que ter em conta que a grávida ainda é uma criança, e que precisa de um apoio multidisciplinar efetivo. Necessita de uma vigilância pré-natal apertada, um acompanhamento terapêutico e psicológico incisivo, e muito apoio dos seus pais e dos seus amigos e da sua equipa de saúde.

Ajuda disponível na Unidade de Saúde
Qualquer esclarecimento ou informação a adolescente pode dirigir-se à sua Unidade de Saúde e falar com o seu enfermeiro de família e com o seu médico de família, ou consultar a informação disponível nos seguintes sites:

Existem dados nacionais que indicam que a contracepção hormonal em associação com o preservativo tem vindo a aumentar, o que faz com que se depreenda que a consciencialização para a prevenção da gravidez e para a prevenção das Infeções Sexualmente Transmissíveis tem vindo a aumentar. Denota-se também que o número de grávidas adolescentes tem diminuído de uma forma gradual, assim como a interrupção da gravidez nessas idades.

Referências bibliográficas:
- Avery L., Lazdane G. What do we know about sexual and reproductive health of adolescents in Europe? Eur J Contracept Health Care. 2010 Dec: 15 Suppl2:S54-66
- Position paper on mainstreaming adolescent pregnancy in efforts to make pregnancy safer. Geneva, World Health Organization, 2010
- 4º Inquérito Nacional de Saúde 2005-2006. Instituto Nacional de Estatística
- Consenso sobre contracepção 2011. Disponível em http://www.spdc.pt


Ângela Quinteiro
Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria, a exercer funções na USF Viriato

Autor: 
Ângela Quinteiro - Enfermeira Especialista na USF Viriato Viseu
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.