Quase três milhões de portugueses vive com desconforto intestinal persistente

Entre as pessoas com problemas intestinais persistentes, 63% lidam com sintomas pelo menos uma vez por semana e 38% já recorreram à urgência hospitalar devido a crises intestinais. A maioria convive com este problema desde muito cedo: em 45% dos casos os primeiros sintomas surgem antes dos 25 anos, e em 30% aparecem ainda na infância ou adolescência.
A pesquisa confirma que o problema não se esgota no desconforto físico. Nas situações de crise, 72% das pessoas sentem que perdem o controlo do corpo ou do estado emocional. Surgem com frequência sintomas de ansiedade, irritação, frustração e desânimo. Quando avaliam o impacto na vida diária, muitos referem efeitos negativos no humor, na autoestima, na relação com a comida, na motivação para fazer planos, no sono, na vida social, no trabalho e na vida amorosa. Para 37% dos Inquiridos, o problema intestinal surge associado a outras doenças, como ansiedade e depressão, doenças endócrinas, respiratórias, hipertensão ou obesidade.
Apesar da intensidade dos sintomas, a ida ao médico costuma acontecer tarde. Entre quem reconhece ter um problema intestinal e decide procurar ajuda, 31% espera mais de um ano antes da primeira consulta, e 12% adia essa decisão mais de cinco anos. As razões mais citadas são a sensação de que não existe risco grave associado ao desconforto e, por isso, acabam por se habituar. Mesmo entre quem procura ajuda especializada, quase metade continua sem resposta clara: dos doentes que entram no sistema de saúde, apenas 52% obtêm um diagnóstico e 44% dos que chegam a esse diagnóstico consideram o caminho difícil ou muito difícil, muitas vezes marcado por exames sucessivos e episódios de desvalorização das queixas.
Intestino e saúde mental: uma relação ainda pouco explorada
A relação entre intestino e saúde mental surge com particular destaque. Quase metade dos inquiridos aponta stress ou ansiedade prolongados como possível origem do problema intestinal e muitos associam fases de maior instabilidade emocional a períodos de agravamento dos sintomas. A maioria reconhece que o estado psicológico influencia o intestino, mas ainda são poucos os que veem o intestino como fator que também pode influenciar o humor, a ansiedade ou a depressão.
