Especialista explica como reconhecer o período fértil

Quais os dias para engravidar?

Num ciclo menstrual de 28 dias, apenas seis correspondem à janela fértil. Saber identificá-los pode ser determinante para quem está a tentar engravidar, mas nem todas as formas habitualmente usadas para prever a ovulação são eficazes. A Dr.ª Sofia Costa, médica ginecologista-obstetra da Procriar, explica como reconhecer os sinais do corpo, quais os erros mais comuns e quando é altura de procurar ajuda médica.

“O período fértil é o dia de ovulação e os cinco dias anteriores”, explica a especialista. Esta janela resulta do facto dos espermatozoides poderem sobreviver cerca de três a cinco dias no aparelho reprodutor feminino, enquanto o ovócito permanece viável durante cerca de 24 horas. Assim, ter relações nos dias que antecedem à ovulação permite que os espermatozoides estejam presentes quando esta ocorre.

 

O corpo dá sinais da aproximação da ovulação

Uma das formas de identificar a fase fértil passa pela observação do corrimento vaginal. À medida que os níveis de estrogénio aumentam, este pode tornar-se mais transparente e mais elástico. “Sabemos que é um grande preditor que, em mais ou menos dois dias, há de vir a ovulação”, explica a Dr.ª Sofia Costa. Algumas mulheres podem também sentir pressão ou um ligeiro desconforto pélvico associado ao crescimento do folículo.

Para um casal sem problemas conhecidos de fertilidade, a recomendação é ter relações sexuais, pelo menos, em dias alternados durante a janela fértil.

A especialista alerta, contudo, para alguns erros frequentes na tentativa de identificar o período fértil. A subida da temperatura basal, por exemplo, acontece depois da ovulação, pelo que não é um bom indicador para decidir quando ter relações com o objetivo de engravidar.

Idade e estilo de vida também contam

Conhecer o período fértil é importante, mas não é o único fator que influencia a probabilidade de gravidez. A idade tem um impacto significativo na fertilidade feminina, quer pela redução da quantidade de ovócitos, quer pela diminuição da sua qualidade. “As mulheres atingem o pico de fertilidade entre os 20 e os 30 anos”, refere a especialista, acrescentando que o impacto da idade se torna mais evidente a partir dos 35 anos e ainda mais depois dos 40.

Também os hábitos de vida devem ser considerados. “Sabemos que o tabagismo afeta muito a nossa fertilidade, quer masculina quer feminina”, alerta a Dr.ª Sofia Costa. A adoção de um estilo de vida saudável, com exercício físico regular, alimentação equilibrada e atenção ao peso, é igualmente importante. Uma consulta de preconceção pode ajudar também a avaliar o estado geral de saúde, rever medicação e orientar a preparação para uma gravidez.

Quando procurar ajuda?

Nem sempre é necessário esperar um ano para procurar avaliação. Em mulheres com menos de 35 anos, recomenda-se procurar ajuda médica após 12 meses de relações sexuais regulares sem gravidez. A partir dos 35 anos, esse período é reduzido para seis meses. A avaliação deve ser antecipada quando existem fatores que possam comprometer a fertilidade, como ciclos irregulares ou ausência de ovulação, endometriose ou determinados antecedentes médicos.

Para a especialista, conhecer a fertilidade deve ser uma forma de ganhar informação e não de transformar a relação do casal numa obrigação. “A sexualidade também é muito mais do que só reprodutiva, por isso é importante manter uma sexualidade saudável e sem estar restringida ao período fértil”, sublinha, alertando para a ansiedade que pode surgir quando toda a vida sexual fica limitada à janela fértil.

 

Fonte: 
Guesswhat
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.