Dia Mundial da Saúde

Portugueses valorizam a visão, mas continuam a adiar cuidados essenciais

Estudo revela que quase metade teme perder autonomia no dia a dia, mas apenas uma minoria faz acompanhamento regular da visão

No âmbito do Dia Mundial da Saúde, a Optivisão, divulga um estudo que traça um retrato claro dos hábitos e preocupações dos portugueses em relação à saúde visual. Inquérito revela um paradoxo: a visão é considerada o sentido mais importante no dia-a-dia, mas os cuidados continuam a ser frequentemente adiados, com apenas 9% a realizar consultas mais de uma vez por ano.

Apesar de 69% dos portugueses afirmarem cuidar da sua visão por motivos de prevenção e saúde, os dados mostram uma discrepância significativa entre intenção e prática. Apenas 9% realiza exames ou check-ups com regularidade (mais do que uma vez por ano), sendo que a maioria mantém uma frequência insuficiente para garantir um acompanhamento adequado. Ainda assim, 37% refere consultar um profissional de saúde visual uma vez por ano.

Sintomas como dificuldade em ver ao perto ou ao longe (36%), sensibilidade à luz (30%) e dores de cabeça (28%) são os mais frequentes e refletem sinais de alerta que, muitas vezes, são desvalorizados ou associados ao cansaço do dia-a-dia e não se traduzem numa ida atempada ao especialista.

Segundo Nelva de Luísa David Sixpene, optometrista da Optivisão, “é muito comum ouvirmos pacientes dizerem que ‘veem bem’, quando na realidade já existe esforço visual, fadiga ou pequenas alterações que passam despercebidas. A visão muda de forma progressiva e silenciosa, e só uma avaliação clínica consegue identificar essas variações e corrigi-las atempadamente. Com o recurso a tecnologia cada vez mais precisa, é hoje possível detetar alterações mínimas — até à milésima de dioptria —, que podem ter um impacto significativo no conforto visual.”

Num contexto marcado pelo uso intensivo de ecrãs, os olhos são cada vez mais expostos a um esforço contínuo. “Computadores, smartphones e tablets fazem parte do quotidiano, contribuindo para sintomas como fadiga visual, visão turva, secura ocular e cefaleias.  Muitas destas queixas são frequentemente atribuídas ao stress ou ao ritmo acelerado do dia-a-dia, mas, na realidade, estão muitas vezes associadas a necessidades visuais não totalmente corrigidas ou a alterações funcionais que só uma avaliação clínica detalhada consegue identificar”, Nelva acrescenta.

Quando confrontados com a possibilidade de perda de visão, 49% dos inquiridos apontam a perda de autonomia como a sua principal preocupação, o que reforça a ideia de que a saúde visual está diretamente ligada à independência, qualidade de vida e bem-estar.

Na hora de marcar uma consulta, os portugueses valorizam sobretudo a confiança e a continuidade do acompanhamento, com 38% dos inquiridos a destacar a importância de ser seguido pelo mesmo profissional. Este fator reflete a necessidade de uma relação próxima, consistente e personalizada, fundamental para uma abordagem eficaz à saúde visual.

Atualmente, 42% dos portugueses realiza o seu check-up visual com optometristas em óticas, evidenciando o papel crescente destes profissionais não só na correção visual, mas também na deteção precoce, acompanhamento clínico e promoção da literacia em saúde visual. O estudo, que pretende apelar à sensibilização, também revela que mais de metade dos portugueses (65%) utiliza óculos graduados.

No momento de adquirir novos óculos, o preço continua a ser o principal fator de decisão (79%), seguido do aconselhamento técnico (54%) e da confiança na ótica (50%). Ainda assim, quando questionados sobre o que define uma ótica de confiança, 56% aponta a competência técnica dos profissionais como o critério mais relevante, um indicador de que a dimensão clínica é determinante na perceção de qualidade, mesmo quando não é o principal fator de decisão.

Apesar de todas as faixas etárias reconhecerem a importância de realizar exames regulares à visão, persistem lacunas no comportamento: 11% dos inquiridos entre os 35 e os 44 anos nunca realizou um exame visual, e entre os 55 e os 64 anos prevalece a realização de exames ou consultas de optometria e/ou oftalmologia a cada dois ou três anos. Por outro lado, os mais jovens, entre os 18 e os 24 anos, demonstram maior consciência sobre o tema, sendo a única faixa etária que não seleciona a opção “não costumo pensar nisso” como resposta.

Para a optometrista, a chave está na criação de rotinas: “Tal como cuidamos da saúde oral ou cardiovascular, também a visão deve ser acompanhada regularmente. Mesmo sem sintomas, recomenda-se uma avaliação a cada dois anos, ou anualmente no caso de quem já utiliza correção visual.”, refere a especialista.

Quando questionados sobre melhorias no acompanhamento da sua visão, 33% dos portugueses aponta a necessidade de um acompanhamento técnico mais personalizado, uma expectativa que acompanha a evolução do setor para um modelo mais próximo e centrado no paciente.

Neste contexto, a promoção da literacia em saúde visual assume um papel determinante. Reconhecer sintomas, adotar boas práticas no uso de ecrãs e realizar consultas regulares são passos essenciais para prevenir problemas e garantir uma melhor qualidade de vida.

 

Fonte: 
GCI Media
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.