Investigadora portuguesa lidera estudo internacional que revela como o sistema imunitário identifica células tumorais

A investigação mostra que estas alterações funcionam como sinais do cancro. A proteína MGL, essencial no reconhecimento imunológico, reage de forma diferente dependendo da sua organização: isolada, liga-se a um tipo específico de açúcar, mas na célula consegue identificar vários tipos, funcionando como um verdadeiro “detetor universal” de células tumorais.
O estudo combina abordagens químicas, estruturais e celulares para analisar a interação entre MGL e glicanos tumorais, revelando que a organização celular da proteína e a apresentação dos açúcares na superfície celular são decisivas para o reconhecimento pelo sistema imunitário. Os resultados oferecem novas pistas para a deteção precoce do cancro e para o desenvolvimento de terapias mais precisas.
“Descobrimos que não é apenas o tipo de açúcar que importa, mas também a forma como o recetor imunitário está organizado na célula. Esta perceção pode transformar a forma como desenhamos moléculas para modular a resposta imunitária ou direcionar medicamentos às células tumorais”, explica Filipa Marcelo, investigadora da NOVA FCT.
A investigação envolveu cientistas de Portugal (NOVA FCT, i3S), Dinamarca (Copenhagen Center for Glycomics), Espanha (CIC bioGUNE, IUQR), Países Baixos (Amsterdam UMC) e Suécia (Umeå University).
O estudo pode ser consultado na íntegra neste link: https://doi.org/10.1021/jacsau.5c00905
