Por que razão é importante o acompanhamento psicológico durante a juventude?

O início da universidade, a entrada no mercado de trabalho ou os primeiros passos rumo a uma vida independente concentram mudanças importantes num curto espaço de tempo. No entanto, apesar de passar por momentos de incerteza fazer parte destas fases, manter durante semanas um mal-estar que perturba o sono ou as relações pessoais requer atenção.
A nível do Ensino Superior em Portugal, um estudo intitulado “Ecossistemas de Aprendizagem Saudáveis nas Instituições de Ensino Superior em Portugal”, elaborado pelo Observatório dos Ambientes de Aprendizagem Saudáveis e Participação Juvenil, revela dados preocupantes sobre os hábitos dos estudantes. O relatório aponta que 65% dos estudantes sentem uma pressão constante relacionada com a gestão do tempo e a carga de estudos, quase metade admite não ter bons hábitos alimentares e mais de 70% não têm bons hábitos de sono.
Neste contexto, o acompanhamento psicológico contribui para que a intervenção não comece apenas quando a situação já se torna difícil de suportar. “Por vezes, esperamos encontrar um jovem completamente bloqueado para percebermos que precisa de ajuda, mas nem sempre é assim. Há pessoas que continuam a ter boas notas, a trabalhar ou a fazer planos, embora sintam que tudo lhes custa muito mais do que antes”, adverte Jorge Buenavida, psicólogo de Blua de Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora Bupa.
Na verdade, um dos obstáculos para pedir ajuda surge quando certas mudanças se vão integrando gradualmente na rotina. Dormir mal é atribuído aos estudos, a irritabilidade ao stress ou o facto de deixar de fazer certos planos a uma fase em que se tem menos vontade de socializar. Isoladamente, estas situações podem ocorrer em momentos específicos, mas convém prestar-lhes maior atenção quando afetam claramente o bem-estar e a atividade habitual.
Nestes casos, contar com apoio é fundamental para acompanhar a evolução com uma perspetiva mais ampla. Acompanhar, no entanto, não significa vigiar constantemente nem resolver cada dificuldade em nome da outra pessoa.
“Acompanhar bem implica também saber dar espaço. Um jovem precisa de sentir que pode contar o que lhe acontece sem que lhe façam perguntas imediatamente ou lhe dêem uma solução. É preciso estar disponível, ouvir e perguntar do que ele precisa naquele momento, mas nem todos os dias maus devem ser motivo de alarme”, acrescenta Jorge Buenavida.
Perante esta situação, os especialistas da Sanitas recordam algumas orientações para cuidar da saúde emocional durante esta fase:
Respeitar a autonomia durante o processo. Sempre que a situação o permitir, envolver o jovem nas decisões relacionadas com a procura de ajuda contribui para que o acompanhamento seja visto como um apoio e não como uma imposição.
Falar antes de atingir o limite. Esperar que uma situação se torne insuportável complica a sua gestão. Por esse motivo, é aconselhável procurar orientação assim que as dificuldades começarem a surgir, para avaliar o problema com maior margem de manobra.
Não fazer dos amigos ou familiares o único recurso. A rede de apoio próxima desempenha um papel fundamental, embora algumas situações exijam uma avaliação profissional que permita compreender melhor o que está a acontecer.
Dar continuidade ao acompanhamento quando tal for indicado. É importante comparecer às consultas marcadas para avaliar a evolução e, se necessário, ajustar as estratégias utilizadas. Neste sentido, a videoconsulta é muito útil quando os horários, os estudos ou a distância impedem a presença física.
Por último, vale a pena referir que a Sanitas dispõe do “Cuida da tua mente”, um serviço digital orientado para o cuidado e a promoção da saúde mental e emocional. Graças à aplicação, é possível realizar uma avaliação psicológica online que serve como ponto de partida para personalizar a experiência, avaliar o estado emocional e determinar se é necessária uma intervenção profissional. Além disso, se o utilizador necessitar de cuidados profissionais, a ferramenta permite um acompanhamento personalizado supervisionado por um psicólogo.
