Alargamento da vacina contra o HPV até aos 26 anos em Portugal

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) manifesta a sua satisfação pela recente decisão do Ministério da Saúde e da Direção-Geral da Saúde (DGS) de alargar a vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) até aos 26 anos em Portugal. Esta medida, recentemente oficializada, constitui um avanço significativo nas estratégias de prevenção primária do cancro, alinhado com os objetivos nacionais e internacionais de controlo e eliminação das doenças associadas ao HPV.
"A decisão de alargar a vacinação contra o HPV até aos 26 anos, baseada em evidência científica sólida, é um passo extremamente relevante para conseguirmos proteger mais pessoas numa fase decisiva da vida" afirma o Vítor Veloso, Presidente da LPCC, acrescentando: "Congratulamo-nos com a coragem e a visão do Ministério da Saúde e da DGS em adotar esta medida que trará benefícios incalculáveis para a prevenção do cancro. Contudo, é fundamental recordar que, apesar deste passo gigante, ainda há um caminho a percorrer pela eliminação dos cancros causados pelo HPV em Portugal. A nossa missão continua e exige um esforço contínuo de sensibilização, elevada adesão à vacinação e a manutenção dos programas de rastreio para que possamos, de facto, erradicar esta doença."
Desde a introdução da vacina em Portugal, a LPCC tem sido uma voz ativa e pioneira na consciencialização e defesa do alargamento do PNV. A associação defende que o acesso generalizado à vacina é essencial para proteger a saúde de mais gerações e para concretizar o ambicioso objetivo da eliminação dos cancros relacionados com o HPV.
“A eliminação dos cancros associados ao HPV exige uma abordagem continuada e abrangente ao longo do ciclo de vida, sendo que não nos podemos esquecer do caminho que ainda falta percorrer. É fundamental continuar a refletir sobre as estratégias que permitam alargar a vacinação a outras faixas etárias, como entre os 30 e os 50 anos, mas também aos grupos da população particularmente vulneráveis”, frisa o presidente da LPCC.
A LPCC sublinha que a vacinação contra o HPV deve ser encarada como parte de uma visão integrada da prevenção do cancro, que inclua não apenas uma elevada cobertura vacinal, mas também a continuidade e adesão aos programas de rastreio e o reforço da literacia em saúde junto da população. Só através da articulação destas dimensões será possível maximizar o impacto das estratégias preventivas, reduzir desigualdades no acesso e assegurar ganhos sustentados em saúde ao longo da vida.
A associação reafirma assim o seu compromisso em continuar a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades de saúde, profissionais e sociedade civil, de forma a garantir que este progresso se traduz em acesso efetivo à prevenção para todos, ao longo do ciclo de vida, contribuindo de forma sustentada para a eliminação das doenças e dos cancros associados ao HPV em Portugal.
O HPV é um vírus comum, transmitido por contacto sexual – genital ou oral – com o qual 75 a 80% das pessoas têm contacto em alguma altura das suas vidas.1 Embora muitas vezes eliminado naturalmente pelo organismo, pode persistir e levar ao desenvolvimento de doenças como verrugas genitais e diversos cancros.2 É responsável por cerca de 100% dos cancros do colo do útero, 99% dos condilomas genitais, 84% dos cancros do ânus e percentagens significativas de cancros da orofaringe, vagina, vulva e pénis 3, totalizando 5% dos cancros no geral e 10% dos cancros na mulher. 1
Referências:
- https://ron.min-saude.pt/media/2245/ron-2022_v2.pdf
- https://www.europeancancer.org/content/the-impact-of-hpv.html
- https://www.hpv.pt/
