Só um em cada dez tem diagnóstico médico

Quase três milhões de portugueses vive com desconforto intestinal persistente

45% dos portugueses entre os 18 e os 65 anos sente desconforto intestinal persistente – com sintomas como prisão de ventre, diarreia, cólicas, inchaço ou gases – e apenas 11% (cerca de um em cada dez) tem um diagnóstico médico para a doença ou condição intestinal que o afeta. Os dados são do estudo “A Saúde Intestinal dos Portugueses – Um território por explorar”, do Projeto Saúdes da Médis, marca do Grupo Ageas Portugal, e desenvolvido pela Return on Ideas, que acabam de ser divulgados na conferência “Uma Viagem ao Centro de Nós”, na Praça do Beato, em Lisboa.

Entre as pessoas com problemas intestinais persistentes, 63% lidam com sintomas pelo menos uma vez por semana e 38% já recorreram à urgência hospitalar devido a crises intestinais. A maioria convive com este problema desde muito cedo: em 45% dos casos os primeiros sintomas surgem antes dos 25 anos, e em 30% aparecem ainda na infância ou adolescência.

A pesquisa confirma que o problema não se esgota no desconforto físico. Nas situações de crise, 72% das pessoas sentem que perdem o controlo do corpo ou do estado emocional. Surgem com frequência sintomas de ansiedade, irritação, frustração e desânimo. Quando avaliam o impacto na vida diária, muitos referem efeitos negativos no humor, na autoestima, na relação com a comida, na motivação para fazer planos, no sono, na vida social, no trabalho e na vida amorosa. Para 37% dos Inquiridos, o problema intestinal surge associado a outras doenças, como ansiedade e depressão, doenças endócrinas, respiratórias, hipertensão ou obesidade.

Apesar da intensidade dos sintomas, a ida ao médico costuma acontecer tarde. Entre quem reconhece ter um problema intestinal e decide procurar ajuda, 31% espera mais de um ano antes da primeira consulta, e 12% adia essa decisão mais de cinco anos. As razões mais citadas são a sensação de que não existe risco grave associado ao desconforto e, por isso, acabam por se habituar. Mesmo entre quem procura ajuda especializada, quase metade continua sem resposta clara: dos doentes que entram no sistema de saúde, apenas 52% obtêm um diagnóstico e 44% dos que chegam a esse diagnóstico consideram o caminho difícil ou muito difícil, muitas vezes marcado por exames sucessivos e episódios de desvalorização das queixas.

 

Intestino e saúde mental: uma relação ainda pouco explorada 

A relação entre intestino e saúde mental surge com particular destaque. Quase metade dos inquiridos aponta stress ou ansiedade prolongados como possível origem do problema intestinal e muitos associam fases de maior instabilidade emocional a períodos de agravamento dos sintomas. A maioria reconhece que o estado psicológico influencia o intestino, mas ainda são poucos os que veem o intestino como fator que também pode influenciar o humor, a ansiedade ou a depressão. 

 

Fonte: 
Burson
Nota: 
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