Estudo

Cuidadores informais foram cruciais para o SNS na pandemia

Estudo da UMinho mostra que redes familiares e comunitárias ajudaram a sustentar o serviço de saúde no período da covid-19.

Um estudo da Universidade do Minho revela que os cuidadores informais tiveram um papel decisivo na resposta do sistema de saúde português durante a pandemia de covid-19. Estes cuidadores assumiram funções usualmente ligadas a profissionais de saúde, como vigilância clínica, acompanhamento terapêutico e apoio domiciliário, que garantiram cuidados contínuos numa fase de contacto presencial limitado.

“Apesar da sobrecarga física, emocional e social, estes cuidadores revelaram uma extraordinária capacidade de adaptação, aprendizagem e reorganização das rotinas, ajudando ainda a retirar pressão nos cuidados de saúde primários e hospitalares durante a crise sanitária”, afirma Simão Machado, que elaborou este estudo no âmbito da sua dissertação de mestrado em Gestão de Unidades de Saúde. “O SNS [Serviço Nacional de Saúde] sustentou-se naquele período, em larga medida, na resiliência partilhada entre serviços formais e redes familiares e comunitárias”, acrescenta.

O seu trabalho, intitulado “Para além da covid-19: que papel tiveram os cuidadores informais na resiliência do sistema de saúde português?”, partiu de um conjunto de entrevistas neste âmbito e teve a orientação do professor Marco Paschoalotto, na Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da UMinho (EEG). O relatório identifica também fragilidades dos cuidadores no apoio institucional, como falta de formação estruturada, de acompanhamento adequado e de reconhecimento efetivo nas políticas públicas.

“Investir no apoio e na integração dos cuidadores informais no ecossistema português de cuidados poderá reforçar a sustentabilidade, equidade e capacidade de resposta perante futuras crises”, diz Simão Machado, que tem 31 anos e vive na Maia. O investigador defende que estes cuidadores “sejam parceiros estratégicos, não por exigência ética, mas pela sustentabilidade e inovação organizacional”. Para isso, devem ser reforçados ao nível do reconhecimento formal, da formação certificada, do apoio sociopsicológico, das redes de comunicação com outros profissionais e da sua integração em mecanismos de governação local e regional.

A covid-19 teve os primeiros casos identificados na China em 2019, sendo declarada pandemia pela Organização Mundial de Saúde entre março de 2020 e maio de 2023. Esta crise sanitária registou mais de 770 milhões de casos e cerca de sete milhões de mortes em todo o mundo. Em Portugal, ultrapassou os 5.5 milhões de infeções e as 26 mil mortes, exercendo forte pressão sobre os sistemas de saúde e com consequências sociais e económicas.

 

Fonte: 
Universidade do Minho (UMinho)
Nota: 
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