Doença atinge 10% das mulheres em idade reprodutiva

Tenho endometriose. E agora?

Dor menstrual intensa e incapacitante, desconforto na bexiga ou dor nas relações sexuais são os principais sintomas da endometriose, uma doença ginecológica de natureza progressiva, e sem cura, considerada uma das maiores causas da infertilidade feminina. Patrícia Mesquita recebeu este diagnóstico aos 30 anos. “No início, o pânico fez com que ficasse com a ideia que seria impossível engravidar”, recorda.

De causa desconhecida, embora se admita que fatores genéticos, hormonais, imunológicos ou ambientais possam estar na sua origem, a Endometriose é uma condição clínica crónica que atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. E, apesar de se estimar que em 80% dos casos o principal sintoma é a dor intensa, esta patologia pode ser assintomática.

“A endometriose é uma doença crónica, benigna, que se caracteriza pelo crescimento de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora do seu local habitual que é a cavidade uterina. Este focos vão colonizar a cavidade abdominal e também os órgãos vizinhos”, começa por explicar Fátima Faustino, ginecologista, coordenadora da Unidade Integrada de Endometriose do Hospital Lusíadas Lisboa.

De acordo com a especialista, “sempre que ocorre a menstruação existe sagramento nestas zonas, o que vai provocar uma reação inflamatória crónica”, que pode produzir aderência nos órgãos e o crescimento de tumores que “apesar de benignos, trazem grande transtorno como dor”, conduzindo em muitos casos à infertilidade.

Patrícia Mesquita descobriu “por acaso” que sofria da patologia. Apesar de não apresentar qualquer sintoma que “necessitasse de pesquisa ou identificação”, a doença já se encontrava numa fase avançada, sendo caraterizada como uma endometriose profunda. Tinha 30 anos.

“Existem vários tipos de endometriose”, esclarece a especialista que a classifica enquanto “endometriose superficial ou peritoneal, caracterizada por lesões disseminadas na superfície (peritoneu) do interior do abdómen, podendo atingir o diafragma”, endometriose ovárica com implantes na face externa dos ovários que conduz à formação de quistos (também designados por endometriomas) e endometriose infiltrativa profunda. Sendo que nesta última,  “em que os implantes alcançam uma profundidade superior a 5 milímetros”, a doença pode envolver o septo recto-vaginal e espaço vesico-uterino, “atingindo órgãos pélvicos como o recto, vagina, cólon sigmoide, uréteres, bexiga e nervos superficiais e profundos”. Órgãos mais distantes como o apêndice, diafragma e pulmão, também podem vir a ser afetados.  

Na sua forma mais grave, quando apresenta “infiltração dos órgãos adjacentes, pode conduzir a obstrução/perfuração intestinal ou obstrução dos uréteres com consequente interferência no funcionamento dos rins”, prejudicando severamente a função renal.

Pneumotorax ou derrame pleural são as consequências mais graves da doença, quando esta envolve o pulmão. No entanto, tal como descreve Fátima Faustino, estes são casos muito raros. 

No caso de Patrícia Mesquita, a doença afeta apenas o sistema reprodutor - “paredes externas do útero, trompas e ovários”. No entanto, dada a sua localização envolve já todo o canal rectovaginal.

Cirurgia e medicação, as armas terapêuticas contra a endometriose

De acordo com a especialista, o tratamento da doença deve ser individualizado “tendo em conta a idade da doente, a extensão e gravidade da doença, o desejo de engravidar e a sintomatologia dolorosa”.

Não obstante, Fátima Faustino afirma que a maioria das mulheres beneficia do tratamento médico que proporciona um alívio da dor e controlo na progressão da doença.

“A variedade de fármacos usado no tratamento da endometriose divide-se em dois grupos: os específicos para o tratamento da doença e os que são usados off-label”, explica.

Na primeira categoria enquadra-se a hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH), o danazol. “Estes fármacos promovem a atrofia de lesões endometrióticas e induzem a amenorreia – ausência de menstruação – através de forte redução da produção de estrogéneo”, refere acrescentando que, no entanto, dado os seus efeitos adversos, estes não devem ser usados de forma prolongada.

“Outra classe terapêutica usada para tratar a endometriose são os progestativos e destes destaca-se o dienogest, o único progestativo investigado de forma sistematizada para o tratamento da endometriose”, explica admitindo que estes são a primeira escolha para o tratamento da doença, uma vez que apresentam uma grande eficácia na redução da dor e menos efeitos secundários.  

No âmbito da terapêutica, existem ainda outros fármacos não específicos para a patologia, como os anti-inflamatórios não esteróides ou contracetivos orais não combinados, que podem ter efeitos positivos no seu tratamento.  

Já a abordagem cirurgica está indicada para casos que associam dor pélvica intensa (apesar desta nem sempre ser proporcional à gravidade das lesões) e infertilidade.

“Os principais objetivos da cirurgia são a excisão das lesões e a reposição da anatomia pélvica, tendo em consideração que se tratam habitualmente de mulheres jovens que querem engravidar, pelo que teremos de optar por uma cirurgia que conserve a integridade do útero, ovários e trompas”, explica a ginecologista.

Deste modo, afirma que a abordadem deverá ser, sempre que possível, minimamente invasiva, ou seja, via laparoscópica.

“No meu caso, o alastramento da doença poderia induzir a uma cirurgia imediata, mas a ausência de sintomas faz com que seja, atualmente, mais prudente controlar a sua evolução com recurso a exames médicos. Quando isso deixar de ser possível, passaremos para a cirurgia”, revela Patrícia Mesquita.


"É importante dizer que embora a característica mais falada seja as fortes dores, muitas vezes a doença pode ser silenciosa, como foi no meu caso", realça Patrícia 

Complexidade da doença e falta de informação dificultam diagnóstico

“A endometriose sempre foi conhecida pelos ginecologistas como uma doença complexa”, afirma Fátima Faustino. No entanto, dado o seu impacto e o agravamento que tem vindo a registar nos últimos anos, considera que “só agora os médicos começam a estar mais sensibilizados para a gravidade e consequências da endometriose”.

Ouvir as doentes e observá-las com atenção é pois, na opinião desta especialista, fundamental uma vez que permite considerar a doença como hipótese de diagnóstico.

A ecografia pélvica com sonda vaginal e retal e a ressonância magnética nuclear são os exames complementares que permitem identificar a doença. “No entanto, um exame negativo não exclui a doença, porque o diagnóstico definitivo só é possível por laparoscopia, que nos permite a visualização e biópsia das lesões”, ressalva a médica.

Foi também uma explicação semelhante que Patrícia recebeu aquando o seu diagnóstico. “Foi-me explicado pelo técnico, e posteriormente pela minha ginecologista, que as ecografias ginecológicas com sonda poderiam não ser conclusivas e teria de fazer uma ressonância magnética”, recorda a jovem revelando que, nessa altura, teve esperança de não se tratar de endometriose. “Afinal, eu não tinha sintomas. Como poderia ter esta doença? Pensei que poderia ser outra coisa qualquer, mas confesso que nem sabia bem o quê”, acrescenta.

No entanto, o resultado do exame não deixaria margem para dúvidas. “Um conjunto de termos técnicos assustadores culminam na conclusão que se tratava de endometriose profunda, com um elevado processo de aderência das trompas e o comprometimento do canal rectovaginal, embora se mantenha a integridade dos intestinos”, revela.

Dado o estado avançado da doença, Patrícia pode apenas supor que já convive com a endometriose há vários anos. “O que significa que os médicos que me acompanharam até aos meus 30 anos não a conseguiram identificar”, afirma considerando que, para além de muitos especialistas não estarem sensibilizados para a gravidade desta doença, também falta informação aos técnicos que realizam os exames que “procuram outro tipo de lesão”.

“Infelizmente, é preciso sorte com os médicos que encontramos. E sorte é palavra que em saúde jamais deveria ser usada”, lamenta destacando a necessidade de entender que esta é uma doença muitas vezes silenciosa.

De acordo com Fátima Faustino, coordenadora da Unidade Integrada de Endometriose do Hospital Lusíadas de Lisboa, há ainda um longo caminho a percorrer quanto a esta matéria.

“Muito se tem feito, nos últimos anos, através de reuniões científicas nacionais e internacionais, e a Sociedade Portuguesa de Ginecologia tem tido um papel essencial na divulgação da doença à classe médica”, afiança destacando ainda o trabalho realizado pela MulherEndo, associação de apoio a doentes com esta patologia. Para além de ações de sensibilização e orientação das doentes, tem tentado chegar ao Governo na tentativa de “dar a esta doença o estatuto de doença crónica”. “Há um longo percurso a percorrer, mas penso que estamos no bom caminho”, afirma Fátima Faustino.

O diagnóstico de uma doença «é sempre assustador»

Perante o diagnóstico de uma doença crónica, seja ela progressiva ou não, muitos são os doentes que não são capazes de lidar sozinhos com a complexidade da sua situação.

A verdade é que, tal como explica a psicóloga Sílvia Botelho, “as doenças crónicas progressivas exigem uma adaptação psicológica e emocional significativa na vida das pessoas” e alguns doentes passam a ter uma visão muito negativa do seu futuro, antecipando que o “seu sofrimento ou dificuldades atuais, continuarão indefinidamente”.

“Quando recebemos um diagnóstico de uma doença é sempre assustador”, admite Patricía Mesquita que foi tomada de assalto por inúmeras dúvidas. “A questão da fertilidade, como a doença ia evoluir e condicionar a minha vida”, recorda assegurando, no entanto, que apesar de tudo nunca pensou em baixar os braços. “Eu quis saber logo tudo sobre a doença para a conseguir vencer”, afirma.

Stress e ansiedade são, na realidade, quadros bastante comuns a esta condição ginecológica crónica, que influencia e exerce um impacto direto na qualidade de vida conjugal, social, profissional “e até os planos futuros para a concepção”.

De acordo com a psicóloga, o diagnóstico e “todo o processo da doença “ podem ser vividos com grande sofrimento, não só físico (quando há sintomatologia associada) mas também psicológico.

No caso de endometriose, sabe-se que “muitas vezes o atraso no diagnóstico pode aumentar os riscos de transtornos depressivos ou outras alterações de humor que podem prejudicar a qualidade de vida da mulher”. É por isso que, na opinião desta especialista, a atenção dispensada às pacientes com endometriose deveria ser focada não apenas na doença “mas na mulher como um todo, tendo em vista os problemas emocionais, sexuais e sociais que causa nas pacientes”.

É, por isso, importante aprender novos comportamentos, novos hábitos e crenças. “Focar-se essencialmente na resolução de problemas e não tanto em alimentar o problema”, refere Sílvia Botelho.

Um diagnóstico de doença crónica pode ser avassalador sim! Mas é também, de acordo com a especialista, “o maior desafio da vida, que nos faz crescer, ganhar uma maior resistência”. Um desafio com “começo, meio e fim”, assegura.

E foi na resiliência que Patrícia Mesquita encontrou a sua maior aliada. Porque desistir nunca foi opção e talvez, por isso, deixe o apelo a outras mulheres: “não se habituem às dores considerando que se trata de algo normal. Quando algo dói no nosso corpo é sinal que ele não está bem. É a forma de ele nos pedir ajuda”.

A outras pacientes pede esperança. “Que os avanço na medicina nos tragam boas novas”.

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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Transact Lat, 40 mg, penso impregnado Flurbiprofeno Leia com atenção todo este folheto antes de começar a utilizar este medicamento, pois contém informação importante para si. Utilize este medicamento exatamente como está descrito neste folheto, ou de acordo com as indicações do seu médico ou farmacêutico. - Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente. - Caso precise de esclarecimentos ou conselhos, consulte o seu farmacêutico. - Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. - Se não se sentir melhor ou se piorar 5 dias, tem de consultar um médico. O que contém este folheto: 1. O que é Transact Lat e para que é utilizado 2. O que precisa de saber antes de utilizar Transact Lat 3. Como utilizar Transact Lat 4. Efeitos secundários possíveis 5. Como conservar Transact Lat 6. Conteúdo da embalagem e outras informações. 1. O que é Transact Lat e para que é utilizado Grupo farmacoterapêutico: 9.1.10 Aparelho locomotor. Anti-inflamatórios não esteroides. Anti-inflamatórios não esteroides para uso tópico. Indicações terapêuticas: TransAct LAT está indicado no tratamento sintomático das situações de inflamação musculoesquelética localizada de origem pós-traumática ou reumática, resultando em dores musculares ou das articulações, que podem ser de natureza aguda ou crónica. Transact Lat é um penso impregnado, o qual liberta de uma forma sustentada níveis de flurbiprofeno diretamente para a área afetada com uma absorção sistémica mínima. Se não se sentir melhor ou se piorar após 5 dias, tem de consultar um médico. 2. O que precisa de saber antes de utilizar Transact Lat Não utilize Transact Lat:- Se tem alergia (hipersensibilidade) ao flurbiprofeno ou a qualquer outro componente deste medicamento (indicados na secção 6). - Se tem hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico ou outros fármacos anti-inflamatórios não esteroides - Se sofre ou sofreu de: - Hemorragia gastrointestinal ou perfuração, relacionada com terapêutica anterior com AINE. - Colite ulcerosa, doença de Crohn, úlcera péptica recorrente ou hemorragia gastrointestinal (definida como dois ou mais episódios distintos de ulceração ou hemorragia comprovada). - Insuficiência cardíaca grave. - Terceiro trimestre de gravidez - Em peles feridas ou muito frágeis, nem em locais afetados por dermatoses ou infeção. Advertências e precauções Fale com o seu médico ou farmacêutico antes de utilizar Transact Lat. Na medida em que existe a possibilidade de absorção cutânea de Transact Lat, não é possível excluir a ocorrência de efeitos sistémicos. O risco de ocorrência destes efeitos depende, entre outros fatores, da superfície exposta, quantidade aplicada e tempo de exposição. Os efeitos indesejáveis podem ser minimizados utilizando a menor dose eficaz durante o menor período de tempo necessário para controlar os sintomas (ver secção “Como utilizar Transact Lat” e informação sobre os riscos GI (gastrointestinais) e cardiovasculares em seguida mencionados).Efeitos cardiovasculares e cerebrovasculares Têm sido notificados casos de retenção de líquidos e edema associados ao tratamento com AINE, pelo que os doentes com história de hipertensão arterial e/ou insuficiência cardíaca congestiva ligeira a moderada deverão ser adequadamente monitorizados e aconselhados. Os dados dos ensaios clínicos e epidemiológicos sugerem que a administração de alguns AINE (particularmente em doses elevadas e em tratamento de longa duração) poderá estar associada a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos arteriais (por exemplo enfarte do miocárdio ou AVC). Não existem dados suficientes para eliminar o risco de ocorrência destes efeitos aquando da utilização de flurbiprofeno. Os doentes com hipertensão arterial não controlada, insuficiência cardíaca congestiva, doença isquémica cardíaca estabelecida, doença arterial periférica, e/ou doença cerebrovascular apenas devem ser tratados com flurbiprofeno após cuidadosa avaliação. As mesmas precauções deverão ser tomadas antes de iniciar o tratamento de longa duração de doentes com fatores de risco cardiovascular (ex: hipertensão arterial, hiperlipidémia, diabetes mellitus e hábitos tabágicos). Os medicamentos tais como Transact Lat podem estar associados a um pequeno aumento do risco de ataque cardíaco (enfarte do miocárdio) ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). O risco é maior com doses mais elevadas e em tratamentos prolongados. Não deve ser excedida a dose recomendada nem o tempo de duração do tratamento. Se tem problemas cardíacos, sofreu um AVC ou pensa que pode estar em risco de vir a sofrer destas situações (por exemplo se tem pressão sanguínea elevada, diabetes, elevados níveis de colesterol ou se é fumador) deverá aconselhar-se sobre o tratamento com o seu médico ou farmacêutico. Hemorragia, ulceração e perfuração gastrointestinal Têm sido notificados com todos os AINE casos de hemorragia, ulceração e perfuração gastrointestinal potencialmente fatais, em várias fases do tratamento, associados ou não a sintomas de alerta ou história de eventos gastrointestinais graves. O risco de hemorragia, ulceração ou perfuração é maior com doses mais elevadas de flurbiprofeno, em doentes com história de úlcera péptica, especialmente se associada a hemorragia ou perfuração e em doentes idosos. Nestas situações os doentes devem ser instruídos no sentido de informar o seu médico assistente sobre a ocorrência de sintomas abdominais e de hemorragia digestiva, sobretudo nas fases iniciais do tratamento. Nestes doentes o tratamento deve ser iniciado com a menor dose eficaz. Em caso de hemorragia gastrointestinal ou ulceração em doentes a utilizar Transact Lat, o tratamento deve ser interrompido. Flurbiprofeno deve ser administrado com precaução em doentes com história de úlcera péptica e doença inflamatória do intestino (colite ulcerosa, doença de Crohn), uma vez que estas situações podem ser exacerbadas. Foi demonstrado que o flurbiprofeno administrado por via sistémica pode prolongar o tempo de hemorragia; Transact Lat deve ser usado com cuidado em doentes com tendência para hemorragias anormais. Tal como com outros AINE, flurbiprofeno pode inibir a agregação plaquetária e prolongar o tempo de hemorragia. Idosos Os idosos apresentam uma maior frequência de reações adversas com AINE, especialmente de hemorragias gastrointestinais e de perfurações que podem ser fatais. Transact Lat deve ser utilizado com precaução em doentes com história de asma não alérgica. Foram reportados casos de broncospasmo com o uso de flurbiprofeno em doentes com antecedentes de asma brônquica. Recomenda-se precaução especial quando o flurbiprofeno é utilizado por doentes com história de insuficiência cardíaca ou hipertensão uma vez que foram reportados edema e retenção de fluídos associados com a administração de flurbiprofeno. Flurbiprofeno deve ser administrado com precaução em doentes com insuficiência renal, cardíaca ou hepática. No início de tratamento, flurbiprofeno tal como outros AINE deve ser administrado com precaução em doentes com considerável desidratação. Na medida em que existe a possibilidade de absorção cutânea de Transact Lat, não é possível excluir a ocorrência de efeitos sistémicos. O risco de ocorrência destes efeitos depende, entre outros fatores, da superfície exposta, quantidade aplicada e tempo de exposição. Segurança Cutânea dos AINE: Têm sido muito raramente notificadas reações cutâneas graves, algumas das quais fatais, incluindo dermatite esfoliativa, síndroma de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, associadas a administração de AINE (ver secção 4. Efeitos secundários possíveis). Aparentemente o risco de ocorrência destas reações é maior no início do tratamento, sendo que na maioria dos casos estas reações se manifestam durante o primeiro mês de tratamento. Transact Lat deve ser interrompido aos primeiros sinais de rash, lesões mucosas ou outras manifestações de hipersensibilidade. Outros medicamentos e Transact Lat Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a utilizar, tiver utilizado recentemente, ou se vier a utilizar outros medicamentos. Desconhecem-se quaisquer interações medicamentosas com a utilização de Transact Lat. Por via sistémica, podem ocorrer possíveis interações com a digoxina, tolbutamina, ciclosporina, antiácidos, ácido acetilsalicílico e outros medicamentos contendo anti-inflamatórios não esteroides. Diuréticos, Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (IECA) e Antagonistas da Angiotensina II (AAII): Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) podem diminuir a eficácia dos diuréticos assim como de outros medicamentos antihipertensores. Nalguns doentes com função renal diminuída (ex: doentes desidratados ou idosos com comprometimento da função renal) a co-administração de um IECA ou AAII e agentes inibidores da cicloxigenase pode ter como consequência a progressão da deterioração da função renal, incluindo a possibilidade de insuficiência renal aguda, que é normalmente reversível. A ocorrência destas interações deverá ser tida em consideração em doentes a fazer a aplicação de flurbiprofeno, sobretudo se for em zonas extensas da pele e por tempo prolongado, em associação com IECA ou AAII. Consequentemente, esta associação medicamentosa deverá ser utilizada com precaução, sobretudo em doentes idosos. Os doentes devem ser adequadamente hidratados e deverá ser analisada a necessidade de monitorizar a função renal após o início da terapêutica concomitante, e periodicamente desde então. Glicósidos cardíacos: Os AINE podem exacerbar uma insuficiência cardíaca, reduzir a taxa de filtração glomerular e aumentar os níveis plasmáticos de glicósidos cardíacos. Anticoagulantes: os AINE podem aumentar os efeitos dos anticoagulantes, tais como a varfarina. Ácido acetilsalicílico: Tal como com outros medicamentos contendo AINE, a administração concomitante de flurbiprofeno com ácido acetilsalicílico não é recomendada devido a um potencial aumento de efeitos adversos. Agentes antiagregantes plaquetários e inibidores seletivos da recaptação da serotonina: aumento do risco de hemorragia gastrointestinal. Sais de lítio: Os AINE podem diminuir a depuração renal do lítio com resultante aumento dos níveis plasmáticos e toxicidade. Caso flurbiprofeno seja utilizado por um doente a fazer terapêutica com lítio, deve ser feita uma monitorização apertada dos níveis de lítio. Metotrexato: os AINE podem aumentar os níveis de metotrexato pelo que a administração concomitante de flurbiprofeno e metotrexato deve ser efetuada com precaução. Ciclosporina: A administração de AINE e ciclosporina apresenta um risco aumentado de nefrotoxicidade. Corticosteroides: Aumento do risco de ulceração ou hemorragia gastrointestinal. Inibidores seletivos da ciclooxigenase-2: A administração concomitante de flurbiprofeno com outros AINE, incluindo inibidores seletivos da ciclooxigenase-2, deve ser evitada, devido ao potencial efeito aditivo. Digoxina: Os AINE podem aumentar os níveis plasmáticos de digoxina. Antibióticos da classe das quinolonas: Dados em animais indicam que os AINE, em associação com antibióticos da classe das quinolonas, podem aumentar o risco de convulsões. Os doentes a tomar AINE e quinolonas podem apresentar um risco aumentado de desenvolver convulsões. Mifepristona: Não se deve tomar AINE durante 8-12 dias após a administração de mifepristona, uma vez que os AINE podem reduzir os efeitos da mifepristona. Gravidez e amamentação Se está grávida ou a amamentar, se pensa estar grávida ou planeia engravidar, consulte o seu médico ou farmacêutico antes de utilizar este medicamento. A segurança do Transact Lat durante a gravidez e o aleitamento não foram ainda estabelecidas. Os dados dos estudos epidemiológicos sugerem um aumento do risco de aborto espontâneo, de malformações cardíacas e de gastrosquise na sequência da utilização de um inibidor da síntese das prostaglandinas no início da gravidez. Deste modo, flurbiprofeno não deverá ser administrado durante o 1º e 2º trimestre de gravidez, a não ser que seja estritamente necessário. A administração de flurbiprofeno está contraindicada durante o terceiro trimestre de gravidez Não se recomenda a utilização de flurbiprofeno em mulheres a amamentar. Condução de veículos e utilização de máquinas Não se aplica. 3. Como utilizar Transact Lat Utilize este medicamento exatamente como está descrito neste folheto, ou de acordo com as indicações do seu médico ou farmacêutico. Fale com o seu médico ou farmacêutico se tiver dúvidas. Os efeitos indesejáveis podem ser minimizados utilizando a menor dose eficaz durante o menor período de tempo necessário para controlar os sintomas (ver “Advertências e Precauções”). O TransAct LAT é exclusivamente para uso externo. Recomenda-se a aplicação de um só penso impregnado, sobre a área afetada, devendo ser substituído de 12 em 12 horas. Crianças: Não é recomendado em crianças Idosos ou doentes com insuficiência renal: Apesar de flurbiprofeno ser bem tolerado pelos doentes idosos, alguns deles especialmente os que têm insuficiência renal, apresentam uma eliminação lenta dos anti-inflamatórios não esteroides, devendo nestes casos Transact Lat ser administrado com precaução. Modo e via de administração Uso cutâneo A pele sob a área músculo-esquelética afetada deve ser limpa antes da aplicação de Transact Lat. Remover o revestimento protetor do penso impregnado e aplicar o lado aderente sobre a pele. Quando se aplica o Transact Lat sobre uma articulação, como por exemplo o cotovelo e o joelho, deve ser colocado com a articulação um pouco fletida, podendo ser conveniente a utilização de uma ligadura ou manga (inclusa) sobre o penso impregnado. Modo de aplicação Passo 1 Lavar e secar cuidadosamente a zona afetada Passo 2 Retirar um penso impregnado da saqueta e fechá-la em seguida. Passo 3 Com as duas mãos segure o penso impregnado tal como indicado na figura e puxe ligeiramente para fora. O revestimento protetor solta-se a partir do meio do penso impregnado. Remover o revestimento protetor e aplicar a parte aderente diretamente sobre a pele. Passo 4 Aplicar a parte aderente diretamente sobre a zona afetada de forma uniforme evitando a formação de pregas. Logo após a aplicação pode ocorrer uma sensação de frio. Passo 5 Se a zona afetada for uma articulação, aplicar o penso impregnado com a articulação um pouco fletida Passo 6 Em caso de aplicação de Transact Lat sobre articulações móveis, como exemplo o cotovelo ou o joelho, é aconselhável o uso de uma ligadura ou manga (inclusa) Se utilizar mais Transact Lat do que deveria A ocorrência de sobredosagem é muito improvável dada a natureza desta formulação e a sua via de administração. Em caso de administração incorreta desta formulação, os sintomas de sobredosagem podem incluir dor abdominal, náuseas e vómitos. Não existe antídoto específico para flurbiprofeno. As medidas a tomar serão a lavagem gástrica e se necessário a correção dos eletrólitos séricos. Caso se tenha esquecido de utilizar Transact Lat Não utilize uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de utilizar. Se parar de utilizar Transact Lat Não se aplica. Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico ou farmacêutico. 4. Efeitos secundários possíveis Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos secundários, embora estes não se manifestem em todas as pessoas. O flurbiprofeno atinge níveis séricos mais baixos do que o mesmo fármaco administrado por via oral (é de realçar contudo, o facto de atingir níveis idênticos aos desta via sistémica, nas articulações e noutros tecidos situados profundamente sob a área cutânea onde o penso impregnado é aplicado). Sendo assim, é extremamente improvável a ocorrência de efeitos colaterais sistémicos. Em ensaios clínicos com flurbiprofeno de uso cutâneo, os efeitos adversos mais frequentemente reportados foram de reações locais (incluindo rubor, erupção cutânea, prurido, irritação da pele, entorpecimento e ardor); contudo a incidência foi baixa (4,6%). Efeitos secundários observados com AINE: Gastrointestinais: os eventos adversos mais frequentemente observados são de natureza gastrointestinal. Podem ocorrer, em particular nos idosos, úlceras pépticas, perfuração ou hemorragia gastrointestinal potencialmente fatais. Náuseas, dispepsia, vómitos, hematemese, flatulência, dor abdominal, diarreia, obstipação, melenas, estomatite aftosa, exacerbação de colite ou doença de Crohn têm sido notificados na sequência da administração destes medicamentos. Menos frequentemente têm vindo a ser observados casos de gastrite. Cardiopatias: Edema, hipertensão arterial, e insuficiência cardíaca, têm sido notificados em associação ao tratamento com AINE. Os dados dos ensaios clínicos e epidemiológicos sugerem que a administração de alguns AINE (particularmente em doses elevadas e em tratamento de longa duração) poderá estar associada a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos arteriais (por exemplo enfarte do miocárdio ou AVC). Reações bolhosas incluindo síndroma de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica (muito raro). Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. 5. Como conservar Transact Lat Não conservar acima de 25ºC. Duração de estabilidade após a abertura de cada saqueta é de 1 mês. Fechar bem as saquetas após a retirada de cada penso impregnado. Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças. Não utilize Transact Lat após o prazo de validade impresso na embalagem exterior. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado. Não utilize se verificar sinais visíveis de deterioração. Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente. 6. Conteúdo da embalagem e outras informações Qual a composição do Transact Lat - A substância ativa é o flurbiprofeno. Cada penso impregnado contém 40 mg de flurbiprofeno (0,294 mg de flurbiprofeno/cm2 de penso impregnado). - Os outros componentes são: Óleo essencial de hortelã-pimenta, miristato de isopropilo, glicerol, dióxido de titânio (E171), carmelose sódica, caulino pesado, ácido tartárico, polissorbato 80, sesquioleato de sorbitano, poliacrilato de sódio e água purificada. Qual o aspeto de Transact Lat e conteúdo da embalagem Transact Lat é constituído por uma película aderente de poliéster impregnada com 40 mg de flurbiprofeno. Os pensos impregnados são fornecidos em embalagens com uma ou duas saquetas laminadas e fechadas, contendo cada uma 5 pensos impregnados. É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações. Titular da Autorização de Introdução no Mercado Amdipharm Limited Temple Chambers 3, Burlington Road Dublin 4 Irlanda Fabricantes Abbott S.r.L Strada Statale Pontina - Km 52 I-04010 Campoverdi di Aprilia - Latina Itália Amdipharm Plc Regency House - Miles Gray Road, Basildon SS14 3AF Essex Reino Unido Waymade Plc Sovereign House, Miles Gray Road, Basildon SS14 3FR Essex Reino Unido Distribuído por: Jaba Recordati, S. A. Lagoas Park, Edificio 5, Torre C, Piso 3 2740-298 Porto Salvo Este folheto foi revisto pela última vez em