Saúde reprodutiva

Voltar a ser saudável

Nos últimos anos, o desenvolvimento das técnicas de fertilização ‘in vitro’, cultura, diagnóstico e transferência de embriões permitiu dar solução a uma variedade de problemas que até então constituíam um obstáculo reprodutivo. Concomitantemente ao aumento da eficácia destas técnicas tem-se observado uma redução da atenção para os cuidados gerais de saúde que podem ter repercussão na saúde reprodutiva.

Determinados estilos de vida são cada vez mais reconhecidos como negativos. Estes podem afetar não só a saúde reprodutiva como também a eficácia das técnicas reprodutivas. São exemplo o excesso de peso, o consumo de tabaco, de álcool e de cafeína, as alterações do ritmo circadiano, entre outros. Esta influência é relevante até cerca três a quatro meses antes da conceção, aquando a formação e maturação dos gâmetas. Tanto o homem como a mulher podem comprometer a sua capacidade reprodutiva ao acumular vários destes fatores no seu dia-a-dia.

A obesidade arrasta consigo inúmeras condições médicas graves para a saúde e também para a saúde reprodutiva. Muitos estudos demonstraram o aumento do tempo de conceção, o maior risco de aborto e maior número de complicações na gravidez. Quando a dieta é desequilibrada há uma redução da conceção espontânea.

A prática de exercício físico na mulher é um benefício não só na manutenção do peso, mas também na diminuição do risco de outras doenças, no entanto quando em excesso correlaciona-se negativamente com a fertilidade.

São amplamente conhecidos os malefícios do tabaco na saúde reprodutiva. Os seus efeitos são dose dependentes afetando inúmeros aspetos da reprodução feminina como o desgaste ovárico prematuro com a menopausa precoce, a alteração do funcionamento ovárico com uma menor taxa de gravidez, o aumento da taxa de aborto, o maior risco de gravidez extrauterina e o compromisso da capacidade reprodutiva na geração seguinte. Pelo lado masculino ocorrem alterações da fisiologia espermática comprometendo o sucesso quer na conceção espontânea quer na assistida.

O risco de aborto e malformações congénitas está aumentado associado ao consumo excessivo de álcool, independentemente de quem o consome. No homem o álcool associa-se à diminuição da qualidade e volume seminal, enquanto na mulher coexistem alterações do ciclo menstrual.

O consumo excessivo de cafeína (com mais de 300mg ao dia, cerca de 4 chávenas) também se associa ao aumento do risco de aborto tardio e nado morto.

A nossa sociedade, cada vez mais global, é mais exigente e durante 24h por dia. Há cada vez mais profissões que afetam o ritmo circadiano, sobretudo com o trabalho por turnos e trabalho noturno.

A fertilidade fica comprometida por afeção endócrina causando distúrbios menstruais, endometriose, aborto e parto prematuro, entre outros. No entanto o efeito do stress ainda não se conseguiu demonstrar como um fator negativo para o processo reprodutivo.

Outro fator que sabemos que influencia de forma determinante o sucesso reprodutivo, espontâneo ou assistido, é a idade feminina contra o qual não há qualquer modificação do estilo de vida que o possa contrariar além de se alertar para essa situação.

O desenvolvimento tecnológico da área da medicina de reprodução tem sido enorme na ajuda da concretização do projeto reprodutivo do casal infértil. No entanto a modificação e a adoção de um estilo de vida saudável é fundamental na otimização de todo o processo.

A existência de programas de intervenção pré-concecional, com abordagem individual e coletiva tem uma importância extrema na sensibilização para o problema da fertilidade.

Dra. Catarina Godinho – Clinica IVI Lisboa
Fonte: 
Grupo IVI
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
Foto: 
ShutterStock