Endometrial Receptivity Analysis

Teste determina momento ideal para transferência embrionária

As alterações do endométrio estão entre as principais causas de insucesso dos tratamentos de fertilização, impedindo ou dificultando a implantação dos embriões. No entanto, um novo teste – test ERA – permite determinar o momento ideal para a transferência embrionária, aumentando a taxa de sucesso das técnicas de PMA.

São várias as causas para a infertilidade. No entanto, estima-se que em 20 por cento dos casos a causa seja desconhecida.

Deste modo, os tratamentos de Procriação Medicamente Assistida representam, muitas vezes, a única esperança para os casais que não conseguem engravidar.

Muito embora apresentem elevadas taxas de sucesso, a verdade é que para que as técnicas de PMA sejam, de facto, eficazes é necessário, também, que estejam reunidas determinadas condições.

Para além da qualidade dos espermatozóides e do óvulo, que determinará a viabilidade do embrião, é necessário que o útero materno esteja recetivo à implantação.

“Existem múltiplos fatores implicados na implantação embrionária, principalmente: embrião, endométrio e a correta comunicação entre ambos. Quer dizer, não é apenas necessário ter um embrião de boa qualidade e um endométrio recetivo. A sincronização entre eles é indispensável para que a implantação ocorra”, começa por explicar João Calheiros, ginecologista e especialista em Medicina da Reprodução do IVI Lisboa.

A recetividade endometrial é definida como o período durante o qual o epitélio do endométrio adquire função, embora transitória, para a aceitação do blastocisto e sua implantação. “Este estado, também conhecido como janela de implantação, tem uma duração determinada – normalmente entre um a dois dias – e começa num dia específico do ciclo menstrual, em cada paciente, em função da sua resposta à progesterona”, refere o especialista. A literatura refere que a recetividade endometrial ocorre entre os dias 19 e 21 do ciclo menstrual.

“A duração da janela da implantação pode variar de uma paciente para outra, tendo um alcance de 12 a 72 horas, sendo mais frequente entre as 24-48h. O blastocisto só poderá aderir e implantar no endométrio durante a janela de implantação”, acrescenta o médico.

O teste ERA (Endometrial Receptivity Analysis), desenvolvido pela Fundação IVI e várias das suas clínicas, é um método de diagnóstico que, baseando-se na análise de 238 genes no endométrio, permite conhecer a recetividade ou não do endométrio no momento da transferência embrionária.

Na realidade, esta análise, “permite identificar o dia do ciclo endometrial no qual a janela de implantação abre para casa paciente de forma específica”. De acordo com  João Calheiros, o Test ERA “permite, desta forma, detetar se uma paciente é recetiva depois de cinco dias exposta à progesterona, como ocorre na maioria dos casos, ou se apresenta uma janela de implantação dessincronizada, requerendo por isso uma transferência embrionária personalizada”.

“Graças à localização personalizada da janela de implantação, em cada paciente, é possível fazer a sincronização entre o blatocisto e o endométrio. Esta sincronização é necessária para que a implantação ocorra”, acrescenta referindo que com este método de diagnóstico há um aumento bastante significativo na taxa de sucesso do tratamento de Procriação Medicamente Assistida.

Um estudo da Fundação IVI, levado a cabo em 356 pacientes de cinco países, corrobora o êxito deste teste, demonstrando que a personalização e individualização do tratamento apresenta uma taxa de sucesso de 85%.

Por outro lado, este método de diagnóstico permite poupar tempo e evita a realização de exames dispendiosos, pelo que, tal como é referido em comunicado, “a personalização do fator endometrial do casal infértil deve ser considerado antes de começar o tratamento para aumentar o êxito reprodutivo”.

“Para determinar quando o endométrio está recetivo, é necessário realizar uma biópsia endometrial no dia do ciclo em que, por rotina, se realizaria a transferência do blatocisto”, explica o especialista em Medicina da Reprodução.

No caso de não estar recetivo, “o predictor ERA dá-nos uma indicação sobre o dia do ciclo em que estima que ocorra a janela de implantação da paciente, de acordo com o primeiro resultado obtido”. “Neste caso, poderia requerer-se uma segunda biópsia endometrial com o objetivo de validar o dia da recetividade endometrial”, determina.

Segundo o especialista, a primeira biópsia deve realizar-se no mesmo ciclo que se vai realizar a transferência embrionária – “sendo um ciclo natural ou terapia de substituição hormonal, nunca num ciclo estimulado”. “De acordo com o tipo de ciclo, a biópsia realizar-se-á sete dias depois do pico de LH (LH+7), no ciclo natural, ou depois de cinco dias completos de exposição à progesterona (P+5) na terapia de substituição hormonal”, explica.

Quanto à segurança deste metódo de diagnóstico, João Calheiros garante que não comporta nenhum risco para as pacientes. “As únicas implicações que podem ocorrer, são associadas ao processo de realizar uma biópsia endometrial, que geralmente é um ligeiro desconforto e/ou um ligeiro sangramento depois do procedimento”, afiança.

Apesar deste teste estar indicado para pacientes com falha de implantação recorrentes, “com embriões de boa qualidade”, apresentando uma janela de implantação dessincronizada, “está a ser feito um estudo randomizado em que realiza o test ERA na primeira consulta de PMA”.

“Os resultados preliminares mostram que, aproximadamente, 16% destas pacientes pode beneficiar de uma transferência personalizada, pelo que pode vir a ser possível que se converta num teste a aplicar a todas as pacientes”, revela o especialista.

O test ERA é, atualmente, a única ferramenta de diagnóstico molecular do estado endometrial que, para além de melhorar significativamente a taxa de gravidez, ofereceu, nos últimos quatro anos, a solução a mais de 10 mil pacientes.

 

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
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