Hoje assinala-se o Dia Mundial da Saúde Sexual

Saúde Sexual e Direitos Sexuais são fundamentos para o bem-estar

Atualmente, a saúde sexual é amplamente entendida como um estado de bem-estar físico, emocional social e mental em relação à sexualidade. A OMS considera a sexualidade como um aspeto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano, e por isso, não podemos reduzi-la apenas a questões ligadas à saúde reprodutiva.

O desenvolvimento total da sexualidade depende da satisfação de necessidades humanas básicas tais como o desejo de contato, a intimidade, a expressão emocional, o prazer, o carinho e o amor. O alcance deste patamar de saúde sexual, promotora de bem-estar e felicidade, é um direito de todo o ser humano.

No entanto, é aqui que surgem grande parte dos problemas. Nem sempre o ser humano consegue viver a sexualidade de forma livre, prazerosa, sem preconceito e isenta de qualquer coerção social ou discriminação.

A psicoterapia tem um papel fundamental na compreensão do pensamento e do comportamento humano, enquanto bloqueadores de uma vida sexual saudável e promotora de bem-estar psicológico.

Os casos que recorrem mais frequentemente à psicoterapia são a disfunção eréctil, o vaginismo, a ejaculação precoce e a ausência de libido e de prazer. São várias as causas que podem estar na origem destes e de outros problemas sexuais. Não excluindo a presença de causas biológicas, as causas psicossociais (individuais ou relacionais) são de enorme relevância e podem ser solucionadas com recurso à psicoterapia.

A saúde mental do indivíduo, bem como a forma como se relaciona com o outro, é essencial para uma vida sexual saudável e plena. Por isso, quando estamos na presença de pessoas que sofrem de perturbações psicológicas como depressão, ansiedade ou stress, estamos perante fatores que condicionam e bloqueiam a vivência da sua sexualidade. A função da psicoterapia é perceber o que está na origem do problema e trabalhar com a pessoa no sentido de desenvolver estratégias adaptativas que façam face ao mesmo.

Existem ainda questões educacionais, culturais, crenças e mitos que influenciam a sexualidade e que devem ser desmistificados e esclarecidos por especialistas.

Os fatores relacionais, como problemas entre o casal ou comunicação deficiente, são pontos que beneficiam igualmente de intervenção psicoterapêutica. Os problemas entre o casal podem causar frustração, preocupação, stress, entre outros sentimentos que iram interferir no desejo e na resposta sexual. Uma comunicação deficiente ou ausente pode também causar desconforto entre o casal. Referimo-nos não só à dificuldade em falar sobre questões ligadas à sexualidade, mas também em questões relacionadas com o quotidiano.

Facilmente percebemos que os problemas de libido sexual e/ou disfunção sexual, estão muitas vezes relacionados com pensamentos e comportamentos que condicionam a nossa mente e a nossa ação. Por isso, é importante que as pessoas explorem, junto de especialistas, todas as causas que possam estar na origem do que as impede de viver a sexualidade de forma saudável e plena.

A saúde sexual, na sua forma mais abrangente, não pode ser descuidada porque é um dos fundamentos para o bem-estar do ser humano.

Dr. Pedro Brás – Psicoterapeuta | Diretor da Clínica da Mente
Nota: 
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