Menopausa

Novo tratamento laser recupera mucosa vaginal

Atualizado: 
07/12/2018 - 18:08
Uma nova técnica a laser pretende revolucionar a vida sexual da mulher na menopausa. Mas não só!

Acaba de chegar a Portugal um tratamento que promete a recuperação da mucosa vaginal, estando indicado a todas as mulheres que se queixem de um estado de falta hormonal, melhorando aspetos como a elasticidade ou lubrificação.

A atrofia vaginal é uma condição bastante comum na menopausa. Estima-se que entre 40 a 60 por cento das mulheres sofram de secura e prurido vaginal, um sintoma desconfortável e até embaraçoso que pode afetar não só o bem-estar físico como emocional.

Com a chegada da menopausa os ovários passam a produzir menos estrógenio – a principal cauda de secura vaginal. Com uma quebra acentuada dos níveis desta hormona, as paredes vaginais tornam-se mais finas, mais secas e menos flexíveis.

Para além deste aspeto, pode ainda verificar-se uma diminuição das secreções vaginais levando a uma menor lubrificação.

Associado à falta de estrógenio, é frequente ocorrer o atrofiamento da vagina provocando sintomas como secura, irritação e infeção vaginal.

Recém-chegado a Portugal, um novo tratamento laser promete tratar estes sintomas, a partir da primeira sessão.

“O MonaLisa Touch é o nome que se dá a um tratamento de recuperação da mucosa vaginal  que é feito utilizando a energia laser (mais propriamente o laser de dióxido de carbono – CO2) através da utilização de um acessório especial”, explica a ginecologista Teresa Fraga.

Este tratamento “serve para recuperar a mucosa vaginal envelhecida – como acontece no caso da menopausa – e funciona através do seu fotorejuvenescimento”, melhorando aspetos como elasticidade, sensibilidade, lubrificação e resistência a infeções.

De acordo com Teresa Fraga, “qualquer mulher que apresente sintomatologia compatível com estados de falha hormonal – prurido, ardor, dores nas relações, perdas de sangue espontâneas, ou após observação ginecológica, infeçoes vulvovaginais de repetição – desde que devidamente avaliada, pode recorrer a este método”.

Acrescenta ainda que este estado de falta hormonal pode ser espontâneo (menopausa) ou provocado por qualquer tratamento hormonal, quimioterapia ou radioterapia.

“Costumo apontar como melhores candidatas as pacientes submetidas a tratamento por cancro de mama”, avança.

Explica que, habitualmente, estas mulheres “reagem de forma muito intensa aos tratamentos inibidores das hormonas femininas que são uma arma fundamental para combater a doença de base. Estes provocam o tal estado de “menopausa” induzida que é sentido de forma tanto mais aguda quanto mais jovem for a mulher”.

A aplicação deste tratamento revela-se bastante rápida. Entre cinco a 10 minutos, indolor, “faz-se sem recurso a qualquer anestesia e a sensação descrita é a de um ligeiro calor/ardor perfeitamente tolerável”.

Sendo a sua resposta variável, sabe-se que quanto mais jovem, e há menos tempo em menopausa se encontra a paciente, melhores são os seus resultados.

No entanto, estudos apontam para uma maior eficácia após três aplicações sucessivas, com intervalos de um mês.

“Há ótimos resultados em cerca de 80 por cento das pacientes, e por vezes, uma sessão é suficiente para verificarem melhorias significativas”, explica a ginecologista.

Em casos mais resistentes (na sequência de radioterapia, por exemplo) pode ser necessário realizarem-se cinco ou seis tratamentos.

Muito embora apresente bons resultados, casos há, se a causa da atrofia persistir, que as melhorias sentidas depois deste tratamento possam regredir, “necessitando de tratamento de reforço ao fim de 12 a 18 meses” após primeira sessão.

“Uma vez que é um tipo de tratamento que não comporta riscos, sendo a energia laser uma limpa e segura”, não existem contra-indicações.

No entanto, Teresa Fraga deixa algumas recomendações:

- a mulher deve ter uma revisão ginecológica nos últimos 12 meses (rastreio do cancro cervical, eco ginecológica, avaliação mamária, análises de rotina)

- não deve ter nenhuma infecção aguda ou história de herpes genital recente

- nos casos de pacientes submetidas a radioterapia, aconselha-se um intervalo de 2 anos pós RTX

- no estado actual, é desaconselhado em pacientes submetidas a tratamento de cancro invasivo do colo ou vagina

- como precaução, deve parar os cremes ou óvulos vaginais na semana anterior ao tratamento MonaLisaTouch.

Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
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