Halitose, mais conhecida por mau hálito

“Não é um assunto tabu, mas é um pouco embaraçoso”

Atualizado: 
22/05/2015 - 17:21
A halitose, ou o mau hálito como é mais conhecida, é um problema muito comum e pode afectar mulheres e homens de todas as idades. Apesar de não ser uma doença pode conduzir à diminuição da auto-estima e ser um factor perturbador das actividades sociais.

Halitose é o termo empregue para descrever qualquer alteração do hálito. Deriva do latim halitos (ar expirado) e osis (alteração patológica). Conforme explica Rodrigo Avelãs Cavaco, especialista em medicina dentária e director clínico na DentalConcept, “a halitose é multifactorial e pode envolver condições orais e extra-orais”. Ou seja, nem sempre o que causa o mau hálito provém exclusivamente da cavidade bocal. Por outro lado, deve distinguir-se a halitose enquanto um verdadeiro problema do hálito desagradável sentido ao acordar. “Esse é considerado fisiológico”, atenta Rodrigo Avelãs Cavaco.

Na opinião do especialista, “em Portugal este já não é um assunto tabu embora ainda um pouco embaraçoso. Existe cada vez mais a consciência das causas orais do mau hálito, fazendo com que procurem o seu Médico Dentista para prevenir e tratar este problema”. Um problema que pode atinge qualquer pessoa em qualquer idade, embora afecta mais os homens do que as mulheres. A prevalência deste problema pode chegar aos 49,5%, segundo um estudo recente com uma amostra de 99 indivíduos. A prevalência de halitose no sexo masculino foi de 69,7% versus 39,4% no sexo feminino. Porém estudos internacionais, com uma amostra maior, indicam que o número de casos (prevalência) varia entre os 50 e 60%.

A prevenção e tratamento do mau hálito de origem oral passa“pela correcta escovagem dentária associada à higiene da língua, utilização do fio dentário, e colutórios orais, principalmente aqueles que contêm agentes antibacterianos como clorohexidina e cetilpiridínio ou contendo agentes como acetato de zinco. Estes parecem ter os melhores resultados na redução do mau hálito” aconselha o especialista, sublinhando que devem em primeiro lugar ser tratadas todas as causas possíveis de mau hálito de origem intraoral (cáries, gengivites, periodontites, e outras causas orais)”.

As várias causas

Como se disse anteriormente, a halitose pode envolver causas orais e/ou não-orais. Porém, “mais de 75% dos casos têm origem na cavidade oral e as causas mais frequentes são a má higiene, língua saburrosa (também conhecida por língua branca por nela se formar uma placa bacteriana esbranquiçada), patologia periodontal (gengivite, periodontite) e hiposalivação (pouca produção de saliva)”, explica o médico dentista, acrescentando que, “as causas não orais da halitose incluem maioritariamente doenças do aparelho respiratório superior e inferior, patologias do aparelho gastrointestinal, doenças metabólicas (diabetes mellitus), hábitos alimentares (jejum prolongado, ingestão de alimentos ricos em odor) e alguma terapêutica farmacológica com compostos ricos em enxofre”.

E quando a halitose é a consequência…

“A halitose em si não é uma doença mas pode ser um sinal clínico de outras doenças quer intra-orais quer extra-orais”, comenta o director clínico. É, por isso, importante estar alerta e fazer um diagnóstico de modo a combater as possíveis causas.

Já referimos que o hálito desagradável ao acordar é normal, e após a realização da higiene dos dentes e da língua e da primeira refeição, a halitose matinal deve desaparecer. “Caso isso não ocorra, pode-se considerar o indivíduo como possível portador de halitose real, problema a ser investigado e tratado”, comenta, sublinhando que “pode ser um sinal clínico para doenças sistémicas importantes como: patologias do aparelho gastrointestinal (doença do refluxo gastro-esofágico, diverticulose faringo-esofágica, úlcera péptica), doenças metabólicas (trimetilaminúria, diabetes mellitus), patologias do aparelho respiratório superior e inferior (amigdalite, rinosinusite e bronquiectasias), terapêutica farmacológica com compostos ricos em enxofre (dissulfiram) e hábitos alimentares (jejum prolongado, ingestão de alimentos ricos em odor)”. O tratamento da halitose de origem não oral deve ser efectuado simultaneamente com o tratamento da sua causa ou doença sistémica.

Consequências psicossociais

“Na sociedade actual observa-se a atribuição de uma importância crescente à imagem pessoal e às relações interpessoais. A halitose pode conduzir à diminuição da auto-estima e ser inclusivamente um factor perturbador das actividades sociais”, refere Rodrigo Avelãs Cavaco.

Por isso, o mau hálito pode acarretar como consequência efeitos psicológicos relevantes. A escala vai de um pequeno impacto e intensidade, para casos em que a vida das pessoas é totalmente perturbada. As pessoas que sofrem desta condição, estão cientes das implicações e tentam desesperadamente disfarçar o seu mau hálito usando pastilhas, escovando os dentes compulsivamente e bochechando várias vezes ao dia com colutórios orais. Também são frequentes os padrões de comportamento, como cobrir a boca, mantendo uma distância de outras pessoas ou até mesmo evitar qualquer interacção social.

Por expressa opção do autor, o texto não respeita o Acordo Ortográfico

Autor: 
Célia Figueiredo
Nota: 
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