Ébola

Maior hospital de Angola prepara-se esperando que não passe da ameaça

A palavra "Ébola" ouve-se a cada corredor do maior hospital de Angola, por entre a preocupação de utentes e de profissionais de saúde, estes em preparação para algo que esperam que não passe da ameaça.

No Hospital Josina Machel, ainda hoje conhecido em Luanda como Maria Pia, nome do tempo colonial português, trabalham mais de 1.200 profissionais de saúde, entre enfermeiros e médicos.

Por dia, explica à Lusa a directora clínica, Mariquinha Venâncio, são quase 500 pessoas atendidas nas urgências da unidade, construída em 1883 e que ainda ostenta os traços arquitetónicos originais, apesar do alargamento realizado em 2005.

"A maior parte dos casos vão para uma área comum, de todos os pacientes, até identificarmos quem é quem (possíveis casos de Ébola) é um pouco difícil. Temos que ter todas as medidas de precaução em vigência nestas áreas para que haja um mínimo de contacto entre pacientes e profissionais", conta a médica, confessando preocupação com algo que escapa ao controlo do hospital.

Por entre a azáfama do dia-a-dia, ali todos se prepararam para a ameaça do Ébola, agora que o país enfrenta risco elevado de propagação da epidemia, com os primeiros casos mortais confirmados no país vizinho da República Democrática do Congo.

Além dos amplos e abertos corredores, o Hospital Josina Machel passou agora a ter também uma área totalmente fechada e isolada, junto às urgências, para quarentena de casos suspeitos de Ébola. Pode receber dois pacientes em permanência, por entre medidas de biossegurança que também já estão preparadas para evitar qualquer contacto directo entre profissionais e pacientes.

"Temos os equipamentos de biossegurança, uma série de materiais exigidos, espaço para quarenta. Ou seja, temos praticamente todas as condições criadas, estamos preparados, mas gostaríamos que não aparecesse (nenhum caso de Ébola) mesmo", desabafa Mariquinha Venâncio.

Com as condições criadas, as acções de formação dos profissionais da unidade sobre como lidar com eventuais casos de Ébola repetem-se regularmente e as perguntas, garante a epidemiologista do maior hospital angolano, também.

"Estamos a tentar prepará-los, com muita cautela, para que não se levantem tremendas preocupações e está a correr bem. Fazem muitas perguntas, muitas mesmo, o que é bom para que estejam bem preparados", diz a especialista Angelina Alda.

Embora com informações e conselhos espalhados por toda a unidade, os responsáveis do hospital admitem que se vê "grande preocupação" nos profissionais que ali trabalham.

"Mas não precisam de entrar em pânico perante casos suspeitos. Têm de tomar todas as medidas de precaução e evitar o contacto com os pacientes, para não se exporem tanto", remata Mariquinha Venâncio, em jeito de manifestação de um desejo.

Fonte: 
LUSA
Nota: 
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