Opinião

Incontinência urinária: menopausa e parto entre fatores desencadeantes

A incontinência urinária é uma das patologias mais comuns nas mulheres pós menopausa. Ir ao médico, mudar a alimentação e os hábitos de vida é urgente. Os conselhos são da médica Bercina Candoso, ginecologista no Hospital Lusíadas Porto.

Cerca de 40 por cento das mulheres que tiveram filhos vão apresentar um quadro de incontinência urinária (IU), ao longo da vida. A incontinência urinária de esforço (perda de urina com tosse, espirro, riso, pegar em pesos) é a mais prevalente, no entanto, outras incontinências urinárias como a de urgência (vontade súbita e inadiável de urinar, que a doentes não consegue inibir) podem ser ainda mais incapacitantes e afetar o bem-estar da doente.  

Existem fatores promotores do aparecimento da IU, sendo que a gravidez e o parto normal são um deles. Outros existem como a menopausa, a história anterior de histerectomia, a obesidade e a tosse crónica, sendo que os principais são os defeitos do colagénio intrínsecos à doente e, muitas vezes, hereditários. Embora o parto seja um fator promotor de IU, não existe qualquer razão para contrariar o que é natural – o parto normal, indicando uma cirurgia agressiva – a cesariana, para tentarmos evitar uma hipótese – a IU, em tempo que não sabemos definir e que pode ser corrigida com uma cirurgia minimamente invasiva.

Durante a gravidez a mulher pode e deve ser ensinada e incentivada a fazer exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico. Estes exercícios são conhecidos como os exercícios de Kegel.

É também importante realçar que a cesariana está associada a outro tipo de incontinência urinária – a de urgência (a mulher sente uma vontade súbita e inadiável de urinar que não consegue inibir e perde ou pequenas gotas ou de forma catastrófica), e ao aparecimento de outros sintomas relacionados com alterações da inervação da bexiga que sofreu danos durante a cirurgia – noctúria (acordar com vontade de urinar várias vezes por noite), que tem efeitos muito prejudiciais na qualidade do sono destas mulheres e no descanso necessário para um dia de trabalho, aumento da frequência urinária (necessidade de ir mais do que oito vezes por dia à casa de banho).

Todos estes sintomas estão presentes num diagnóstico de bexiga hiperativa que parece ter uma prevalência de cerca de 17% das mulheres que sofrem de incontinência urinária. Sempre que a mulher manifesta sintomas de IU de esforço e de IU de urgência, estamos na presença daquilo que chamamos uma IU mista.

A IU, quando não tratada, pode ser fator de isolamento, de baixa autoestima que em último caso leva a síndromes depressivos. São mulheres que deixam de conviver até com a própria família, de executar as suas tarefas diárias, que deixam de participar nos eventos sociais ou familiares, por medo de perderem e mesmo com dispositivos de contenção (pensos) cheirarem mal. Muitas vivem em função de ter uma casa de banho por perto. Não podemos também ignorar o facto de este problema poder interferir com o relacionamento do casal. No caso particular da Bexiga Hiperativa a mulher pode por em causa o seu posto de trabalho, em determinados empregos, pelo aumento da necessidade de recorrer à casa de banho.

A IU é assim um problema de grande dimensão, que pode afetar os aspetos sociais, afetivos, laborais e económicos da mulher com este problema.

As mulheres precisam de ter conhecimento, de que a IU não é normal, nem a aceitar como uma consequência inevitável do envelhecimento. Existem tratamentos médicos, cirúrgicos, alterações de hábitos urinários e modificações da dieta que podem resolver este problema, muitas vezes conhecido como uma epidemia escondida. Para isso existem médicos que a podem aconselhar, nomeadamente os Ginecologistas especializados em Uroginecologia.

Dra. Bercina Candoso - ginecologista no Hospital Lusíadas Porto
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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