Pontos de dor

Fibromialgia

A fibromialgia afecta 2 a 5% da população adulta e não é uma doença, mas sim uma síndrome de dor músculo-esquelética difusa, não inflamatória, não articular, com pontos dolorosos à palpação muscular em locais definidos.

A fibromialgia é uma síndroma crónica caracterizada por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. Há várias descrições desta síndroma desde meados do século XIX, no entanto apenas no final da década de 70 foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como doença.

Acredita-se que a fibromialgia seja devida a uma perturbação dos mecanismos da dor, nos fusos neuromusculares, não havendo propriamente lesão de qualquer órgão, nomeadamente músculos ou articulações, podendo nalguns casos ser altamente invalidante.

Segundo as estatísticas disponíveis calcula-se que sofrem deste probema cerca de 2 a 8% da população adulta, embora estes valores possam variar de país para país. Em Portugal, embora não haja estatísticas rigorosas, calcula-se que 5 a 6% da população sofre do sindroma, havendo uma distribuição pelas diversas faixas etárias, desde a idade escolar, com predominância nas mulheres acima dos 40 anos.

A fibromialgia é uma entidade clínica tão controversa que tem dividido os médicos. Uns contestam a real existência da doença enquanto quadro fisiopatológico autónomo, e tendem a negligenciar as queixas dos doentes, e os que entendem que os dados da investigação mais recente não permitem continuar a considerá-la uma entidade de causa desconhecida, vindicando assim essas queixas, que tendem agora a ser hipervalorizadas.

É verdade que a inespecificidade das manifestações clínicas leva a que sejam agrupados sob a designação fibromialgia, doentes com dor generalizada de diferentes etiologias, diferentes entre si, cuja heterogeneidade impossibilita a definição de um protocolo terapêutico satisfatório para a maior parte das situações.

Sintomas
O sintoma mais importante da fibromialgia é a dor, que pode afectar uma grande parte do corpo. Em certas ocasiões a dor começa de forma generalizada, enquanto noutras a dor inicia-se numa área como o pescoço, ombros, região lombar etc. Para além disso, com frequência, os sintomas variam em relação à hora e ao dia, podendo ter maior incidência matinal, agravando-se com a actividade física, com as mudanças climáticas, com a falta de sono e o stress, etc.

Além da dor a fibromialgia pode causar sensação de formigueiro e inchaço nas mãos e pés, principalmente ao levantar da cama assim como ocasionar rigidez muscular. Outra alteração da fibromialgia associada à dor é a fadiga, que se mantém durante quase todo o dia com pouca tolerância ao esforço físico. Quando o sintoma dominante é a fadiga a doença tem sido designada por Síndroma da Fadiga Crónica.

Frequentemente os doentes com fibromialgia referem queixas de ansiedade, às vezes depressão, perturbações da atenção, sono, concentração e da memória, havendo ainda doentes que se queixam de perturbações gastrointestinais.

Causas desconhecidas
Não há conhecimento de qualquer causa bioquímica, anatómica ou imunológica que justifique as dores de que se queixam os doentes.
Sabe-se que há um distúrbio no processamento da dor que faz com que esta se mantenha, mesmo depois do estímulo que a causou ter desaparecido. Há especialistas que defendem que pode ter origem numa agressão física ou emocional.

As causas e os mecanismos que desencadeiam a fibromialgia não estão, portanto, esclarecidos, bem como se haverá ou não uma predisposição familiar para o desenvolvimento da síndroma.

Diagnóstico
Não há exame, de imagem ou laboratorial, que confirme ou exclua a presença de fibromialgia, daí que as queixas subjectivas dos doentes sejam preciosas para o diagnóstico.

O diagnóstico é feito com base na história clínica, na observação médica pondo em evidência pelo menos 12 de 18 pontos dolorosos, associados à fadiga, às perturbações do sono e às alterações emocionais. Na Síndroma da Fadiga Crónica sem dor não há pontos dolorosos o que torna a situação muito mais aleatória.

Assim, os critérios de diagnóstico devem incluir:

Numa duração superior a três meses a:
1. Dor difusa pelo corpo;
2. Dor à apalpação de 12 de 18 pontos dolorosos.

E pelo menos mais dois dos três sintomas seguintes:
- Fadiga;
- Alterações do sono;
- Perturbações emocionais.

Devem, no entanto, ser investigados a presença de lesões nos músculos, alterações do sistema imunológico, problemas hormonais e principalmente doenças reumáticas, etc. Nos casos de fibromialgia todos os exames e análises devem ser normais.

Pontos dolorosos
Dor à pressão, em, pelo menos, 11 de 18 pontos predefinidos, a saber:

1. Ponto occipital
Bilateral, nas inserções do músculo sub-occipital.

2. Ponto cervical inferior
Bilateral, na face anterior dos espaços intertransversários de C5 e C7

3. Ponto trapézio
Bilateral, no ponto médio do bordo superior do músculo.

4. Ponto supra espinhoso
Bilateral, na origem do músculo acima da espinha da omoplata, junto do bordo interno.

5. Ponto 2ª costela
Bilateral, na junção costo-condral da 2ª costela, imediatamente para fora da junção e na face superior.

6. Ponto epicôndilo
Bilateral, 2cm externamente ao epicôndilo.

7. Ponto glúteo
Bilateral, no quadrante superior externo da nádega, no folheto anterior do músculo.

8. Ponto grande trocanter
Bilateral, posterior à proeminência trocantérica.

9. Ponto Joelho
Bilateral, na almofada adiposa interna, acima da interlinha articular.

Factores de risco
Os factores de risco são bastante amplos e por isso, vão desde os associados com o estado de dor crónica generalizada (idade, sexo, etc.), às características da personalidade pró-dolorosa (perfeccionismo compulsivo, incapacidade de relaxamento e desfrute da vida, incapacidade para lidar com situações hostis, etc.).

Os sinais de alerta para o desenvolvimento da doença são:
· História familiar da doença;
· Síndroma dolorosa prévia;
· Preocupação com o prognóstico de outras doenças coexistentes;
· Traumatismo vertebral, especialmente cervical;
· Incapacidade para lidar com adversidades;
· História de depressão/ansiedade;
· Sintomas persistentes de "virose”;
· Alterações do sono;
· Disfunção emocional significativa;
· Dor relacionada com a prática da profissão.

O conhecimento destes sinais de alerta torna possível a intervenção precoce e a prevenção, evitando o agravamento da doença e o desenvolvimento de complicações.

Tratamento
A fibromialgia deve ser tratada na rede de cuidados primários de saúde (centros de saúde) e o prognóstico da doença é habitualmente bom.

Os medicamentos usados com mais eficácia são os analgésicos, os antidepressivos tricíclicos e os inibidores selectivos de recaptação da serotonina, os relaxantes musculares e os indutores do sono.

Trata-se de uma síndroma que requer acompanhamento médico e avaliações periódicas relativamente à evolução das queixas e aos eventuais efeitos adversos da terapêutica. O acompanhamento depende da gravidade da fibromialgia e de outras doenças associadas, por isso é frequente serem necessárias outras formas terapêuticas, bem como a intervenção da reumatologia, psiquiatria e outras especialidades médicas ou diferentes profissionais de saúde.

Fonte: 
Portal das doenças reumáticas
Ministério da Saúde
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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