O que fazer

Febre na infância: um sinal de alarme

Atualizado: 
11/12/2018 - 16:59
A febre na infância é um dos sintomas mais comuns em pediatria e uma das queixas mais frequentes nos serviços de saúde. Apesar de ser um sinal de alarme, a verdade é que a febre por si só não causa nenhum mal ao organismo e, na maioria das vezes, cursa sem complicações graves associadas.

A febre é, nada mais nada menos, que uma resposta fisiológica e imprescindível do organismo a um determinado agente agressor, como vírus, bactérias ou fungos. Trata-se, deste modo, de um mecanismo de defesa que, como alguns estudos sugerem, aumenta a taxa de sobrevivência e diminui a duração do episódio de doença, estimulando não só o sistema imunitário, como dificultando a reprodução microbiana.

De acordo com a especialista em neonatologia, Alexandra Couto, autora do livro “Urgências em Pediatria”, “a febre é a elevação da temperatura do corpo humano, devido à libertação de pirogénios endógenos, desencadeada por uma resposta inflamatória”, podendo ser considerado estado febril  “uma temperatura retal igual ou superior a 38°C ou oral/axilar superior a 37,5°C”.

A verdade é que a temperatura corportal sofre pequenas variações ao longo do dia, podendo variar entre  os 35,5° e os 36,6°, subindo cerca de 0,5° no período da tarde.

Fatores como o exercício físico, o vestuário, o banho quente ou temperaturas atmosféricas elevadas podem conduzir a um aumento superior a 1°C na temperatura corporal.

Quer isto que dizer que, facilmente, podemos atingir temperaturas de 37°C sem que isso seja um indicador de doença.

As causas da febre são muitas e podem ser divididas entre infecciosas e não infecciosas.

“De realçar que as temperaturas corporais muito elevadas (41°C) estão habitualmente associadas a causas não infecciosas, por exemplo, distúrbios do sistema nervoso central”, explica ainda a especialista.

Por outro lado, temperaturas muito baixas, “abaixo dos 36°C”, podem ter diversas causas. O uso indiscriminado de antipiréticos à exposição ao frio, alterações endócrinas ou infeções graves são indicadas como algumas das responsáveis pelas temperaturas mais baixas.

“Em idade pediátrica, a febre é devida a infeções virais, na maioria dos casos. Nestas situações, a febre não excede os três dias completos e não necessitam de antibiótico”, refere chamando a atenção de que “os dentes não são responsáveis por temperaturas superiores a 38,4°”.

A convulsão febril é uma das grandes preocupações dos pais, mas felizmente estes casos são raros, atingindo menos de 4% das crianças entre os seis meses e os cinco anos.  “Existe, nestes casos, geralmente, uma história familiar de convulsões febris”, refere Alexandra Couto.

As convulsões são, habitualmente, de curta duração e cessam sem necessidade de terapêutica.

Quando é necessária a administração de antibióticos, o agente infeccioso é eliminado rapidamente, no entanto, a resposta inflamatória induzida por este no organismo pode ainda manter-se durante algum tempo, levando à manutenção da febre. De acordo com a especialista, “a manutenção da febre, neste caso em particular, não se deve ao insucesso terapêutico”.

O que fazer em caso de febre:

- Evitar roupas quentes

- Manter a criança hidratada

- Sempre que ocorra elevação da temperatura devem ser administrados antipiréticos, que têm como principal função aliviar o desconforto provocado pela febre

- Em caso de febre muito alta, recomendam-se banhos de água tépida, ou compressas húmidas e mornas em crianças mais crescidas

A criança deve ser observada pelo médico se:

  • Tem menos de seis meses de idade
  • Tem mais de 40,6°C, retal
  • Choro de difícil consolo
  • Gemido a dormir ou quando manipulado
  • Sensação de doença grave mesmo com febre baixa
  • Ocorrer a primeira convulsão febril
  • Convulsão na ausência de febre
  • Alterações de consciência (sonolência excessiva)
  • Rigidez na nuca
  • Traumatismo cranio-encefálico recente
  • Cefaleias e prostração
  • Vómitos e/ou dor abdominal intermitente ou persistente
  • Diarreia e prostração com mais de 12 horas de evolução
  • Disúria
  • Discrasia hemorrágica (perda de sangue pelos orifícios naturais, petéquias ou sufusões hemorrágicas)
  • Cianose ou dificuldade respiratória após a desobstrução nasal
  • Sialorreia
  • Suspeita de intoxicação medicamentosa
  • Desidratação (diminuição da frequência e quantidade das micções, ausência de lágrimas, irritabilidade ou sonolência excessivas, diminuição do peso, aumento da frequência respiratória e cardíaca)
  • Hipotermia (<36°) após período de febre
Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Fonte: 
Manual de Urgências em Pediatria
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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