Perguntas e respostas

Epilepsia

A Epilepsia é uma doença que tem ponto de partida numa perturbação do funcionamento do cérebro, devido a uma descarga anormal de alguns ou da quase totalidade dos neurónios cerebrais. As crises têm tendência a repetir-se ao longo do tempo, sendo a frequência variável de doente para doente.
Epilepsia

Há muitos doentes com Epilepsia?
O número de pessoas com Epilepsia no nosso país não se pode determinar com rigor, sendo contabilizado através de estudos em cerca de 4 a 7 mil habitantes, o mesmo que 1 em cada 200 pessoas. O número de pessoas que não são epilépticas mas que podem ter uma crise convulsiva é bastante maior, cerca de 1 em cada 20.

Qual a causa da Epilepsia?
Em grande parte das epilepsias não é possível determinar a causa, chamadas de Epilepsia Idiopática ou Primária, em que existe maior probabilidade de aparecer na mesma família.

Quando existem lesões que atingem o cérebro e deixam marcas, pode ser uma razão para o início de crises epilépticas. São chamadas de Epilepsias Secundárias e, normalmente, não são transmitidas de pais para filhos.

A Epilepsia é igual em todos os doentes?
A Epilepsia pode manifestar-se com crises de características diferentes:

Crises parciais
Têm características que dependem da localização do foco no cérebro, bem como da sua propagação ou não às restantes células cerebrais e podem ser classificadas como simples ou complexas.

Crises parciais simples
Caracterizadas por contracções repetidas de um dos membros da face.

Crises parciais complexas
Caracterizadas por uma modificação súbita da actividade, com alheamento do meio circundante e muitas vezes acompanhadas de movimentos automáticos despropositados (vestir ou despir, caminhar, mastigar ou engolir).

Crises generalizadas
Quando as descargas atingem de forma global todo o córtex cerebral causando crises convulsivas generalizadas e pequenas paragens de actividade, com alheamento de duração muito curta quase imperceptíveis.

Como se faz o diagnóstico da Epilepsia?
O diagnóstico é feito essencialmente por um médico. A descrição das crises, feitas pelo doente ou pelos familiares, é, na maior parte das vezes, suficiente para o diagnóstico.

Efectuar alguns exames, como por exemplo o Electroencefalograma (EEG), a Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou a Ressonância Magnética (RM), ajudam o médico a classificar ou determinar com maior rigor a causa de alguns tipos de crises.

A Epilepsia é curável?
Apesar do tratamento apenas controlar o número de crises, muitas formas de Epilepsia evoluem espontaneamente para a cura.

Na maior parte dos casos é possível um controlo absoluto, desde que os doentes sigam as instruções recomendadas pelo médico.

O aparecimento de novos fármacos e o recurso a outros tipos de tratamento permitem manter uma esperança de diminuição progressiva do número de doentes não controlados.

Como se trata a Epilepsia?
Uma vez que as crises acontecem subitamente, é necessário manter o doente constantemente sobre acção dos medicamentos.

Normalmente, um único fármaco controla completamente as crises na maioria dos doentes, sendo rara a necessidade de recorrer a um segundo fármaco.

Os epilépticos devem ter alguma dieta especial?
Uma alimentação saudável evitando bebidas alcoólicas é o mais aconselhado, pois o álcool diminui a eficácia dos medicamentos.

Os epilépticos podem trabalhar?
Sim, os epilépticos podem e devem trabalhar. Contudo há que ter em atenção algumas profissões que podem por em risco a sua integridade física, no caso de uma eventual crise, se estas não estiverem totalmente controladas.

Os epilépticos podem fazer desporto?
O mergulho e o alpinismo são apenas dois exemplos de desportos que nenhuma pessoa com Epilepsia deve praticar. O ciclismo, a natação e o hipismo são outros exemplos de desportos que podem acarretar alguns riscos na eventualidade de uma crise. O desporto é saudável para todos e neste caso a ajuda médica para a escolha de um desporto adequado é essencial.

Os epilépticos podem ter filhos?
Ter Epilepsia não é impedimento para ter filhos, contundo a situação deverá ser avaliada pelo respectivo médico de família, pois existem algumas medidas a tomar para que não aconteçam consequências desagradáveis para a criança.

O risco para o filho de um doente com Epilepsia vir a ter a doença é semelhante ao da população em geral, desde que o outro progenitor não tenha também história de Epilepsia na família directa.

Os epilépticos podem estudar?
Não existe qualquer diminuição da capacidade intelectual num doente com Epilepsia, logo a escolaridade deve ser a normal de qualquer criança.

Em casos em que a Epilepsia tenha de alguma forma provocado lesões cerebrais, criando um atraso no desenvolvimento, a aprendizagem deverá ser adaptada às suas capacidades.

Fonte: 
epilepsia.pt
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
ShutterStock