Mutilação Genital Feminina

Educar, Formar, Intervir e Prevenir!

Atualizado: 
06/02/2017 - 10:07
A Organização Mundial de Saúde (OMS) consagrou que, no dia 6 de Fevereiro, deve ser relembrada e feita sensibilização de tolerância zero contra a prática da mutilação genital feminina.

Esta prática “atroz”, realizada em meninas à nascença, ou em idades mais tardias, até aproximadamente os 14 anos de idade, consiste na excisão/remoção de partes do órgão genital feminino, nomeadamente o clitoris, corte dos grandes e pequenos lábios e, muitas das vezes, implicando o fecho  da entrada da vagina.

Algumas religiões/culturas, acreditam, que após esta prática, a mulher será mais pura e terá filhos mais saudáveis (os genitais não tocarão na cabeça do bebe aquando do parto, evitando doenças).

Está apta a aumentar o prazer sexual do seu parceiro ... procurando, assim, garantir a integração e o reconhecimento social destas mulheres na cultura em que se inserem. Crenças que de um modo geral representam uma forte discriminação do género feminino socialmente.

Mulheres, que façam parte destas culturas, sofrem em silêncio, aceitando a sua identidade cultural mesmo que seja de um modo abrupto, doloroso, a frio… sem senso nem nexo.

Infelizmente, sabemos que a ação de mutilação genital feminina, apenas traz dor, trauma, destruição de um desenvolvimento psicosexual saudável e, em algumas situações, complicações de saúde graves.

O que pode ser feito? Educar, Formar, Intervir e Prevenir! Sabia que …. Hoje em dia, cada ano que passa, continua a existir o risco de milhões de mulheres e meninas serem mutiladas sexualmente?

A mutilação genital envolve questões sociais, religiosas, políticas?

Em pleno século XXI, ainda existem locais onde é efetuada esta prática ancestral e que constitui uma violação GRAVE dos direitos humanos, discriminando as mulheres e a sua integridade sexual.

Cabe a cada um de nós, quebrar o silêncio e falar sobre este ato, ajudando a dissipar tabus, e erradicar costumes que em nada beneficiam o desenvolvimento humano e bem estar do próprio.

Nós…. Profissionais de saúde, temos o dever de tornar presente a erradicação desta prática! Estamos muito próximos da população, e dos seus hábitos culturais.

Escutar para intervir é fundamental em populações que ainda consideram esta prática necessária, por acreditarem em mitos que em nada são verdadeiros.

A vida futura da intimidade de uma menina, está nas nossas mãos!

Alterar comportamentos, educar sobre o desenvolvimento psicosexual afigura-se preponderante, permitindo que se torne evidente a importância da vida intima e sexual destas meninas e futuras mulheres.

Seja ativo socialmente, e não permita que os direitos humanos, neste caso da mulher, sejam devassados por crenças erróneas!

Autor: 
Dr.ª Vera Ribeiro - Sexóloga
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Pixabay e ONU