Dia Mundial da Prematuridade assinala-se amanhã

1 em cada 10 bebés nasce prematuro

Assinala-se no dia 17 de Novembro, o 10º aniversário do Dia Mundial da Prematuridade, a iniciativa foi comemorada pela primeira vez em 2008, é promovida pela EFCNI (European Foundation for the Care of Newborn Infants), plataforma criada em abril de 2008, a nível europeu. A prematuridade é definida como o nascimento com menos de 37 semanas de gestação. Em todo o mundo cerca de 10% de todos os bebés nascem prematuros, o que equivale a que mais de um bebé em cada dez é prematuro.

Em Portugal, segundo dados do INE, em 2016 registou-se um acréscimo da percentagem de nados-vivos prematuros (com menos de 37 semanas de gestação), de 7,4% para 7,8%; com menos de 32 semanas nascem cerca de 1000 bebés por ano. As percentagens superiores ao valor nacional verificaram-se nas mães com menos de 20 anos e com mais de 34 anos. A idade materna extrema é uma das causas conhecidas de prematuridade, havendo outras causas importantes como a raça negra, baixo nível socioeconómico, índices de massa corporal extremos, gravidez múltipla, malformações uterinas, placenta prévia, tabagismo, infeções pélvicas/abdominais, parto pré-termo anterior (PPT), conização, etc. De todos estes fatores o que mais se associa a risco de PPT é a existência de PPT na gravidez anterior. Assim, uma grávida que tenha tido um PPT na gravidez anterior tem o risco de 30% de voltar a ter um PPT. Se tiver tido 2 PPT o risco aumenta para 60%. No entanto, a grande maioria dos PPT ocorre em mulheres sem qualquer fator de risco identificado.

A prevenção do parto prétermo inclui algumas medidas que, do ponto de vista obstétrico, podem ser utilizadas em grupos de risco. Quando se prevê o parto prétermo estão habitualmente indicadas tocólise (medicação que diminui as contrações uterinas) cuja utilidade é sobretudo a de permitir a administração de corticoides à grávida. Os corticoides utilizados são a betametasona ou a dexametasona. Estes devem ser administrados entre as 24 e as 34 semanas de gestação e permitem diminuir a incidência de síndrome de dificuldade respiratória, de enterocolite necrotizante, de hemorragia intraventricular e de mortalidade neonatal. Está também indicada a utilização de sulfato de magnésio até às 32 semanas como neuroprotecção, pois há vários estudos que demonstram a sua eficácia na redução da paralisia cerebral nos prematuros.

O nascimento prematuro tem implicações importantes na morbilidade destes recém-nascidos, o seu nascimento deve ser preferencialmente em unidades de cuidados neonatais diferenciados. A imaturidade dos vários órgãos, nomeadamente cérebro, pulmão e intestino obriga a uma intervenção altamente diferenciada. O limiar de sobrevida (definido como sobrevivência de mais de 50%) situa-se em Portugal nas 25 semanas de gestação e nos cerca de 600g de peso ao nascer, taxas estas que são comparáveis às taxas internacionais.

A qualidade dos cuidados necessários aos prematuros nas unidades neonatais portuguesas segue as boas práticas internacionais, o que nos coloca, desde há vários anos, nos valores mais baixos da mortalidade neonatal dos países europeus. Destacam-se nestes cuidados o nascimento em unidades diferenciadas, a utilização do surfactante, a ventilação minimamente invasiva, a nutrição parentérica personalizada, a administração de leite materno o mais precocemente possível e a presença dos pais nas unidades de cuidados neonatais.

Ainda estamos um pouco longe das unidades neonatais com quartos familiares existentes em alguns países nórdicos e norte-americanos, em que após a estabilização do bebé, a família passa a viver no hospital e a prestar os cuidados durante 24 horas. No entanto, os cuidados para o desenvolvimento, que incluem várias medidas, com destaque para o método canguru, manipulação mínima, regulação da luz e do ruído, massagem, posicionamento adequado e amamentação, são utilizadas de forma universal nas unidades neonatais portuguesas e contribuem para uma melhoria na qualidade de vida destes bebés e das suas famílias. O contacto pele-a-pele através do método canguru é uma das formas de aproximar o ambiente externo ao ambiente intrauterino, através da voz da mãe, dos sons orgânicos, do cheiro materno transmitido pelo ar e pelo leite da mãe. O recém-nascido (RN) sente os movimentos maternos e os seus próprios movimentos espontâneos que são contidos pela pele materna (tal como acontecia in-útero). O biorritmo materno é de alguma forma transmitido ao RN pela audição dos batimentos cardíacos maternos, pela temperatura corporal da mãe e pelas hormonas transportadas no leite.

A presença da família nas unidades de cuidados neonatais é um dos pontos mais importantes na prestação dos cuidados aos prematuros e melhora o prognóstico a longo prazo.

Dr. Manuel Cunha - Neonatologista Coordenador do Departamento da Criança do Hospital de Cascais
Nota: 
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