Carinho e ciência

Veterinária explica como a ‘hormona do amor’ fortalece o vínculo entre animais e tutores

No Dia de São Valentim, celebra-se o amor através de gestos e decisões. As ruas enchem-se de flores, chocolates e presentes, mas o amor manifesta-se de muitas formas e vai muito além das relações românticas. Uma das expressões mais profundas do afeto acontece entre tutores e os seus patudos, onde a ligação afetiva não se limita ao cuidado diário, mas envolve uma conexão emocional que influencia o bem-estar físico e psicológico de ambos.

A base científica dessa ligação está relacionada com a oxitocina, uma hormona produzida pelo cérebro, vulgarmente conhecida como a ‘hormona do amor’. Nos animais, esta substância desempenha um papel central na criação de laços afetivos, pois regula emoções, promove comportamentos equilibrados e fortalece a confiança, funcionando como um mediador natural do vínculo, capaz de tornar as relações mais harmoniosas e saudáveis.

 

“O amor é simultaneamente uma experiência emocional e uma resposta fisiológica. Cada gesto de atenção, brincadeira ou cuidado ativa mecanismos no cérebro que fortalecem os vínculos e promovem equilíbrio emocional”, explica Elena Díaz, médica veterinária na Kivet, clínicas veterinárias da Kiwoko.

 

“A oxitocina atua como um elo biológico, convertendo esses momentos de afeto em vínculos duradouros e reforçando a sensação de proteção e bem-estar”, conclui a médica veterinária.

 

Impacto da oxitocina no comportamento e no bem-estar

O efeito da oxitocina estende-se diretamente ao comportamento social e à capacidade de adaptação dos animais. Cães e gatos que recebem atenção e interações regulares apresentam maior sociabilidade, demonstram maior confiança e são mais capazes de lidar com alterações no ambiente ou na rotina. Esta hormona atua como um modulador do stress, promovendo respostas comportamentais equilibradas e prevenindo sinais de ansiedade ou desconforto. Consequentemente, a presença consistente de interações afetivas influência positivamente a qualidade de vida do animal e fortalece a relação com o tutor.

 

Como estimular a oxitocina no dia a dia

A estimulação da oxitocina deve ser incorporada nas interações diárias de forma consistente e estruturada. Momentos de carinho, sessões de brincadeira, passeios regulares ao ar livre e atividades de treino positivo são estratégias eficazes para aumentar a libertação desta hormona. A previsibilidade e a segurança do ambiente são determinantes, uma vez que animais que se sentem seguros e compreendidos respondem de forma mais positiva às interações com os tutores. A qualidade das experiências diárias é tão importante quanto a quantidade de tempo dedicado, sendo a consistência e a atenção aos sinais do animal fatores-chave para fortalecer a ligação.

 

Benefícios para tutores

O reforço do vínculo através da oxitocina proporciona benefícios significativos tanto para os animais como para os humanos. Os tutores experienciam maior bem-estar psicológico, redução do stress e satisfação na relação com os seus animais. Esta relação recíproca cria um ciclo positivo, onde o cuidado, a atenção e o afeto se reforçam mutuamente, promovendo uma convivência harmoniosa e duradoura.

 

A oxitocina e a qualidade de vida

A aplicação prática do conhecimento sobre a oxitocina permite melhorar substancialmente a qualidade de vida de ambos. Animais emocionalmente equilibrados têm melhor saúde física e comportamental, enquanto tutores beneficiam de uma relação mais gratificante e harmoniosa. Criar momentos de interação intencional e consistente transforma o cuidado diário numa experiência que promove bem-estar, confiança e estabilidade emocional.

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