Três erros comuns no treino que afetam a sua audição

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de mil milhões de jovens e jovens adultos, entre os 12 e os 35 anos, correm o risco de sofrer perda auditiva permanente e evitável devido a práticas de audição inseguras¹. Na Europa, o problema é real: cerca de 196 milhões de pessoas vivem com perda auditiva, número que a OMS prevê que aumente para 236 milhões até 2050². Com a chegada do verão, multiplicam-se os treinos ao ar livre e as idas ao ginásio. O que muitos desportistas não sabem é que ouvir música em volume alto para manter o ritmo, um dos hábitos mais comuns durante o exercício, pode danificar a audição de forma gradual. E o mais irónico: acaba por anular um dos benefícios menos conhecidos do próprio desporto.
O ouvido interno é uma zona com muitos vasos sanguíneos, o que faz do exercício físico um aliado natural da audição. A OMS inclui-o entre os fatores protetores da saúde auditiva³. Mas este benefício perde-se quando, para abafar o ruído à volta, se sobe o volume dos auriculares para níveis que os especialistas consideram de risco em caso de exposição prolongada (a partir dos 85 decibéis)*. O que era um hábito saudável passa a ser um problema.
Os especialistas em audição da Widex identificam os três erros mais frequentes no treino e explicam como corrigi-los:
1. O perigo dos auriculares: a regra dos “60/60” Treinar com música motiva, mas o volume excessivo cobra um preço. A recomendação, em linha com a iniciativa “Make Listening Safe” da OMS⁴, é simples: manter o volume abaixo de 60% da capacidade máxima do dispositivo e não ultrapassar 60 minutos seguidos. Para quem não abdica de banda sonora no treino, já existem auriculares para contexto desportivo que permitem ouvir música sem isolar completamente do ambiente.
2. Ginásios: música alta e esforço físico Aulas de grupo e salas de musculação têm frequentemente a música acima dos níveis recomendados. O esforço físico intenso faz subir a pressão sanguínea, o que torna as células do ouvido interno mais expostas ao ruído nesse momento. Um zumbido ou a sensação de “ouvido tapado” ao sair do treino não é normal: é um sinal de alerta. A solução passa por reduzir o tempo de exposição ou usar protetores auditivos nestes ambientes.
3. Desportos de contacto: o risco de impacto Basquetebol, futebol e artes marciais são modalidades praticadas no verão, todas com risco de quedas e colisões. Uma pancada na cabeça ou na orelha pode causar danos no tímpano ou no ouvido interno. Quem pratica estas modalidades deve usar proteção e procurar um audiologista se, após um impacto, sentir dor, tonturas ou notar alterações na audição.
“O desporto é um bom aliado da saúde auditiva, mas é preciso treinar com consciência”, afirma Fernando Torres, audiologista na Widex. “Temos visto um aumento de casos de perda auditiva em idades jovens, ligados à exposição a volumes altos durante o lazer. Mudanças pequenas fazem uma diferença real: respeitar os limites de volume e dar descanso aos ouvidos depois do treino.”
A OMS estima que, até 2050, quase 2,5 mil milhões de pessoas terão algum grau de perda auditiva e que mais de 700 milhões vão precisar de reabilitação³. A prevenção continua a ser a melhor resposta.
* A partir dos 85 decibéis (dB), sempre que se aumenta 3 dB, a exposição ao ruído deve diminuir drasticamente, explica Fernando Torres.
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Nível sonoro |
Tempo máximo recomendado |
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85 dB |
8 horas |
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88 dB |
4 horas |
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91 dB |
2 horas |
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94 dB |
1 hora |
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97 dB |
30 minutos |
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100 dB |
15 minutos |
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103 dB |
7,5 minutos |
