TERRA apresenta no ISA primeiro forno de biochar da Europa dedicado ao processamento de Rugulopteryx okamurae

Investigadores do Laboratório Associado TERRA, através das suas unidades de investigação LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food e Centro de Estudos Florestais (CEF), apresentaram no Instituto Superior de Agronomia (ISA) um forno de biochar dedicado ao processamento da alga invasora Rugulopteryx okamurae. A demonstração decorreu durante uma visita de trabalho na sexta‑feira, 8 de maio, que reuniu representantes dos municípios de Cascais, Sintra, Olhão, Faro e Portimão.
A proliferação da Rugulopteryx okamurae tem provocado impactos ambientais, económicos e sociais significativos no litoral português — desde a perda de biodiversidade marinha à acumulação de grandes volumes de biomassa nas praias, com maus odores, impacto no turismo e constrangimentos para atividades como a pesca, o mergulho ou o surf.
O forno de biochar apresentado foi concebido para responder aos desafios colocados pela Rugulopteryx okamurae — o primeiro deste tipo instalado na Europa —, cuja elevada concentração de enxofre e cloro inviabiliza o uso de equipamentos metálicos devido à corrosão. Construído em alvenaria e com um volume interno de 1 m³, o sistema permite uma carbonização de baixo custo e elevada eficiência. O processo ocorre a temperaturas até aos 400ºC, funciona com alimentação a madeira e decorre ao longo de 1,5 a 2 dias, seguido de um período de arrefecimento hermético de cerca de 48 horas para evitar a entrada de oxigénio. O objetivo é produzir um biochar com características específicas, rico em microconstituintes benéficos para os solos e para as plantas. Em testes anteriores com biomassa de madeira, o sistema apresentou um rendimento de 33% na produção de biochar, demonstrando o seu potencial para a valorização sustentável da alga invasora.
Para Duarte Neiva, investigador do CEF/TERRA e supervisor científico do projeto, o forno representa uma solução inovadora para um desafio técnico complexo:
“É um sistema aparentemente rudimentar, mas não de baixa tecnologia estando altamente otimizado para lidar com biomassas cuja composição é potencialmente corrosiva."
Ciência aplicada ao serviço do território
Desde junho de 2024, o Instituto Superior de Agronomia, a Câmara Municipal de Cascais e a startup OffKelp mantêm uma parceria para analisar a viabilidade de transformar esta alga invasora em produtos de valor acrescentado, como biofertilizantes. A iniciativa integra‑se na Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae, que mobiliza entidades públicas, académicas e empresariais para enfrentar os impactos ambientais e operacionais causados pela proliferação da espécie no litoral português.
A visita de dia 8 de maio contou com a presença da Presidente do Conselho de Coordenadores do TERRA, Teresa Ferreira, do diretor executivo do TERRA, Paulo Branco, da investigadora do LEAF, Isabel Sousa, do CEO da OffKelp, Pedro Melo, do engenheiro Carlos de Sousa, dos responsáveis científicos do projeto — o doutorando Pedro Coelho e os seus supervisores Duarte Neiva (CEF) e Rita Fragoso (LEAF) — bem como de representantes das Câmaras Municipais de Cascais, Sintra, Olhão, Faro e Portimão.
Para Paulo Branco, diretor executivo do TERRA, este projeto demonstra o papel central da investigação científica na resposta aos desafios ambientais do país:
“O TERRA existe para responder aos desafios reais do território, e é isso que continuamos a fazer. Esta colaboração com as autarquias e com os nossos parceiros científicos e empresariais demonstra que a ciência aplicada pode — e deve — estar ao serviço das comunidades e do poder local.”
