Sinais silenciosos dos tumores do ovário

A sua cadela pode ter um problema que não vê?

Algumas doenças em medicina veterinária podem evoluir de forma lenta e pouco evidente, sem manifestações clínicas claras nas fases iniciais. Entre estas, os tumores do ovário em cadelas destacam-se pela sua natureza silenciosa, podendo desenvolver-se sem sinais externos evidentes durante longos períodos, o que dificulta a sua deteção precoce.

Este carácter pouco específico torna-se ainda mais relevante quando se consideram os perfis mais frequentemente afetados. A situação é observada sobretudo em fêmeas idosas não esterilizadas, devido à exposição hormonal prolongada ao longo da vida. No entanto, não é exclusiva deste grupo, podendo surgir também noutros casos, o que reforça a importância de uma vigilância clínica constante em qualquer cadela, independentemente da idade ou historial reprodutivo.

“A grande dificuldade nestes casos é que o organismo pode manter uma aparência funcional durante muito tempo, mesmo na presença de alterações internas significativas”, explica António Dias, médico veterinário na Clinicanimal, clínicas veterinárias da Tiendanimal.

“A avaliação periódica e o recurso a métodos de diagnóstico imagiológico são fundamentais para identificar alterações que não são visíveis externamente”, conclui António Dias.

 

Alterações reprodutivas pouco valorizadas

Um dos primeiros sistemas onde podem surgir alterações é o comportamento reprodutivo. Podem verificar-se irregularidades nos cios, mudanças na sua duração ou mesmo ausência de manifestação, sinais que podem ser iniciais, mas que são frequentemente subtis e facilmente desvalorizados. Estas alterações são muitas vezes interpretadas como variações hormonais fisiológicas ou associadas a outras condições endócrinas, o que pode atrasar a investigação clínica e a identificação da causa subjacente.

 

Sinais gerais e pouco específicos

À medida que a condição evolui, podem surgir sinais inespecíficos como diminuição do apetite, perda gradual de condição corporal, fadiga ou redução da atividade habitual. Por serem alterações comuns a várias patologias, nem sempre são imediatamente associadas a um problema ginecológico, o que contribui para a sua deteção tardia.

 

Alterações abdominais progressivas

Com a progressão da doença, pode ocorrer aumento discreto e progressivo do volume abdominal. Este sinal pode ser confundido com aumento de peso, retenção de líquidos ou alterações associadas à idade. A ausência de dor evidente ou de sinais agudos contribui frequentemente para a subvalorização desta alteração.

 

Dor à palpação abdominal e desconforto localizado

Em alguns casos, pode ser possível identificar sensibilidade ou dor à palpação da região abdominal. A cadela pode reagir de forma discreta ao toque, evitar o contacto nessa zona ou apresentar alterações posturais que sugerem desconforto. Este tipo de sinal é particularmente relevante porque, embora possa ser subtil, indica frequentemente envolvimento interno mais significativo e deve ser sempre valorizado em contexto clínico.

 

Secreção vaginal anormal

Outra alteração possível é o aparecimento de secreção vaginal fora do padrão habitual. Esta pode variar em aspeto e quantidade, podendo ser discreta ou mais evidente, e nem sempre está associada a sinais sistémicos imediatos. A presença de secreção anormal deve ser sempre considerada um sinal de alerta, podendo estar relacionada com alterações do trato reprodutor que requerem avaliação veterinária para diagnóstico diferencial e despiste de patologias subjacentes.

 

Importância da vigilância clínica

A deteção precoce de alterações discretas depende da observação contínua da cadela e da valorização de pequenas, mesmo quando pouco evidentes. As consultas veterinárias regulares permitem integrar a observação do tutor com o exame clínico e recorrer, quando necessário, a meios complementares de diagnóstico, aumentando as hipóteses de identificação precoce e intervenção atempada.

 

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