Como se reflete na saúde oral ao regressar à rotina

Stress pós-férias

O ritmo de vida, o stress com a situação económica, do trabalho ou dos estudos e problemas emocionais, são considerados os maiores sintomas causadores de bruxismo.

O regresso das férias traz de volta as rotinas, as responsabilidades e as preocupações que tinham ficado temporariamente em segundo plano. Este processo de adaptação, popularmente conhecido como depressão pós-férias, não equivale por si só a uma depressão clínica, embora possa vir acompanhado de cansaço, irritabilidade, alterações do sono ou sensação de esgotamento. 

“O problema costuma surgir quando se tenta recuperar de uma só vez o mesmo nível de exigência anterior às férias. A acumulação de tarefas e a redução do descanso mantêm o organismo num estado de alerta que por vezes se manifesta através de irritabilidade, pior qualidade de sono ou tensão muscular”, explica Soledad Scarcella, psicóloga da Blua de Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora Bupa.

A boca é uma das zonas onde essa ativação se torna visível. Segundo um estudo publicado recentemente, o stress é o fator que mais afeta a saúde oral. Entre os sinais mais identificados durante as fases de maior pressão surgem a tensão mandibular, e o ato de apertar ou ranger os dentes.

Este hábito pode ocorrer durante o sono ou enquanto a pessoa permanece concentrada. Quando se mantém, chega a causar desgaste dentário, sensibilidade, dor mandibular ou dores de cabeça. Em determinados casos, uma goteira de oclusão serve para proteger os dentes, mas deve ser indicada após avaliação do funcionamento mandibular e do estado da dentição. Além disso, esta medida não substitui a abordagem da tensão emocional.

Os dados do estudo não permitem atribuir cada lesão unicamente ao stress, mas mostram que a sobrecarga coincide por vezes com hábitos e respostas físicas que prejudicam a saúde oral. A redução da frequência de escovagem favorece a acumulação de placa bacteriana, enquanto o consumo frequente de snacks e alimentos açucarados prolonga a exposição dos dentes aos ácidos produzidos pelas bactérias.

“Há doentes que chegam à consulta com dor mandibular, sensibilidade ou uma pequena fratura sem terem identificado que apertam os dentes. Convém também recordar que o sangramento das gengivas costuma indicar inflamação e requer uma avaliação própria. Atribuir todo o desconforto aos nervos atrasa, em alguns casos, o diagnóstico de um problema oral”, assinala Lorena Trinidad, da Sanitas Dental.

Para proteger a saúde oral durante o regresso à rotina, os especialistas da Sanitas Dental recomendam:

  • Relaxar a mandíbula durante o dia. Convém verificar várias vezes se os lábios estão juntos e os dentes afastados. A língua deve apoiar-se no palato durante alguns segundos.

     

  • Praticar uma abertura controlada. À frente de um espelho, abre-se a boca devagar e em linha reta. O exercício pode ser repetido cinco vezes de manhã e à noite. Deve ser interrompido se provocar dor.

     

  • Aplicar calor local. Uma compressa morna sobre a mandíbula durante dez a quinze minutos ajuda a relaxar a musculatura. Depois, convém massajar suavemente a zona.

     

  • Reduzir o esforço ao mastigar. Se houver dor, convém escolher alimentos macios e cortá-los em pedaços pequenos. Recomenda-se também evitar pastilhas elásticas e deixar de roer as unhas, morder canetas ou outros objetos.

     

  • Agir perante a boca seca. Beber água com frequência ajuda a manter a hidratação. Convém também moderar o consumo de cafeína e álcool.

“Prestar atenção a estes sinais permite agir antes que o problema avance. Quando o desconforto surge de forma recorrente, uma avaliação médica dentária, seja presencial ou através de consulta por vídeo, ajuda a identificar a sua origem e a decidir se basta ajustar hábitos ou se é necessário iniciar um tratamento específico”, conclui Lorena Trinidad, da Sanitas Dental.

 

Fonte: 
LLYC
Nota: 
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