Ordem dos Nutricionistas

Relatório mostra integração dos profissionais na hospitalização privada, mas evidencia desafios na organização dos Serviços de Nutrição

A Ordem dos Nutricionistas acaba de publicar o relatório “Caracterização do Serviço de Nutrição na Hospitalização Privada”, que retrata, pela primeira vez, os Serviços de Nutrição em unidades hospitalares privadas em Portugal e identifica oportunidades de melhoria na organização dos cuidados e na dotação de recursos humanos. Das 14 instituições participantes, 92,9% integram nutricionistas há mais de cinco anos.

A presença e integração dos nutricionistas nas unidades hospitalares privadas em Portugal, a organização dos Serviços de Nutrição, a atividade desenvolvida e os principais desafios ao exercício profissional são alguns dos aspetos analisados no mais recente relatório da Ordem dos Nutricionistas, Caracterização do Serviço de Nutrição na Hospitalização Privada. O estudo procura contribuir para o conhecimento de uma realidade ainda pouco estudada no país e evidencia uma presença consolidada dos nutricionistas na hospitalização privada, mas também diferenças significativas entre instituições e desafios na implementação e prática dos cuidados nutricionais.

“Este estudo permite-nos fazer uma primeira avaliação e perceber que os nutricionistas estão hoje integrados na resposta hospitalar privada, sendo a sua intervenção muito além da consulta de Nutrição. Estão presentes no internamento, no suporte nutricional artificial, no ambulatório, na formação das equipas e na articulação multidisciplinar. É precisamente por reconhecermos esta abrangência que importa garantir que os Serviços de Nutrição estão devidamente estruturados e que dispõem de recursos humanos adequados às necessidades dos utentes”, afirma a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa.

Os principais desafios identificados pelos participantes estão relacionados com a insuficiência de recursos humanos face ao número de utentes, camas e complexidade dos casos clínicos, o elevado volume de trabalho, as dificuldades na articulação multidisciplinar e as limitações no acesso à informação clínica. Foram ainda referidas a necessidade de maior valorização do papel do nutricionista no contexto hospitalar e a ausência de uma carreira profissional estruturada.

“Os resultados mostram uma realidade com sinais muito positivos, mas também com margem para consolidar e uniformizar a organização dos cuidados de Nutrição. A existência de Serviços de Nutrição devidamente estruturados, com autonomia técnico-científica, integração nas equipas multidisciplinares e uma dotação adequada de nutricionistas é essencial para assegurar cuidados seguros, de qualidade e centrados nas necessidades de cada pessoa. Este é um desafio que deve ser assumido por todo o setor da saúde, incluindo a hospitalização privada”, acrescenta Liliana Sousa.

As principais conclusões do relatório mostram que os nutricionistas estão já integrados na hospitalização privada e assumem uma intervenção transversal nos cuidados de saúde, mas evidenciam também diferenças na organização dos Serviços de Nutrição.  Em 57,1% das unidades participantes, o Serviço de Nutrição depende hierarquicamente da Direção Clínica e, em metade das unidades, a coordenação é assegurada por um nutricionista. Relativamente à autonomia técnico-científica, 64,3% das unidades referiram dispor de condições para o exercício independente da atividade. Apenas 42,9% das unidades reportaram cumprir simultaneamente estas três condições.

Outro dos resultados que se destaca é a elevada taxa de implementação da identificação do risco nutricional: 92,9% das unidades hospitalares participantes referem a necessidade de identificar precocemente situações de risco nutricional nos diferentes níveis de cuidados do Serviço Nacional de Saúde. Para a Ordem dos Nutricionistas, este resultado mostra que a identificação atempada do risco nutricional é já reconhecida como uma etapa importante dos cuidados de saúde, permitindo sinalizar mais cedo os utentes que necessitam de intervenção nutricional e de um acompanhamento adequado.

Também na Nutrição Artificial os nutricionistas assumem um papel relevante: a prescrição de Nutrição Artificial é realizada por nutricionistas em todas as unidades participantes. No entanto, a existência de Grupos de Nutrição Entérica e Parentérica (GNEP) encontra-se ainda pouco implementada: 78,6% das unidades indicaram não dispor desta estrutura e apenas uma unidade reportou ter um GNEP plenamente implementado.

A Ordem dos Nutricionistas considera que esta caracterização constitui um primeiro passo para aprofundar o conhecimento sobre esta realidade e reforça a importância de continuar a investir em Serviços de Nutrição devidamente estruturados e dotados de recursos adequados.

 

Fonte: 
Silver Lining
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.