Aliança Millions Missing

Relatório da OCDE reforça urgência de respostas sociais estruturadas para pessoas com Covid longa e síndromes pós-virais

A Aliança Millions Missing (AMM), que representa pessoas afetadas por síndromes pós-infeciosas, considera que o relatório apresentado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) vem reforçar, com novos dados, a urgência de respostas estruturadas para a COVID Longa e outras condições pós-infeciosas em Portugal, como a Encefalomielite Miálgica/Síndrome de Fadiga Crónica (EM/SFC).

Para a AMM, o relatório da OCDE deve ser um ponto de viragem para a ação política e institucional em Portugal, nomeadamente na criação de respostas sociais face ao impacto profundo na vida das pessoas afetadas, incluindo perda de autonomia, dificuldades laborais e estigmatização social.

O relatório “Abordar os custos e a atenção da Covid longa: A longa sombra da pandemia”, ontem conhecido, reconhece estas dificuldades e recomenda o reforço do diagnóstico, do tratamento e do atendimento sanitário para os pacientes, bem como o apoio social para melhorar a sua saúde, facilitar a sua reinserção no mercado de trabalho e reduzir as perdas económicas.

“Este relatório mostra que ignorar estas doenças tem custos elevados a título humano, social e económico. É fundamental que Portugal não continue atrasado na resposta a estas condições”, afirma Joan Serra Hoffman, co-fundadora da AMM.

De acordo com este relatório, a Covid longa provoca a interrupção do emprego de um em cada cinco trabalhadores afetados, podendo custar às economias da OCDE até 135 mil milhões de dólares por ano na próxima década, sobretudo devido à redução da produtividade e à saída de doentes do mercado de trabalho.

A 15 de março, no Dia da Consciencialização para a Covid Longa, a AMM já tinha alertado para a necessidade urgente de reconhecimento clínico e institucional destas doenças ainda invisíveis em Portugal.

A associação recorda que a Covid Longa integra o grupo das síndromes pós-infeciosas (PAIS), que são condições multissistémicas que podem provocar fadiga extrema, mal-estar pós-esforço, disfunção cognitiva, intolerância ortostática, distúrbios do sono e dor musculoesquelética, sendo frequentemente altamente incapacitantes.

Estudos indicam que a qualidade de vida das pessoas com EM/SFC é comparável (e por vezes inferior) à de pacientes com cancro de pulmão, insuficiência renal crónica ou esclerose múltipla.

Apesar da dimensão do problema, a AMM sublinha que Portugal continua sem estimativas epidemiológicas robustas, sem linhas de cuidados específicas e com insuficiente formação dos profissionais de saúde nesta área. A ausência de biomarcadores diagnósticos e o desconhecimento clínico contribuem para atrasos significativos no diagnóstico e para a desvalorização dos sintomas.

 

A AMM defende três prioridades fundamentais, alinhadas com as recomendações agora reforçadas pela OCDE:

• Reconhecimento científico e institucional da EM/SFC e da Covid Longa como síndromes pós-infeciosas multissistémicas;

• Reorientação terapêutica baseada em evidência, com foco na gestão segura dos sintomas e acompanhamento multidisciplinar;

• Integração destas condições em políticas públicas, incluindo formação de profissionais, desenvolvimento de protocolos clínicos e criação de centros de referência.

 

Fonte: 
wlpartners
Nota: 
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