Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

Proposta de Reforma Hospitalar ao Ministério da Saúde

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), profundamente preocupada com o atual modelo de gestão clínica hospitalar em Portugal, vai apresentar ao Ministério da Saúde e Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde uma Proposta de Reforma Hospitalar.

A pressão crescente e sustentada sobre os serviços de urgência e de internamento médico constitui, um dos mais sérios desafios enfrentados pelos hospitais portugueses. A afluência contínua de doentes com patologia médica aguda, frequentemente associada a multimorbilidade, fragilidade e complexidade social, ultrapassa claramente a capacidade de resposta dos modelos organizativos em vigor, afirma Luís Duarte Costa, Presidente da SPMI.

A SPMI reafirma a Medicina Interna como o pilar fundamental dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), assegurando a maior fatia da assistência em episódios de urgência e internamento. No entanto, o atual paradigma de gestão tem revelado sinais de exaustão, com repercussões diretas na eficiência assistencial e no bem-estar dos profissionais. Os próprios planos de contingência dos hospitais ilustram esta situação.

Segundo Luís Duarte Costa, “no contexto atual, a Medicina Interna não consegue, isoladamente, dar resposta à dimensão e complexidade do problema que os hospitais enfrentam nos picos de afluência. Tal não resulta de limitações da especialidade, mas da natureza sistémica do desafio, que envolve todo o hospital enquanto organização global. É imperativo operar uma transformação profunda na forma como pensamos e gerimos as instituições de saúde”.

Na proposta de Reforma Hospitalar, elaborada por Antonio Oliveira e Silva, António Martins Baptista e Luís Duarte Costa, a SPMI sistematiza as fragilidades da atual governação clínica, apresenta soluções estruturantes para a reorganização dos serviços e, propostas para a valorização da polivalência e da centralidade do internista no percurso do doente.

A Medicina Interna está disponível para assumir a liderança clínica que o hospital moderno exige. Essa liderança só será eficaz se for reconhecida, estruturada e sustentada por uma responsabilidade institucional partilhada.

A SPMI acredita que a implementação das medidas propostas é vital para garantir a sustentabilidade do SNS e a qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos.

Para os autores desta proposta “o momento atual exige uma resposta diferente: institucional, integrada e orientada para o futuro. A crise não pode continuar a ser apenas gerida. Deve ser enfrentada — e transformada”.

 

Fonte: 
Miligrama
Nota: 
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