Portugueses têm dificuldade em identificar sintomas menos típicos de enfarte agudo do miocárdio

De acordo com os resultados, no que respeita ao EAM, a dor no peito que irradia para o braço, pescoço, costas ou estômago é o sintoma mais reconhecido, referido por 76% dos inquiridos. Já o desconforto no peito súbito e persistente é associado ao enfarte por 47% da amostra. No entanto, sintomas menos específicos, como suores, falta de ar, ligeira dor de cabeça ou mal-estar geral, mais frequentes em mulheres, são reconhecidos apenas por 21% dos inquiridos.
Perante um possível enfarte, a maioria das pessoas inquiridas (96%) refere que deve ligar para o 112. Ainda assim, medidas como parar a atividade, sentar-se e tentar acalmar-se para reduzir o esforço cardíaco são pouco conhecidas, sendo identificadas por menos de 20% dos inquiridos.
O estudo mostra ainda que a maioria (91%) reconhece a hipertensão arterial e o colesterol elevado como fatores de risco para o EAM, seguidos do tabagismo (78%) e da história familiar de doença cardíaca (76%), enquanto apenas 45% identifica a diabetes como fator de risco.
Sobre o risco cardiovascular em pessoas que já tiveram um episódio vascular, apenas 14% dos inquiridos sabe que é necessário garantir que o colesterol LDL se mantém abaixo dos 55 mg/dL, por forma a prevenir outro enfarte, para além de deixar de fumar, controlar a tensão arterial, adotar uma alimentação saudável e tomar a medicação.
Relativamente ao AVC, o estudo conclui que maioria dos inquiridos identifica os sinais mais percetíveis como perda de força num membro, discurso pouco coerente ou desvio da boca para um dos lados, reconhecendo também a necessidade de contactar o 112 de imediato. Quanto aos fatores de risco, a maior parte das pessoas inquiridas refere a hipertensão arterial, a história familiar e o tabagismo, sendo menos os que identificam a fibrilação auricular e a apneia do sono.
A FPC destaca a relevância destes resultados, sublinhando que 19% dos óbitos em Portugal em homens entre os 40 e os 55 anos são de origem cérebro-cardiovascular e alerta para o facto de cerca de 80% da mortalidade precoce por doença cérebro-cardiovascular (antes dos 70 anos) poder ser evitada através do controlo de fatores de risco modificáveis, como a hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e o excesso de peso, aliados à adoção de uma alimentação mais saudável e à prática de exercício físico.
A apresentação oficial dos resultados terá lugar no próximo dia 07 de maio, às 11h00, no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL) da Câmara Municipal de Lisboa, numa sessão solene que assinala o arranque das comemorações do “Mês do Coração”. A iniciativa incluirá também a apresentação da nova campanha da FPC e do programa de atividades previstas para o mês, reafirmando o compromisso da instituição, de utilidade pública, com a promoção da saúde cardiovascular em Portugal.
