Viver com Afasia

Portugal discute como devolver participação a quem perdeu a voz

Mais de 40 mil pessoas vivem com afasia em Portugal, mas a condição continua pouco reconhecida nas políticas públicas, nos serviços de saúde e na comunidade. As Jornadas trazem ao Porto uma das referências internacionais da área e colocam em debate a urgência de garantir comunicação, participação e inclusão.

O IPAFASIA - Instituto Português da Afasia realiza, nos dias 19 e 20 de junho, na Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, as VI Jornadas IPA, este ano subordinadas ao tema “Viver com Afasia: Comunicar, Participar e Transformar”.  Num país onde a afasia continua a ser pouco reconhecida, apesar do forte impacto na comunicação, autonomia, participação social e qualidade de vida, o encontro pretende colocar no centro do debate uma questão essencial: como garantir que as pessoas com afasia não ficam excluídas depois do diagnóstico, da alta hospitalar ou do fim da reabilitação formal. 

As Jornadas reúnem profissionais de saúde, investigadores, estudantes, organizações, pessoas com afasia e familiares, promovendo o diálogo entre prática clínica, investigação, inovação social e experiência vivida. A edição de 2026 assume uma abordagem centrada na pessoa com afasia, alinhada com a evidência científica atual, as orientações europeias e a Life Participation Approach to Aphasia, que valoriza a comunicação funcional, a participação social, a autonomia e a inclusão ao longo de todo o processo de recuperação. 

Para tal, terá uma forte dimensão científica e internacional, com a presença de uma referência mundial na área da afasia, Jytte Isaksen, professora associada no Departamento de Cultura e Comunicação da University of Southern Denmark. A investigadora tem desenvolvido trabalho centrado na comunicação, participação e inclusão das pessoas com afasia e das suas famílias. Nas Jornadas, irá apresentar uma palestra e dinamizar, no dia 20 de junho, um workshop presencial para profissionais de saúde, baseado no modelo “Train the Trainers”, destinado a capacitar profissionais para treinarem competências de comunicação junto de outras equipas. O programa contará ainda com a participação online de Sarah Baar, terapeuta da fala norte americana, bem como de outros convidados e investigadores de referência internacional na área da afasia. 

O segundo dia inclui também o Encontro Nacional de Pessoas com Afasia, dirigido a pessoas com afasia, familiares e amigos. Com um formato aphasia-friendly, acessível e inclusivo, este encontro pretende garantir que a reflexão sobre a afasia não é feita apenas sobre as pessoas afetadas, mas também com a sua participação ativa. 

“Falar de afasia não é falar apenas de linguagem. É falar de participação, de direitos, de autonomia e de qualidade de vida. A pessoa com afasia não perde inteligência, nem perde identidade. O que muitas vezes perde é espaço para comunicar, decidir e participar”, sublinha Paula Valente, diretora executiva do IPAFASIA. 

As VI Jornadas integram as comemorações dos 10 anos do Instituto Português da Afasia, uma associação sem fins lucrativos fundada em 2016 com a missão de promover a qualidade de vida das pessoas com afasia e dos seus familiares. Recorde-se que, em Portugal, cerca de 40 mil pessoas vivem com afasia, uma perturbação adquirida da linguagem e da comunicação causada por lesão cerebral, mais frequentemente na sequência de um AVC. 

O evento surge também num momento em que a evidência recente reforça a necessidade de respostas mais estruturadas após o AVC. Um estudo desenvolvido pelo IPA, em parceria com o Hospital Pedro Hispano, nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, identificou fragilidades na continuidade da reabilitação, no acesso a terapias especializadas, no apoio psicossocial e na disponibilização de informação clara e adaptada às pessoas com afasia e às suas famílias.  

As inscrições para as Jornadas estão abertas até 12 de junho: https://ipafasia.pt/vi-jornadas-ipa-2026/. A participação de pessoas com afasia e familiares é gratuita, embora sujeita a inscrição prévia.  
 

Fonte: 
Essencia Completa
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.