Ordem dos Nutricionistas alerta para novos aumentos no preço dos alimentos e defende a isenção do IVA nos bens essenciais

A Ordem dos Nutricionistas acredita que a instabilidade geopolítica, sentida nas últimas semanas, pode agravar o preço dos alimentos em Portugal. O aumento do preço do petróleo, associado à atual situação de tensão no Médio Oriente, tem impacto direto no custo da produção, transporte e distribuição alimentar, podendo traduzir-se em novos aumentos no preço de vários bens alimentares. Perante este cenário, a Ordem volta a defender a isenção de IVA nos alimentos essenciais do padrão alimentar mediterrânico, como forma de mitigar o impacto destes aumentos no orçamento das famílias.
“Num contexto de instabilidade internacional e subida do preço do petróleo, torna-se essencial garantir que o acesso a alimentos saudáveis não se transforme num privilégio. A elevada dependência da importação de energia e matérias-primas coloca Portugal especialmente sensível a flutuações internacionais, com reflexos diretos no preço final pago pelas famílias”, sublinha Liliana Sousa, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas”, sublinha Liliana Sousa, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas.
A Ordem dos Nutricionistas defende a isenção de IVA sobre os alimentos essenciais como forma de garantir o acesso da população a uma alimentação saudável, especialmente na situação atual. “Esta será uma resposta de emergência para proteger as famílias”, enfatiza a Bastonária, adiantando que a proposta – chumbada no último Orçamento do Estado - irá ser enviada ao Governo – nomeadamente o Ministério da Saúde, do Trabalho e da Segurança Social, das Finanças e da Agricultura - e a todos os grupos parlamentares.
A Ordem dos Nutricionista acredita que garantir o acesso a alimentos essenciais “não é apenas uma questão económica, mas também uma medida de proteção da saúde pública e de prevenção de doenças crónicas”.
Recorde-se que o cabaz alimentar de produtos essenciais monitorizado pela DECO – Associação Portuguesa da Defesa do Consumidor atingiu 251,76€ em março de 2026, representando um aumento de 37,1% desde 2022. Já os últimos dados relativos ao INE – Instituto Nacional de Estatística dão conta que 4,1% da população vive em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, enquanto 15,4% está em risco de pobreza, valores que, segundo a Ordem dos Nutricionistas, “sofreram ligeiras reduções, mas que neste contexto podem vir a piorar”.
