Novo Inquérito Alimentar Nacional arranca ainda em outubro

O novo Inquérito Alimentar Nacional deverá arrancar ainda durante o mês de outubro, dez anos depois da realização do último levantamento sobre os hábitos alimentares da população portuguesa. O anúncio foi feito por Liliana Sousa, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, durante a sessão de abertura da segunda edição da Nutrition in Growth Conference, realizada a 15 de outubro, na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Lisboa.
Segundo a bastonária, a Direção-Geral da Saúde (DGS) já comunicou formalmente à Ordem o início dos trabalhos de campo, concretizando um processo que exigiu três anos de insistência junto da tutela.
“Este foi dos primeiros pontos que levei à discussão com a tutela após a minha eleição e, três anos depois, temos um Inquérito Nacional de Alimentação quase a ser implementado”, afirmou Liliana Sousa.
A realização deste inquérito permitirá atualizar o conhecimento sobre os padrões alimentares dos portugueses, disponibilizando informação científica essencial para identificar necessidades de intervenção e apoiar a definição de políticas públicas de saúde.
Na sua intervenção, a bastonária destacou ainda o reforço da presença dos nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde, com um aumento de 25% no número de profissionais contratados nos últimos três anos.
Nutrição infantil exige uma abordagem multidisciplinar
Promovida pela nutricionista Ana Rachid, a segunda edição da Nutrition in Growth Conference decorreu sob o tema “Evoluir”, reunindo especialistas de diferentes áreas da saúde e do desenvolvimento infantil para refletir sobre os desafios da alimentação desde a gravidez até à obesidade infantil.
“A criança não cresce por partes. E nós não deveríamos cuidar dela como se crescesse”, afirmou Ana Rachid, sublinhando a importância de uma abordagem integrada que considere não apenas a alimentação, mas também o desenvolvimento motor, a saúde oral, a regulação emocional e o contexto familiar.
Ao longo do dia, foram debatidos temas como a nutrição na gravidez, a amamentação, a introdução alimentar, as dificuldades alimentares e a obesidade infantil. Entre os especialistas participantes estiveram Cristina Padez, antropóloga, que abordou o impacto do ambiente e das desigualdades na obesidade infantil, e Adilson Marques, professor e investigador, que destacou a importância do movimento e da atividade física desde a infância.
Para Ana Rachid, a evolução do conhecimento científico exige também uma mudança na forma como os profissionais abordam o crescimento infantil: “Talvez evoluir não seja ter cada vez mais respostas. Talvez seja aprender a fazer perguntas melhores.”
A Nutrition in Growth Conference afirma-se, assim, como um espaço de partilha de conhecimento científico e reflexão multidisciplinar, promovendo uma visão mais integrada da saúde e do desenvolvimento das crianças.
Mais informações: www.nutritioningrowth.pt
