Sociedade Portuguesa de Hipertensão e Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular

Novas diretrizes unificam tratamento da hipertensão de difícil controlo em Portugal

Consenso de especialistas clarifica acesso a procedimento inovador para doentes com hipertensão não controlada, uma condição que afeta uma parte significativa da população portuguesa.

Os maiores especialistas em hipertensão em Portugal uniram-se para definir novas regras que prometem melhorar o acesso a um tratamento diferenciador para a hipertensão arterial (HTA) de difícil controlo. A publicação de um novo documento de consenso, apresentado no Congresso Português de Hipertensão pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), visa otimizar e uniformizar a abordagem à hipertensão resistente, uma condição em que a pressão arterial permanece perigosamente elevada apesar da medicação.

A hipertensão é um dos mais sérios desafios de saúde pública em Portugal, onde se estima que afete 42,6% da população adulta. A condição, caracterizada por uma pressão sanguínea cronicamente elevada (≥140/90 mmHg), é um fator de risco primário para doenças graves como o acidente vascular cerebral (AVC), o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca e a insuficiência renal. Dados revelam que, dos doentes diagnosticados no país, menos de metade estão medicados e apenas 11,2% têm a sua condição efetivamente controlada.

"A hipertensão é um inimigo silencioso que contribui de forma massiva para a mortalidade global. Com este consenso, pretendemos criar um caminho mais claro e eficaz para os doentes que mais precisam", afirma Luís Nogueira Silva, representante da Sociedade Portuguesa de Hipertensão. "O nosso objetivo é garantir que os tratamentos mais avançados cheguem a quem já esgotou as opções convencionais, melhorando a sua qualidade e esperança de vida."

O consenso foca-se na Desnervação Renal (RDN), um procedimento minimamente invasivo destinado a doentes com hipertensão resistente. Esta terapia inovadora é uma opção quando a medicação já não é suficiente para controlar a pressão arterial.

"A Desnervação Renal é uma ferramenta terapêutica com provas dadas. O que este consenso faz é estabelecer um enquadramento clínico robusto em Portugal, uniformizando os critérios de referenciação e otimizando a prática clínica", explica Manuel Almeida, especialista em Cardiologia de Intervenção.

O documento reforça ainda a importância crescente do envolvimento dos doentes no seu próprio tratamento, apoiando a monitorização da pressão arterial em casa. Esta prática tem demonstrado ser mais eficaz para detetar variações da doença, como a "hipertensão da bata branca" ou a "hipertensão mascarada", e para prever eventos cardiovasculares.

As novas diretrizes agora apresentadas representam um marco na luta contra as doenças cardiovasculares em Portugal, alinhando a prática clínica nacional com a melhor evidência científica.

Fonte: 
Burson
Nota: 
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