Peça: “Agora Noutro lugar”

Monólogo desconcertante reflete sobre a dor e a ausência

Um homem entra num cemitério para pedir o divórcio à mulher que já morreu. Porque é mais fácil odiar uma ex-mulher do que amar a esposa eternamente. Este gesto tão ridículo quanto comovente, dá o tom à peça “Agora noutro lugar”. Entre o riso e a dor, esta é uma reflexão sobre o luto, a ausência e o amor em vários estados e fases. O espetáculo associa-se à comemoração dos 30 anos da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), com os lucros da peça a reverterem na sua totalidade para a Associação.

O texto é da autoria de Marine Antunes, para ser interpretada pelo marido, o ator Tiago Castro e parte da sua experiência pessoal: sobreviveu ao cancro e perdeu um namorado com cancro. “’Agora Noutro Lugar’ é uma proposta íntima, frontal e desconcertante, que fala da perda, da doença, do medo e do amor com brutal honestidade e uma dose inesperada de humor. Um espetáculo comovente, que procura tocar o público sem moralismo, apenas com verdade”, esclarece Marine Antunes.

Em Portugal, estima-se que todos os anos cerca de 100 mil pessoas tenham necessidade de cuidados paliativos, por doenças graves e/ou incuráveis. Situações que afetam os doentes e quem lhes é mais próximo, e que precisam de um acompanhamento em todas as fases da doença, que se estendem ao processo de luto, quando necessário. “Infelizmente, em Portugal, esse apoio só chega a cerca de metade das pessoas que dele necessitam, e de uma forma muito desigual ao longo do País”, alerta Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.  

O alerta para esta situação de iniquidade é o mote da campanha de comemoração dos 30 anos da APCP, na qual se enquadra a exibição desta peça. “É urgente cumprir o compromisso de um acesso universal aos cuidados paliativos, que permitam o alívio do sofrimento, promoção de dignidade e qualidade de vida em todas as fases da doença. Trata-se de um direito consagrado na lei desde 2012, que continua por cumprir. É, por isso, fundamental continuar a alertar para o tema e despertar consciências para esta situação. A forma sensível como esta peça aborda o luto e a ausência, numa fase prematura da vida, ajuda-nos a refletir de uma forma especial sobre esta temática e a necessidade de apoio. É com especial gratidão que acolhemos o envolvimento e apoio deste espetáculo para a causa dos cuidados paliativos”, reforça Catarina Pazes.

Tiago Castro é um ator com vasta experiência em televisão, cinema, teatro, dobragens e publicidade. Participou em várias produções televisivas e integrou filmes como ‘Soldado de Milhões’, ‘André Valente’ e ‘Jersey Shore Massacre’. Com formação em representação pela ESTC, William Esper Studio e Michael Howard Studio (Nova Iorque), tem ainda um percurso sólido em teatro, com atuações em Portugal e nos EUA.

O encenador Marco Medeiros fundou a companhia de teatro Palco 13, da qual é o atual diretor artístico. Em teatro, encenou mais de 30 espetáculos como diretor de atores e dirigiu 19 produções para todos os canais nacionais e plataformas de streaming, como HBO, Amazon Prime Vídeo, Netflix e Globo Play. Atualmente, além dos projetos de teatro e ficção, dirige 2 oficinas de interpretação e é professor na Escola Profissional de Cascais.

A peça sobe ao palco no dia 30 de janeiro de 2026, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, às 21h00. Bilhetes à venda na ticketline

 

Fonte: 
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Nota: 
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