Médicos e doentes exigem ação urgente em Manifesto

No âmbito do Dia Mundial da Obesidade, as principais sociedades médicas e a Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO) lançam o "Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade", numa resposta ao desafio lançado pela World Obesity Federation. Juntas, exigem uma estratégia nacional mais robusta e integrada para esta doença crónica, que afeta quase um terço da população adulta portuguesa, segundo a Direção-Geral da Saúde. Este apelo é um passo decisivo na mobilização da sociedade e das instituições perante um dos maiores desafios de Saúde Pública da atualidade.
O documento, que foi também assinado pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), e Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas (SPCO), sublinha a necessidade de implementar uma abordagem multidisciplinar, bem como de unir esforços e promover políticas transversais, baseadas em ciência, que garantam prevenção eficaz, diagnóstico precoce e tratamento acessível.
"A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial, com elevado impacto na saúde metabólica, mecânica e mental. Como sociedade científica, temos a responsabilidade de impulsionar uma resposta clínica baseada em evidência", afirma Paula Freitas, presidente da SPEDM. “Trata-se de um apelo à coordenação entre instituições científicas, políticas e a sociedade civil — todas indispensáveis para transformar compromissos em ação concreta”.
José Silva Nunes, presidente da SPEO, reforça que “a ciência tem demonstrado que a obesidade exige uma resposta alicerçada em dados e factos.” Com este manifesto, “damos um passo necessário e urgente para aplicar essa evidência em política e em ação, garantindo que o conhecimento serve para melhorar efetivamente a vida das pessoas."
Para que a integração dos cuidados se torne uma realidade, os signatários defendem a centralidade do atendimento de proximidade. "A abordagem à obesidade começa junto da comunidade, nos Cuidados de Saúde Primários. O médico de família está na linha da frente, mas o sistema precisa de nos dar as ferramentas e o tempo necessários para criar relações de confiança, pilares de qualquer tratamento bem-sucedido", revela Nuno Jacinto, presidente da APMGF.
A importância da multidisciplinaridade é partilhada pela SPMI. "Na Medicina Interna, vemos diariamente como a obesidade está associada a centenas de outras patologias. Cada doente que tratamos é uma futura complicação que evitamos, poupando milhões de euros ao Serviço Nacional de Saúde”, explica Isabel Fonseca, coordenadora do Núcleo de Estudos de Obesidade da SPMI. Além disso, destaca o a importância da abordagem terapêutica individualizada e ajustada aos objetivos de cada doente para o sucesso do tratamento.
Segundo John Preto, presidente da SPCO, “a prevalência do excesso de peso e da obesidade exige que abordagem concertada seja uma urgência nacional. Este manifesto é o primeiro passo para reforçar a necessidade de um percurso de tratamento claro, integrado e que inclua todas as ferramentas eficazes e disponíveis. Os doentes não podem continuar a ter respostas fragmentadas.”
"Em Portugal, quem vive com obesidade não tem acesso a um tratamento completo e lutamos para que seja um direito. A prevenção e a cirurgia funcionam, mas o apoio farmacológico, essencial para muitos, não é comparticipado. A obesidade não é uma escolha, é uma doença biológica e, por isso, tem de ser verdadeiramente reconhecida como tal", conclui Carlos Oliveira, presidente da ADEXO.
O "Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade", uma iniciativa conjunta da SPEDM, SPEO, APMGF, SPMI, SPCO e ADEXO, com o apoio institucional da Lilly Portugal, declara que é tempo de agir com determinação e sentido de responsabilidade coletiva. Sociedades médicas e a associação de pessoas que vivem com obesidade pedem que se abandone o estigma e defendem que esta doença crónica exige uma resposta contínua, integrada e humanista.
