Dia Nacional do Medicamento Genérico assinala-se hoje

Medicamentos genéricos: o que demonstra a evidência científica

Apesar da utilização crescente em Portugal, continuam a existir dúvidas sobre eficácia, preço e qualidade destes fármacos.

Em Portugal, foram dispensadas nas farmácias portuguesas mais de 193 milhões de embalagens de medicamentos genéricos em 2024, segundo o Infarmed. No mesmo período, a quota destes medicamentos em ambulatório atingiu os 52%, o valor mais elevado de sempre no país. Apesar destes resultados, continuam a existir dúvidas e falsas ideias sobre a sua eficácia, segurança e qualidade. Por isso mesmo, e no âmbito do Dia Nacional do Medicamento Genérico, que se assinala hoje (8 de julho), especialistas da ESSATLA, Escola Superior de Saúde Atlântica ajudam a distinguir factos de mitos e explicam a razão pela qual estes medicamentos continuam a ser fundamentais para garantir um acesso mais equitativo aos tratamentos.

 

Eficácia e segurança continuam entre as principais dúvidas

A eficácia é uma das questões que continua a suscitar maior desconfiança entre os portugueses. Muitas pessoas acreditam que os medicamentos genéricos produzem um efeito diferente dos medicamentos de referência ou que são menos seguros por terem um preço mais reduzido. No entanto, estas ideias não têm fundamento científico, pois os medicamentos genéricos contêm a mesma substância ativa, na mesma dose e na mesma forma farmacêutica, sendo, por isso, tão eficazes quanto os medicamentos de referência.

“Uma das ideias mais persistentes é a de que os medicamentos genéricos são menos eficazes do que os medicamentos de “marca”. Contudo, isto não corresponde à realidade. Ao serem bioequivalentes, estes medicamentos atuam da mesma forma no organismo e produzem exatamente o mesmo efeito terapêutico”, explica Luís Miguel Farias, docente da licenciatura em Farmácia da ESSATLA. Além da substância ativa, outra das diferenças frequentemente apontadas tem a ver com os excipientes. No entanto, estas substâncias não têm qualquer efeito terapêutico, sendo utilizadas para facilitar a produção, garantir a estabilidade, a conservação ou a administração do medicamento, sem alterar a ação da substância ativa.

 

Preço mais baixo não significa menor qualidade

O preço continua a ser um dos principais fatores que alimenta a desconfiança de alguns doentes. A ideia de que um medicamento mais económico será necessariamente de menor qualidade continua presente, apesar de não haver evidências científicas que corroborem esta crença.

“A diferença de preço explica-se pelo facto de os fabricantes de medicamentos genéricos não terem de suportar novamente os custos de investigação e desenvolvimento que foram assumidos durante a criação do medicamento original. O preço mais reduzido não resulta de uma menor qualidade, mas sim da inexistência dos custos acima referidos”, esclarece Luís Miguel Farias.

Tal como os medicamentos de referência, os medicamentos genéricos são sujeitos a rigorosos processos de avaliação antes de serem autorizados e comercializados, cumprindo os mesmos requisitos de qualidade, segurança e eficácia definidos pelas autoridades competentes. Para o docente da ESSATLA, combater a desinformação continua a ser essencial para reforçar a confiança dos cidadãos. “A confiança nos medicamentos genéricos deve assentar na evidência científica e não em perceções erradas.”

Além de assegurarem a mesma resposta terapêutica, os medicamentos genéricos contribuem para reduzir os encargos dos doentes, sobretudo nas terapêuticas de longa duração, para além de permitirem uma utilização mais eficiente dos recursos do SNS, promovendo um acesso mais alargado aos tratamentos.

 

Fonte: 
Central de Informação
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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