ISPUP
Lançamento de guia para promover linguagem neutra e inclusiva na comunicação sobre tuberculose
Terça, 7 Abril, 2026 - 12:20
O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) apresenta hoje, dia 7 de abril, a obra “As palavras importam – Guia prático para uma linguagem mais neutra e inclusiva em tuberculose”, um novo recurso que pretende transformar a forma como a tuberculose é comunicada em Portugal, promovendo uma abordagem mais respeitosa, centrada na pessoa e alinhada com os princípios da saúde pública e dos direitos humanos.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores do Laboratório Epidemiologia das doenças respiratórias, da infeção por micobactérias e outras doenças infeciosas, coordenado por Raquel Duarte, o guia surge num contexto em que a tuberculose continua a representar não apenas um desafio clínico, mas também um desafio social. Apesar da redução da incidência da doença nas últimas décadas, a tuberculose permanece associada a estigma, discriminação e desigualdades, fatores que podem influenciar negativamente o bem-estar das pessoas afetadas, dificultar o acesso aos cuidados de saúde e atrasar o diagnóstico e o tratamento. Assim, este novo guia prático destaca o papel determinante da linguagem na forma como a tuberculose é compreendida e vivida.
Termos frequentemente utilizados em contextos clínicos ou mediáticos podem, inadvertidamente, reforçar estereótipos, sentimentos de culpa ou isolamento social. Neste sentido, o guia propõe uma reflexão crítica sobre as palavras usadas e o seu impacto, incentivando práticas comunicacionais mais conscientes e inclusivas.
Entre os principais contributos do documento está a identificação de terminologia a evitar e a apresentação de alternativas centradas na pessoa. Expressões que reduzem o indivíduo à sua condição clínica, como “doente” ou “tuberculoso”, são substituídas por formulações como “pessoa com tuberculose”, promovendo uma abordagem mais humanizada. O guia recomenda ainda cautela na utilização de termos como “caso”, “suspeito” ou “contagioso”, que, fora de contextos técnicos, podem contribuir para a estigmatização.
O documento estrutura-se também em torno de princípios orientadores para a comunicação em tuberculose, como são a centralidade da pessoa, a promoção da empatia e do respeito, a utilização de linguagem clara e acessível e o reconhecimento dos determinantes sociais da doença. Estas orientações visam apoiar profissionais de saúde, investigadores, jornalistas e decisores políticos na adoção de práticas comunicacionais mais adequadas e sensíveis ao contexto social da tuberculose.
Resultado da adaptação ao contexto português do guia internacional “Words Matter”, da Stop TB Partnership, este trabalho integrou, além dos especialistas, os contributos de pessoas com experiência direta com doença, procurando, assim, assegurar a sua relevância sociocultural e aplicabilidade prática.
Mais do que um manual normativo, “As palavras importam” apresenta-se como um instrumento de sensibilização e mudança, reforçando a ideia de que a comunicação em saúde é uma componente essencial das estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento. Ao promover uma linguagem mais neutra e inclusiva, o guia contribui para reduzir o estigma associado à tuberculose e para melhorar a relação entre as pessoas afetadas e os serviços de saúde.
O guia está disponível para download gratuito no site do ISPUP, permitindo o acesso alargado a profissionais, investigadores, jornalistas e ao público em geral.
Como sublinha Raquel Duarte no prefácio, “a linguagem que usamos quando falamos de tuberculose pode fazer a diferença: na forma como as pessoas se sentem vistas e tratadas, na sua disposição para procurar ajuda e no seu percurso durante o tratamento”. Assim, a mensagem é clara: a forma como comunicamos influencia atitudes, comportamentos e decisões e pode, por isso, ser também parte da solução.
Fonte:
Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP)
Nota:
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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