5 de maio | Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar

Hipertensão Pulmonar: APHP alerta para necessidade de mais formação e rapidez de acesso à inovação

No âmbito do Dia Mundial da Hipertensão Pulmonar (HP), que se assinala anualmente a 5 de maio, a Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar (APHP) lança um alerta urgente sobre a necessidade de maior ação e conhecimento sobre esta doença rara, complexa e, provavelmente, subdiagnosticada no país. A associação destaca que as mais recentes inovações a nível do tratamento, como uma nova classe de fármacos biológicos, representam uma nova esperança, mas reforça o quanto a deteção precoce e o acesso rápido a estas terapias são fundamentais para melhorar o prognóstico dos doentes.

“Apesar dos grandes avanços nos tratamentos, o diagnóstico tardio da Hipertensão Pulmonar (HP) continua a ser um obstáculo crítico. Viver com cansaço extremo e falta de ar é devastador, especialmente quando estes sintomas são desvalorizados ou confundidos com asma, ansiedade, entre outras doenças. É urgente mudar este cenário para garantir o acesso rápido a médicos e tratamentos especializados.", explica Cátia Rodrigues, presidente da APHP.

A par do diagnóstico, o acesso à inovação é o segundo grande foco do trabalho da associação. "Após o diagnóstico, é fundamental assegurar que os doentes elegíveis acedam rapidamente às novas terapêuticas. Em Portugal, o processo de acesso ao tratamento deve ser o mais ágil possível, garantindo que os tempos de resposta acompanhem a urgência clínica de uma doença com este impacto e gravidade.", reforça Cátia Rodrigues.

A Hipertensão Pulmonar caracteriza-se pela pressão arterial elevada nas artérias dos pulmões, obrigando o coração a um esforço acrescido. A Organização Mundial da Saúde classifica a HP em cinco grandes grupos1, com base na sua causa, sendo o 2 e o 3 os mais comuns (doenças cardíacas e respiratórias, respetivamente).

O Grupo 1, conhecido como Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), é uma das formas mais graves, na qual as artérias pulmonares se tornam mais espessas e estreitas1. A nível mundial, a HAP afeta entre 15 a 50 indivíduos por milhão de habitantes2, sendo mais comum em mulheres do que em homens. Atualmente, não há cura para esta doença, mas há tratamentos disponíveis que ajudam a melhorar o prognóstico dos doentes.

Em Portugal, estima-se que mais de 550 doentes estejam atualmente em tratamento médico específico para as formas mais raras de HP, como a HAP2, mas a APHP acredita que este número não reflete a verdadeira dimensão da doença.

"Um número aproximado de 500 doentes em tratamento indica que poderá haver ainda uma margem significativa de diagnósticos por realizar. Acreditamos ser fundamental fortalecer a colaboração e a partilha de conhecimento com os cuidados de saúde primários, apoiando a identificação precoce de sintomas e a respetiva referenciação para centros de especialidade.", remata Cátia Rodrigues.

Com o objetivo de aprofundar este debate, a APHP irá promover um encontro em colaboração com os centros de referência nacionais, no próximo dia 16 de maio, no Porto, que conta com a presença de Miguel Guimarães, deputado, vice-presidente do grupo parlamentar e antigo Bastonário da Ordem dos Médicos.

Referências:

  1. Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar. (n.d.). Classificação clínicahttps://aphp.pt/a-doenca/hipertensao-pulmonar/classificacao-clinica  [Consultado em abril de 2026];
  2. Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar. (n.d.). Os números da doençahttps://aphp.pt/a-doenca/hipertensao-pulmonar/os-numeros-da-doenca [Consultado em abril de 2026].

 

Fonte: 
Burson
Nota: 
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